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À esquerda, Dalton Revelles. Ao centro, minha mãe e, ao seu lado, meu pai. Ao fundo, seu belo Mustang Mach 1. |
Existem algumas pessoas que deixam sua marca na história das cidades onde viveram, mesmo que jamais tenham enveredado pelos tortuosos caminhos da política. Cito aqui três deles, amigos de meu pai mas que os "herdei" por andar agarrado ao meu progenitor como um carrapato: César Thedin, Lian Pontes de Carvalho e Dalton Revelles.
Thedin foi um cara que todos conheciam. Todos mesmo, do falecido arquiteto e escritor Marcos de Vasconcellos (que o incluiu em seu livro "300 Vergonhas do Brasil") até o frentista do posto de gasolina aqui de Cabo Frio, onde ele abastecia seu quase caricato jipe Gurgel - com as letras "CT" coladas no capô.
Entre inúmeros outros feitos, foi casado com a lendária atriz Tônia Carrero, construiu o condomínio da Moringa e deu até uma força para o querido Simonal - curriculo é isso, o resto é capivara!
Já nosso amigo Lian ergueu o inimitável "Casa Grande" - condomínio o qual tive o luxo de ter um apêzinho por lá - além da Ilha do Anjo (outro condomínio), o Clube do Canal (que meu pai foi Comodoro de 1975 até 1979) e, em tempos idos, explodiu um matadouro que poluía as águas do nosso canal do Itajurú. Em seus últimos dias, porém, cometeu o desatino de convidar meu pai e eu para sermos jurados em um concurso de Miss, que organizara em um novo clube que construia - imagine eu, um jovem espinhudo de seus 16 anos, julgando as moças...
Para encerrar estes pré-requisitos para ser considerado um "cabofriense raiz", impossível não citar o impressionante Dalton Revelles, o homem que jamais trabalhou na vida.
Quando jovem, era um bonito rapagão que muito se assemelhava ao ator italiano Marcello Mastroianni, e disso tirou todo o proveito possível, à bordo de seu charmoso conversível inglês MG. Depois, dedicou o resto de sua vida a ser uma espécie de "ordenança" de meu pai, sempre o auxiliando em seus mergulhos de caça submarina, consertos nas lanchas e até nos acompanhando em excursões de jipe, pelo então inóspito e arenoso bairro da Massambaba.
Se você frequentou a boa e saudosa Cabo Frio dos anos 60 e 70 sem conhecer essas figuras, provavelmente veio em breve final de semana para apenas conhecer o local e nunca mais voltar.
Para nós, que tínhamos casa de veraneio aqui desde 1959, foi inevitável convivermos e sermos amigos de uma turma que não deixou descendentes, infelizmente.
A vida passa, e seguimos com ela.
Walter Biancardine
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