Nessa briga ideológica entre fanáticos ideológicos lambendo Donald Trump e indigentes da fé acendendo velas para esse Papa, minha escolha é tomar uma cerveja e ignorar.
Trump fez coisas boas e por isso os "Sem Rumo" (ala conservadora e direitista dos "Sem Terra", que busca desesperadamente um líder que resolva seus problemas, pague suas contas e até cuide de Fluffy, pois são pais de pet) o endeusam como se ele fosse incapaz de fazer besteiras. Ninguém lembra que a essência de todo político - todo - é ser uma criatura feita basicamente de vaidade. E Trump é vaidoso. Pra cacete. E fez merda. Das grossas, com a foto de IA que postou. Não adianta buscar desculpas.
Quanto ao Papa - se é que podemos chamar esse camarada assim; pra mim a Igreja é Sede Vacante desde o século XX - também é, do mesmo modo que Trump, um político. Desde a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano, por Teodósio, que o papado é um cargo político. Do mesmo modo que Trump, Leãozinho é um poço de vaidades. Tal qual qualquer político, não chegou lá sem vender a alma ao diabo - o Banco do Vaticano que o diga - e tudo o que fez se resumiu a cumprir sua obrigação: defender o catolicismo contra a brutalidade blasfema de Donald, o vacilão. Mas os fanáticos religiosos - o "lado B" dos "Sem Rumo" - sequer se deram conta disso.
Não há inocentes nessa mixórdia. Nem Trump, nem Papa, nem mesmo os direitistas conservadores e cristãos, de joelhos ralados por tirarem fotos rezando, pra postarem no Instagram. Pois tudo é vaidade.
O problema é o sistema. Ele sim, é podre e raiz de tudo o que é mal, ruim, nocivo, perverso. Se você vive numa ditadura e não se enquadra no sistema, ela te prende, te espanca, te manda pra Papuda e te mata. Se você vive numa democracia e também não se enquadra, ela te expele e te esquece. Basta ver os miseráveis pelas ruas. Você não tem mais casa, comida, roupa, dignidade e é apontado como fosse um gambá entre os cheirosos homens de bem. E, cá entre nós, entre morrer ou ser mendigo, a maioria prefere a indigência. E viva a democracia que salva vidas.
O sistema ocidental padrão - o cheiroso e limpinho, que todo mundo grita adorando - é a democracia, que é uma notória fraude. Não nas urnas, mas nas consciências, pois essa mesma turma que enxerga claramente a imbecilidade popular grita que todo poder deve emanar do povo - sim, desse mesmo imbecil. Portanto, a democracia é a fraude que eleva o imbecil ao poder, para que os carniceiros ocultos os controlem, arrombem a população e ninguém reclame - afinal, foi o povo que os colocou lá.
O Padre Paulo Ricardo disse uma coisa muito certa, anos atrás: "o maior inimigo da Igreja não são os que a combatem, mas os que a compõem". E ele está certo. A Teologia da Libertação come solta nas paróquias de todo o mundo, católicos são massacrados nas republiquetas islâmicas da África e o Papa nada faz. Nada comenta. Nenhuma declaração contundente, veemente - são almas, Leãozinho! Almas! E então os "Sem Rumo" da ala trumpista chegam ao orgasmo quando líderes iranianos elogiam as críticas do Papa contra o Pato Donald: "estávamos certos!", gritam, orgulhosos de sua esperteza. Não veem que é política, é o sistema.
O trono de São Pedro sempre foi um cargo político. Do sistema.
A presidência de um país é um cargo político, do sistema.
Ser Aiatolá é cargo político, do sistema.
A grande mídia - que embala tudo isso - é política, do sistema.
E nós comemos - e gostamos - na mão do sistema.
O sistema é foda, parceiro.
Walter Biancardine

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