sexta-feira, 17 de abril de 2026

É O QUE TEM PRA HOJE -

 

Postei minha opinião sobre a imensa porcaria feita por Donald Trump mas esqueci de ser explícito: eu tinha que ter deixado claro que condenei a postagem da fotografia, feita por IA, onde o homem laranja aparece como Jesus Cristo. Isso é passar de todos os limites.

Mas o fato é que não fiz isso e muita gente estranhou, rosnou e até deixou de me seguir.

Na verdade, embora tenha reconhecido meu erro e editado depois, acrescentando esta informação, estou cagando pra isso. Quero que me leiam, mas não coleciono seguidores como fossem troféus. Qualquer um que baixe os olhos aos meus escritos sabe quantas vezes já postei que “não adianta combater demônios usando as armas de anjos”, e já disse também que não há na história nenhuma ditadura que tenha sido derrubada por seu próprio povo, sem ajuda externa. Mas não tenho qualificação para palpitar sobre o fechamento do Estreito de Ormuz ou mesmo sobre o estreitamento da uretra de qualquer Aiatolá. O que me revoltou foi ver um Donald “Jesus” Trump. Aí é demais.

Mas existe muita gente histérica. Passional. Burra e precipitada. São pessoas assim que endeusaram um Pablo Marçal só porque falou meia dúzia de chavões conservadores. O mesmo com Alexandre Frota. Os irmãos Weintraub. Idem com um monte de youtubers por aí, que são lambidos e considerados “referência” por essa turma. O fanatismo dessa gente é imediato e de baixo custo pra seus ídolos.

Passei anos sendo classificado como “conservador” neste perfil, por conta de minhas matérias postadas. Sim, apoiei e apoio Bolsonaro e jamais daria um bom dia sequer pra Lula e sua gangue. Mas chegou o dia em que enchi o saco da apatia geral e me arrependi de ter aceito este rótulo. E mudei meu perfil totalmente, abandonando de vez o jornalismo.

Agora quem escreve sou eu, e não o “jornalista conservador” que muitos querem repetindo suas próprias opiniões apenas pra expectorar, aliviar e irem dormir tranquilos.

E eu concordo com muitas coisas da direita e ignoro completamente – ou abomino – outras. 

Do mesmo modo, vejo sentido em algumas poucas – pouquíssimas – coisas da esquerda, e nada encontro de errado nisso.

Não sou o “conservador de Instagram”, direita-padrão. Não sou de esquerda, socialista ou qualquer coisa desse gênero. Não sou liberal e, muito menos, “livre-pensador” – essa asneira não existe. Nunca fui. Eu sou eu, só isso. Um cara normal, como todo mundo, cheio de defeitos e contradições. Só que não escondo.

Tenho metade de meus ossos quebrados em brigas, traí mulheres, subornei guardas de trânsito, me embebedei até cair no chão, xinguei Bolsonaro e suas “quatro linhas”, estou desempregado, tenho nojo do Alto Comando de qualquer Força Armada, falei mal dos outros, moro de favor, detesto multidões, meu nome está no Serasa, não tenho onde cair vivo – porque morto qualquer lugar serve – e existe uma longa lista de gente que me odeia. 

E se não odeiam mais, é por minha insignificância.

Isso é ser conservador? Isso é ser aquele homem certinho, arrumadinho, que paga as contas em dia, nível superior e pai de pet?

Essa gente se diz democrata e quer democracia, ama a democracia, chupa democracia mas não admite ninguém que tenha uma só linha de pensamento diferente dos mandamentos – que ele tirou sabe-se lá de qual youtuber. Isso é a democracia dele? Pensamentos em série? Xerox ideológicas? Fotocópias de opiniões? E se eventualmente divergem em um único ponto que seja, então excluem, bloqueiam, condenam, execram aquele mesmo para o qual batiam palmas ontem? Bela merda. “Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã”, já dizia meu falecido amigo Cazuza.

Que se danem como me classificam. Que se danem se me seguem ou bloqueiam. A única coisa que sei fazer bem é escrever; sou escritor, eu vejo a vida e me revolto; o mundo, o sistema e a sociedade me dão náuseas, a apatia de todos também e hoje me limito a resistir calado. Abro minha cerveja, (meu Jack Daniel’s em dias melhores) e bebo. E depois escrevo. E bebo mais. E escrevo mais. E sorrio, quase com cinismo. Ou farei alguma merda.

Melhor escrever.

Quem me aceita como sou, sabe quem sou.

Quem me acha um nojo, sujo e vergonhoso, lembro que tenho redes sociais desde o Orkut, sempre fui a mesma coisa e nunca enganei ninguém. Apenas cometi o erro de aceitar um rótulo e, num processo quase stanislawskiano, vesti o personagem “jornalista conservador”.

Vou tomar uma cerveja, acender um Derby e ouvir Amado Batista. 

O velho Joaquim Teixeira vai comigo, ele e seu .38.

Qualquer dia, se estiver vivo e ainda houver alguém aí, eu volto.

Provavelmente de ressaca.


Walter Biancardine



Nenhum comentário: