Perder alguém é sempre horrível
Na morte ao menos tem o peso da mão de Deus,
do tempo que não pára, do inevitável
Ajuda a aceitar
Mas o pé na bunda é pura dor
A dor da dúvida, do fracasso, da falha
Talvez pudesse ter evitado
Onde foi que eu errei?
Todos aceitam remoer a morte
O luto da missa, o sétimo dia
O choro, temos de respeitar
E lembrar, e sofrer, prolongar
Mas ninguém aceita a dor de corno
A bebedeira, o choro na mesa do bar
música de fossa, ninguém respeita
Pra quê lembrar? Vira a página, rapaz
Mais fácil aceitar perder
quem nunca mais será
do que o luto por um coração que bate
não mais por você
Não há velório
para o amor que morre
Sempre em um só primeiro
para que o outro finde,
gota a gota,
seu fim derradeiro
Walter Biancardine

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