eu sou o homem
o cafajeste que não vale um centavo
que nenhuma mulher direita
aceitaria
mas a verdade é que você aceita
quer mesmo sabendo o que sou
ou até porque sabe
nunca escondi
olha meus olhos e vê o abismo
sente a vertigem na beira deles
quer pular
cabeça de escritor
embebedando seu juízo
e mãos de mecânico
que te seguram com força
são grandes e os calos arranham
as suas e seus peitos
e todo o resto que me deixar
tocar
você olha e pensa
“mas que filho da puta”
o sinal de alarme acende
o aviso no mapa é bem nítido
- caminho perigoso -
mas você vai
porque sabe que sou o único mapa
que te leva em segurança
aonde você nunca teve
coragem de ir
sou a desgraça em sua vida
a vergonha em seu pudor
e você jura por tudo
“nunca mais”
mas os lençóis acordam molhados
você joga o babydoll na máquina
e jura novamente
“nunca mais
nunca mais
nunca mais”
e suas coxas úmidas opinam
“só às vezes”
Walter Biancardine
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