terça-feira, 21 de abril de 2026

TUDO TEM SEU TEMPO -

 
Gosto de Bach, Tchaikovski, Mozart. Mas é impossível ouvi-los todo o tempo.
Acho a mesma coisa de um Schopenhauer, Hemingway ou mesmo Olavo de Carvalho – tudo tem sua hora, seu lugar e, principalmente, seu tempo.

Sei o que escrevo, conheço meu estilo e nem de longe me encaixo em alguém que produza coisas bonitas, inspiradoras, leves e que elevem nossos espíritos. Pelo contrário. O universo em que habito, penso e escrevo é sórdido, violento e até deprimente. Mas julguei ter encontrado lugar em meio à epidemia de hipocrisia que assola a sociedade atualmente; eu seria a voz dissonante a lembrar que devemos, antes de tudo, sermos verdadeiros e mantermos nossos pés no chão.

Mas eu estava errado, penso.

Talvez nossos pés estejam tão enterrados neste chão que mal nos movemos. Talvez as trevas nos envolvam de tal modo que tenhamos buscado fuga nas poucas alegrias que restam, belezas que sobrevivem e doçuras quase involuntárias.

E tudo isso me é estranho. Confesso ser incapaz.
Busquei criar um alter ego para continuar escrevendo, mas a emenda parece ter saído pior que o soneto. Acreditei que deixaria de me expor tanto, mas quem me lê conhece demais o que escrevo e não colou. Pelo contrário, saiu uma verdadeira gambiarra literária, uma porcaria. 

Também aboli a política de meus pensamentos, mas não cesso de condenar o sistema. Matei o personagem “jornalista conservador”, mas o verdadeiro homem por trás dele se revelou repugnante.

Sim, creio que é hora de parar.

Continuarei escrevendo nas revistas e publicando livros, pois ambos precisam que o leitor os busquem deliberadamente – escrever misérias em redes sociais aparecem em nosso feed aleatoriamente, contra nossa vontade, e podem arruinar um dia feliz.
E não quero fazer ninguém infeliz.

Quis apenas acordar as pessoas, lembrar a realidade. Mas ela, de fato, pouco merece ser lembrada.

É hora de me concentrar em meus livros e nas revistas que escrevo.
Quem quiser – ou tiver estômago – que os compre ou acesse os links.
E, principalmente, tentar romper com minha longa tradição de decepções.

Tarefa difícil, sendo quem sou.



Walter Biancardine




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