quarta-feira, 22 de abril de 2026

VÍCIOS -

 


Já experimentei de tudo

Vendido pelo tráfico sem alvará dos morros

Vendido pelo tráfico legal – big farma – também

Nada me pegou


Tudo porcaria, engodo, enganação

Um sujeito chapado é um inútil

Nada faz, sequer esquece

A própria miséria


Por isso aumenta a dose

E morre


Não sou um alcoólatra

Gosto de Jack Daniel’s – meu melhor amigo

De cerveja, vinhos em geral

Um bom Martini branco


Mas eles tem hora

Eles tem lugar

Eles tem razão e motivo

E pedem companhia


Mas confesso meus vícios

O cigarro – me destrói mas o amo

O café – insônia produtiva

E a soberba – a pior dependência, mortal


O que é um Marlboro perto de se achar a voz da razão?

O que é um cafezinho junto a sempre se achar certo?


A soberba, a vaidade

E até a luxúria de outrora

Estes sim, os grandes vícios

Me preocupam e envergonham


Mas a vergonha é um nada

Diante da compulsão da glória

De ser elogiado, lido, admirado

Quem diz que não liga


É só um falso filho da puta


Sim, eu meço pela minha régua

Sim, sou o dono da verdade



Walter Biancardine




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