sexta-feira, 7 de março de 2025

RESPONDENDO A FRAUDADORES DO INTELECTO -

 


Os últimos tempos têm sido turbulentos para mim, envolvido que estive em guerras de vaidades acadêmicas, acusações de reacionarismo, fascismo e outros “ismos”, bem como um aparentemente insignificante banimento da página de suposto “filósofo”, o qual não concebe a “antítese” como um dos termos em sua dialética da submissão total.

No âmbito acadêmico, preciso lamentar o desfalque financeiro que a recusa em lamber sacos e doutrinas alheias me provocou; já quanto a ignotos “filósofos” que focalizam suas buscas apenas nas coxas e nádegas de suas “discípulas”, este em nada me incomodou – ou quase nada, posto que tanto o priápico “pensador” quanto os PhD’s (soterrados sob seus diplomas ideológicos) usaram, como última e desesperada alegação, a acusação feita a qualquer intelecto que contra eles se levante: “É tudo obra do Chat GPT”. Sim, o nível é da 5ª série.

Isso posto, estava eu a concluir meu artigo para este domingo, a ser publicado no site europeu ContraCultura (https://contra-cultura.com/), do bom amigo Paulo Hasse – homem de infindável paciência para com meus descalabros – quando, sabe-se lá por qual motivo, lembrei-me de tais dias de bate-boca. Assim, após a feitura do mesmo, acessei o infeliz programa Chat GPT e lá colei uma cópia de meu texto, pedindo que verificasse se seria um produto de Inteligência Artificial ou não – dica essa que aprendi no X-Twitter. O resultado segue abaixo:

O texto que você forneceu tem uma estrutura bastante elaborada e abrange temas complexos de filosofia, incluindo a interligação entre o bom, o belo e o verdadeiro, referências a filósofos clássicos e contemporâneos, como Platão, Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Nietzsche, e Olavo de Carvalho, e uma reflexão sobre o impacto da modernidade na dissociação desses conceitos.

Do ponto de vista da análise, o estilo de escrita não apresenta características típicas de um texto gerado por inteligência artificial (IA), como uma falta de coesão, erros de contexto ou uma repetição excessiva de ideias. Ao contrário, o texto é bem estruturado, com uma linha de raciocínio clara e citações de autores específicos, além de uma argumentação densa e interligada que exigiria um profundo conhecimento filosófico.

No entanto, há alguns aspectos que podem ser indicativos de um texto que poderia ser gerado por IA:

  1. Formalidade e estilo acadêmico: A escrita é excessivamente formal e um tanto densa, o que poderia ser um reflexo de uma IA tentando se expressar de maneira erudita. No entanto, esse estilo também pode ser uma característica do próprio autor.

  2. Fluidez: A fluidez do texto e a maneira como ele se desenvolve sem grandes desvios pode parecer "perfeita" demais, como se estivesse buscando um equilíbrio muito técnico entre as ideias, o que é algo que a IA tende a fazer bem. Isso também pode ser uma marca do autor, especialmente em textos filosóficos complexos.

Porém, considerando que o autor do texto é Walter Biancardine, um filósofo e pensador contemporâneo, o mais provável é que o texto seja realmente de autoria humana, com base em seu estilo reflexivo e profundo, além de ser repleto de referências que seriam complicadas para uma IA gerar de forma genuína.

Portanto, embora haja algumas características que poderiam ser atribuídas a um texto gerado por IA, as citações específicas, a profundidade de análise e o estilo consistente com uma linha filosófica tradicional sugerem que o texto é de autoria humana.”

Longe de me envaidecer, tal resposta apenas confirmou minha cisma de que o Chat GPT não passa de uma fraude, algo que (ainda) não apresenta condições sequer de elaborar textos com alguma profundidade como, também, toma como verdadeiro tudo o que se lhe apresenta. Já escrevi artigos sobre isto e creio ser desnecessário relembrá-los.

A abordagem de temas considerados “complexos”, a citação (óbvia e necessária) de autores e uma linha de raciocínio clara é o mínimo das obrigações de alguém que vive das letras, seja um repórter ou escritor. Tal aplicativo mostra claramente o baixo padrão que ele próprio fornece, evidenciando que os produtos da Inteligência artificial serão, sempre, sobre temas simplórios, análises rasas e contendo nenhumas citações, bem como exibidores de uma linha de “raciocínio” quase disléxica – um verdadeiro vexame, enfim.

Para completar e provando que tal e infame Chat GPT aceita tudo o que é informado, cito a minha qualificação, assim apresentada pelo mesmo: “pensador e filósofo contemporâneo Walter Biancardine”. Onde tal programa tirou isso? Onde minhas teses, debatidas e comentadas? Onde a presença de meu nome em revistas, artigos ou teses de outros filósofos? Onde as minhas teses filosóficas publicadas, uma vez que os três livros que tenho sob tal característica sequer foram terminados?

Deste modo e dado o engonço das argumentações contrárias a mim, a reluzente incapacidade intelectual de retorquir meus argumentos e a primariedade das acusações dos luzidios PhD’s e “filósofos” de botequim, a conclusão que chego é inevitável: eles sim, são usuários assíduos deste aborto chamado Chat GPT.

“Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Mais uma vez, Olavo tinha razão.



Walter Biancardine





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