Antes de sair, busque minuciosamente quaisquer vestígios de cabelos brancos e pinte-os. Evite o fatídico "acaju" pois é cor de velhas, tal como o loiro - se não for sua cor natural.
Faça uma boa maquiagem, mas sem exageros. Olhos delineados, bochechas rosadas e - vá lá, a ousadia merece - poderoso batom a engordar os lábios.
Use saias ou vestidos. Um tecido leve, a bailar por cima de curvas e reentrâncias ressuscita o Lázaro adormecido em seu cavalheiro, que a convidou. E não esqueça: saltos altos sempre, elevando-a à sua verdadeira e glamurosa estatura e, como bônus, empinando seu "dérriére" à posição que lhe cabe, diante de olhares estupefatos.
Chanel Nº5, não há outra receita. Caso não disponha, que seja um floral suave, daqueles que atraem narizes admirados ao seu colo - amadeirados servem apenas para mulheres trabalhadoras e seu papel, nesta noite, é ser Princesa.
Jóias e adereços devem ser usados com parcimônia e comedimento franciscanos, a realçar a arte delicada, feminina e admirável dos mesmos.
Não abra a porta de casa. Não abra a porta do carro. Não desça primeiro ou suba por último as eventuais escadas - lembre-se, você é uma dama e merece ser protegida.
Em seu jantar jamais exiba erudição, fale sobre política, dinheiro, problemas domésticos ou permita rompantes workaholics; todo o mundo real deve permanecer fora deste universo de sonhos. A noite pede uma suave dança, "Fly Me To The Moon" de braços dados ao seu gentil gentleman, que pagará a conta.
Ao postar-se neste nível, esteja certa: o Dia da Mulher deixará de ser uma data política, doutrinária, e se renderá aos encantos do eterno feminino, da suave e doce Princesa que nada precisa pedir, pois tudo tem diante de si para escolher.
Que as mulheres sejam mulheres, nada há mais encantador que isso.
Walter Biancardine
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