domingo, 2 de março de 2025

VAIDADE DE VAIDADES, TUDO É VAIDADE... (Ecclesiastes)

 


Todos temos barrigas, mas alguns são barrigudos.

Todos temos narizes, mas alguns são narigudos.

E todos temos vaidades, mas alguns são umas bestas.

Se algo esta semana de vida sobre a terra me ensinou foi o insuportável efeito da vaidade alheia, esta nuvem espaçosa e opressiva, que tenta nos humilhar pelo simples fato de existirmos, pois toda "existência" é vista como uma "ameaça" que assombra suas inseguranças infantis e desperta a feroz e adolescente necessidade de auto-afirmação.

De circunspectos PhD's que, sem nenhuma dignidade, tentaram bater boca, execrar meus escritos e condená-los ao "Index Malleficarum" simplesmente por não terem inteligência e capacidade filosófica de contestação - inteligências e títulos são, no Brasil, incompatíveis - até jovenzinhos posando de poetas-filósofos, com público quase exclusivamente feminino e, igualmente, incapazes de sofrer perguntas, pois as mesmas devem ser respondidas fora do âmbito da Inteligência Artificial - e na vida real o sujeito não passa de um estudante de segundo grau.

Estou farto disso; daqueles que se acham, que botam banca, que se arrogam e nada original produzem - galinhas gordas, mas sem ovos.

Confesso-me um analfabeto em diversos, muitíssimos assuntos e, por isso, jamais tentei aparentar um conhecimento que nunca tive, sobre os mesmos. Não sei resolver equações, desconheço as regras gramaticais - meu português correto deve-se à pura e simples imitação de bons escritores - e sequer sei fazer uma regra de três. Devo tentar aparentar ser um sábio onívoro, que tudo sabe, tudo conhece e tudo responde?

Pois tal pantomima excede os limites de minha cara-de-pau, exigindo um cinismo o qual confesso-me incapaz.

Arrematando o gancho inicial - o da semana que me ensinou - aproveito para acrescentar mais uma preciosidade, que a mesma fez-me aprender: a mandar todos eles, com suas luzidias e impecáveis figuras, à merda.

Ao despachar um deles ao lugar mais imundo, tal fato custou-me dinheiro. Mas ao despachar o arrogante juvenil, apenas atendi aos princípios básicos de higiene.

Sou o que sou, e por isso sou pobre.


Walter Biancardine



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