segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

ARCEBISPO VIGANÓ FALA -


A absurda ligação entre o Papa Bergoglio e John Podesta é intolerável, para quem acompanha o assunto sobre tráfico e abuso de crianças, adenocromo, PizzaGate e muito mais.

Especula-se se Javier Millei entregará os documentos sobre o Bergoglio ao Viganò e a outros membros da Igreja.

Leia a íntegra abaixo:

"Declaração do Arcebispo Carlo Maria Viganò
sobre a situação da Igreja e do Papado

Dico vobis, quia si oi tacuerint,
clambunt pedregoso.

Eu te digo, se estes estão em silêncio,
as pedras clamarão.

Lucas 19:40

As atualizações contraditórias sobre a condição médica de Jorge Mario Bergoglio lançam uma luz perturbadora sobre a forma como as comunicações do Vaticano estão a ser geridas. Há quem acredite que “o Papa já faleceu” e que este facto está a ser escondido do público. É claro que o Vaticano e a Igreja profunda bergogliana estão em pânico e farão tudo para reunir o consenso dos Cardeais em torno do nome de alguém que continuará a revolução bergogliana. Há quem tenha todo o interesse em enterrar os seus próprios crimes – juntamente com os de Bergoglio – enquanto nos Estados Unidos há um confronto frontal da Conferência Episcopal dos EUA contra a Administração Trump, depois do escândalo relativo aos fundos da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) ter trazido à luz a cumplicidade da Igreja Católica no lucrativo negócio da imigração.

É necessário evitar que a hierarquia progressista garanta que um dos seus seja o sucessor de Bergoglio, ou seja, outro usurpador do Trono de Pedro que será o herdeiro e continuador do anterior. Antes de martelar o último prego no caixão de Bergoglio, é portanto essencial e urgente que se lance luz sobre a usurpação que ele perpetrou e sobre a ocupação da Igreja Católica por uma hierarquia corrupta e traiçoeira, cujo único objectivo é destruí-la por dentro.

As manobras da Máfia de Saint Gallen em conjunto com a esquerda ultraprogressista; os crimes impunes de Theodore McCarrick; O papel de McCarrick nas administrações democráticas; a influência que McCarrick exerceu na obtenção de nomeações episcopais para os seus “herdeiros” – que são todos homossexuais e corruptos – designados para ocupar cargos-chave nos EUA e no Vaticano; o trabalho de McCarrick como elemento de ligação de Bergoglio com o regime comunista chinês, a fim de obter a assinatura do Acordo Secreto com a Santa Sé; o papel dos Jesuítas na promoção da agenda globalista; Os escandalosos encobrimentos contínuos de Bergoglio sobre notórios abusadores e pervertidos; o encobrimento do dossiê sobre a rede de corrupção do Vaticano, entregue pelo Papa Emérito Bento XVI a Bergoglio em abril de 2013 e sobre o qual ainda não houve qualquer seguimento; O papel de Bergoglio no crime perpetrado contra a humanidade com a “pandemia de Covid” e a imposição de vacinas; a exploração cínica dos imigrantes ilegais, a fim de destruir o tecido social do Ocidente: tudo isto e muito mais confirma que a Igreja Bergogliana não é apenas uma realização no plano subversivo do Fórum Económico Mundial, mas também um protagonista principal. Os fiéis têm o direito de conhecer toda a verdade sobre todos estes acontecimentos.

Depois de anos de mentiras, dissimulações e silêncio, é necessário reconhecer a fraude de Jorge Mario Bergoglio e levá-lo a julgamento, restaurando a verdade e a justiça exigidas pelas vítimas das suas represálias, dos seus atos intimidadores e da sua conivência nos crimes dos seus instigadores e dos seus protegidos. São necessárias investigações sobre a sua vida passada, sobre os crimes que cometeu na Argentina (razão pela qual nunca regressou como “papa” ao seu país natal) e sobre os acontecimentos obscuros que alegam que Jorge Mario Bergoglio foi pessoalmente responsável pelo abuso sexual de jovens jesuítas quando era mestre de noviços na Argentina. É necessário esclarecer se Tomas Ricardo Arizaga (conhecido como Tomasito), falecido em 20 de julho de 2014, aos 11 anos, e que foi cremado e enterrado em 2019 no Cemitério Teutônico do Vaticano, após ter sido removido os dentes, é realmente filho de Bergoglio, como há muito se diz e como vários elementos nos levam a crer.

Uma aliança criminosa internacional uniu forças subversivas para eliminar Bento XVI, forçando-o a demitir-se e substituindo-o por um emissário do globalismo. O próprio Cardeal Godfried Danneels admitiu isso, referindo-se à Máfia de Saint Gallen; McCarrick reiterou isso ao falar na Universidade Villanova em 11 de outubro de 2013; o presidente e fundador do Voices of Progress – um grupo de pressão que lida com alterações climáticas, migração e outras questões despertas – planeou-o, discutindo-o com John Podesta (presidente da campanha de Hillary Clinton), em e-mails divulgados pelo Wikileaks (aqui).

A “Primavera Católica” valeu-se de Jorge Mario Bergoglio, um personagem corrupto e manobrável, imposto fraudulentamente à Igreja Católica como “papa”. Solicitamos às Autoridades dos Estados Unidos da América e da Argentina que forneçam documentos e provas destes factos. Isto provará que Jorge Mario Bergoglio nunca foi papa da Igreja Católica: todos os seus atos de governo e ensino são nulos e sem efeito, e todas as suas nomeações são nulas e sem efeito, incluindo as dos Cardeais que elegerão o seu sucessor.

