segunda-feira, 24 de agosto de 2026

AMIGO DE TINTA E PAPEL

Dei importância demais à minha vaidade.
Sim, sou vaidoso. Mas a culpei pelo fato de insistir em escrever, mesmo sem leitores.

Imaginei que estaria ostentando o título de “escritor”. 
Ponto pra vaidade. 
Vomitando meus livros publicados. 
Ponto pra ela de novo.
Mas agora, nesse momento, vejo que não é isso.
Ao menos neste exato agora.

Insisto em escrever pelo mesmo motivo que precisamos de alguém pra conversar. Alguém ao nosso lado, não uma chamada telefônica.
Queremos olhar nos olhos dessa pessoa e sentir a recíproca, a compreensão que nos traz o acolhimento.
E por isso escrevo.

Leio o que escrevi e nas linhas vejo um amigo imaginário, balançando a cabeça com ar solidário, entendendo tudo o que sinto e passo.
Mas um só texto ou poesia não bastam. A conversa é sempre longa, meu estado é grave.
E por isso posto, ao menos em minha página pessoal.
Lá eles ficam listados, acesso fácil, não preciso ficar abrindo um arquivo após o outro.
A conversa flui.

Talvez só agora eu esteja entendendo que o egoísmo venceu minha vaidade.

Que se dane.
Essa tralha toda é o único amigo que tenho.

Ele merece a cerveja de minha vergonha.





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