Tal assunto funesto se dá por conta de, neste dia 12 de março, completarem-se 17 anos do falecimento de minha mãe. Para piorar a situação, aparentemente o calendário parece divertir-se de maneira mórbida, concentrando nos finais e inícios de ano as mortes de todas as pessoas queridas por mim.
No dia 16 de março de 1991 faleceu meu pai - há 34 anos atrás, esquecendo-se que ainda teria muito o que ensinar a um inconsequente de 27 anos que era eu, na época. Não satisfeito, tal e sinistro calendário levou-me uma de minhas irmãs, no dia 23 de janeiro de 2011 - 14 anos completados.
Mesmo os amigos não falharam, em sua tarefa de morrer e verem-se livres deste que vos escreve: o quase irmão Luís Antônio, o Rei do Rock do The House of Rock and Roll, subiu com sua Harley Davidson aos céus no dia 24 de janeiro de 2021, exatamente um ano antes de meu mestre Olavo de Carvalho, que nos deixou - ainda ignorantes de tudo - na mesma data, porém no ano seguinte.
Um recente e mórbido toque final foi o falecimento de um tio muito querido, que aconteceu - sempre - no dia 26 de dezembro de 2024, deixando bem claro para mim que um mínimo de cautela e prudência de minha parte é necessária, em tal época.
A verdade é que a morte pouco se importa com minhas intenções de espancá-la, com minha revolta estéril ou minhas raivas surdas: ela sabe que o luto sempre vem, nublando meus dias sempre mais, na medida em que os ausentes se acumulam.
Tudo o que tenho é o hoje. Amanhã são planos e o ontem, apenas lembranças.
Mas não sobrou muita gente para eu compartilhar isso.
Walter Biancardine
Nenhum comentário:
Postar um comentário