Chegou a hora de enfrentar a verdade com coragem, para que a libertação da Igreja Católica dos subversivos que a ocuparam durante demasiado tempo para destruí-la seja uma libertação radical e autêntica, e para que os feitos dos fraudadores – que ainda estão no Vaticano e sobreviverão a Bergoglio – possam ser descobertos e levados a julgamento, antes que a sua acção criminosa destrua as provas dos crimes que cometeram.


+ Carlo Maria Viganò, Arcebispo"



domingo, 23 de fevereiro de 2025

FARTO DE ESTAR FARTO -


Não sou bipolar, mas minhas tentativas desesperadas de escapar da angústia assim me fazem parecer.

Tive um fim de semana onde, por causas outras, mergulhei em um abismo de melancolia. No dia de hoje, domingo, tentei me alegrar e parecer recuperado diante da descoberta de algumas histórias antigas de família, mas ao me dar conta que amanhã é segunda-feira – que sempre traz consigo a lembrança de meu atoleiro profissional – novamente me deprimo.

Segunda-feira, em meu caso presente, não é só um dia. É um monstro quieto, um bicho que se esconde no canto da mente e espera a hora de morder. Ela traz o trabalho infrutífero, o atoleiro que me estanca, sempre, no mesmo lugar; aquele lamaçal profissional carregado de ódios e invejas alheias que eu não sei mais se é castigo ou consequência.

Ando farto de estar nas mãos dos outros, farto de esperar, farto de sentir o tic-tac do relógio como machadadas em minhas porcas esperanças. Farto de crer, sempre crer, obrigado a crer e me alimentar disso.

É o preço que pago – caro – por ser quem fui, no passado.

Apenas não sei se terei fundos, amanhã.


“Os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. 

Eles tinham pensado, com suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança”.



Walter Biancardine


LAÇOS DE FAMÍLIA: CONDESSA DE BARRAL X VISCONDE DE SÃO SEBASTIÃO DO ALTO -


Acabei de descobrir: o título de Visconde de São Sebastião do Alto foi concedido a Manuel Ribeiro da Mota. Nascido em 1814 em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Manuel era fazendeiro e coronel da Guarda Nacional. Em 1881, recebeu o título de Barão de São Vicente e, posteriormente, em 14 de abril de 1883, foi agraciado com o título de Visconde de São Sebastião.

Essa honraria foi concedida pelo Imperador Dom Pedro II em reconhecimento ao seu empenho financeiro na reconstrução da matriz de São Sebastião, na freguesia onde nasceu. Além disso, em 1885, Manuel presidiu o Banco de Campos. Faleceu em 8 de outubro de 1890, deixando uma considerável fortuna para seus herdeiros.

Infelizmente, não há registros fotográficos ou retratos conhecidos de Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião. No entanto, existem itens históricos associados a ele que foram preservados. Por exemplo, um "pot de crème" em porcelana da manufatura Julien Fils Aîné, decorado com detalhes em ouro e ostentando a inscrição "Barão de S. Sebastião" sob uma coroa de barão, pertenceu ao serviço de mesa do Visconde.

Este item está reproduzido na página 328 do livro "Louça da Aristocracia no Brasil", de Jenny Dreyfus.

Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião, não se casou oficialmente, mas teve filhos com Maria Madalena Nascimento e Inácia Ferreira do Rosário.

Um de seus netos notáveis foi Max de Vasconcelos, poeta e jornalista, filho de Ernestina Ribeiro de Azevedo e antepassado que explica minha maldição com as letras.

Já quanto à Condessa de Barral, creio não ser necessário nenhum comentário.

Finalmente, o mistério que me perseguiu durante anos está (aparentemente) resolvido, e se algum familiar tiver algo a acrescentar ou corrigir, sinta-se à vontade!


Walter Biancardine



QUANDO MENOS SE ESPERA, AÍ É QUE NADA ACONTECE - ANALISANDO SCHOPENHAUER

 


Conheço meus ciclos e tenho andado bastante cabisbaixo, nos últimos dias. Não vem ao caso as razões, ou mesmo se tenho justificativas para tal, mas creio ser o momento oportuno para fazer uma rápida e previamente prometida análise do pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860). Um pessimista consola-se com outro, e isto talvez explique meu relacionamento de longa data com este senhor, sempre a socorrer-me nos vales da vida, apontando: “existe coisa pior”.

Tal empreitada veio-me à cabeça após ler uma aceitável e breve resenha de um senhor que não conheço, chamado Ednilson José dos Santos, que encontrei nas páginas do Facebook e expõe o pensamento do meu amigo alemão, companheiro de tantos abismos, a qual reproduzo abaixo. A minha análise virá logo depois.


O pensamento de Arthur Schopenhauer sobre a relação entre inteligência e sofrimento está profundamente enraizado em sua filosofia pessimista, que ele desenvolveu em obras como "O Mundo como Vontade e Representação" (1818). Ele acreditava que a vida é dominada por uma força cega e irracional, a "vontade", que impulsiona todos os seres vivos a desejarem incessantemente, resultando em frustração e sofrimento.

No contexto da frase mencionada — "quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem" — Schopenhauer sugere que a consciência e a inteligência são uma espécie de maldição. Quanto mais uma pessoa entende a realidade, mais ela percebe as tragédias e absurdos da existência humana.

A visão de Schopenhauer sobre sofrimento e consciência -

Ignorância como bênção: Pessoas com menos inteligência tendem a viver focadas em necessidades imediatas e prazeres simples, sem refletir profundamente sobre o sentido da vida ou sua falta. Para Schopenhauer, essa ignorância os protege de sofrer tanto quanto aqueles que analisam o mundo em profundidade.

O gênio como solitário: O "gênio", ou a pessoa extremamente inteligente, sofre mais porque vê além das ilusões que sustentam a maior parte da humanidade. