quarta-feira, 5 de março de 2025

STATE OF THE UNION: O DISCURSO DE TRUMP -


A quase unanimidade dos "didireita" brasileiros salpicaram as redes sociais, ontem, expectorando suas ânsias de revelações bombásticas que seriam feitas pelo Presidente norte-americano Donald Trump - afinal, ele mesmo assim prometeu.

A notória "falência múltipla dos neurônios" que se abate sobre o brasileiro médio - único país do mundo a ter sua média de Q.I. rebaixada, ao longo das últimas décadas - cuidadosamente impediu que tais histéricos parassem e considerassem o que é, de fato, o chamado "State of the Union" que NÃO ocorreu ontem.

Tal discurso é assim denominado APENAS após o início do segundo ano de seu mandato, ou no primeiro ano em caso de reeleição. É uma espécie de "prestação de contas" do que foi feito e a exposição de seus projetos, planos e requerimentos ao Congresso. Entretanto, devido à inédita e impressionante velocidade dos acontecimentos determinada por Trump, compreensivelmente este discurso realmente aparentou ser uma prestação de contas.

E onde entram as justificativas para a ansiedade pré-catártica dos "didireita" brasileiros?

Tal comportamento convulsivo baseou-se, única e exclusivamente, no comentário de Trump que seria "uma noite de revelações bombásticas" - e nossa conhecida arrogância e eterna dependência do "irmão mais velho" nos fez crer, tolamente, que o homem-laranja anunciaria ao mundo ações apocalípticas contra Alexandre de Moraes, a ditadura do STF, Lula e toda a corja a qual combatemos.

Temos um quadro psicológico paradoxal: ao mesmo tempo em que sofremos do velho complexo de vira-latas (pedindo a Trump que resolva nossos problemas), cremos piamente que o homem mais poderoso do mundo, Presidente da maior potência do planeta, usará seu palanque e gastará seu precioso tempo fazendo imprecações contra os malvados que nos assolam - acordem, crianças! "State of Union" significa "o estado da União", em qual ESTADO (condições) a União se encontra!

Para que nos limitemos ao nosso devido e humílimo lugar, Trump mal tocou nos nomes de potências como a China, Rússia, Canadá, Groenlândia (tal como o Panamá, por interesses óbvios) ou Ucrânia. Para não dizermos que sequer chegou perto, anunciou que os cartéis de droga mexicanos passam a ser considerados "organizações terroristas", o que pode eventualmente abrir brechas para que o mesmo tratamento seja aplicado aos brasileiríssimos PCC e CV - e tudo dependerá de Eduardo Bolsonaro, duramente criticado por estes mesmos "didireita" pelas suas constantes viagens aos EUA.

Ao fim e ao cabo, para não dizermos que Trump sequer citou o Brasil, anunciou (quase en passant) que elevará as tarifas alfandegárias sobre nossos produtos - o que já era esperado, graças à estupidez diplomática deliberada, de nossa atual ditadura.

Entenderam agora como funcionam as coisas em um país sério?

Pois é assim: cada coisa em seu devido tempo, seu devido lugar e escalada de acordo com sua proporcional importância aos interesses internos, domésticos, dos Estados Unidos da América.

Nos acostumamos muito rápido com a ditadura, a tal ponto que esquecemos - ou jamais soubemos - como funciona uma República.

Triste Brasil.


Walter Biancardine



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