Não consegui mais encontrar meus cigarros de quatro reais.
Pegaram o cara que os distribuía. Era bicheiro, contrabandista, sei lá.
Disseram que saiu no Jornal Nacional, mas não vejo TV. O que vi foi a falta de meus cigarros baratos, e tive de comprar outro, um real mais caro.
Não me meto no que cada um faz pra viver, desde que não seja vender veneno - e mesmo assim, todo mundo sabe que mata e compra, então que se danem. Drogas matam à vista, quem as quer deve ter lá suas razões.
Mas lamento o sonegador preso. Cigarros à quatro reais. Fossem legais, custariam (no mínimo) o dobro. Cerveja custa dez reais. Meio quilo de café, trinta. E um quilo de carne, quarenta.
As coisas nem são tão caras, o imposto que é. A cerveja poderia ser cinco, meio quilo de café custaria quinze e um quilo de carne, vinte.
O governo tem fome.
Arranca nosso couro, nos explora. Sabe que somos uns bundões.
Louvado seja o contrabandista, o sonegador que vende cigarros por quatro pratas e, se Deus quiser, logo venderá cerveja por cinco reais.
Pago o contraventor, ele me fornece o que quero por um preço justo. Mas não pago os ladrões de Brasília, que nada me dão - e se dão, foi porque me tomaram antes.
Imposto, aqui, é roubo. Simples assim.
Walter Biancardine

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