Já experimentei de tudo
Vendido pelo tráfico sem alvará dos morros
Vendido pelo tráfico legal – big farma – também
Nada me pegou
Tudo porcaria, engodo, enganação
Um sujeito chapado é um inútil
Nada faz, sequer esquece
A própria miséria
Por isso aumenta a dose
E morre
Não sou um alcoólatra
Gosto de Jack Daniel’s – meu melhor amigo
De cerveja, vinhos em geral
Um bom Martini branco
Mas eles tem hora
Eles tem lugar
Eles tem razão e motivo
E pedem companhia
Mas confesso meus vícios
O cigarro – me destrói mas o amo
O café – insônia produtiva
E a soberba – a pior dependência, mortal
O que é um Marlboro perto de se achar a voz da razão?
O que é um cafezinho junto a sempre se achar certo?
A soberba, a vaidade
E até a luxúria de outrora
Estes sim, os grandes vícios
Me preocupam e envergonham
Mas a vergonha é um nada
Diante da compulsão da glória
De ser elogiado, lido, admirado
Quem diz que não liga
É só um falso filho da puta
Sim, eu meço pela minha régua
Sim, sou o dono da verdade
Walter Biancardine

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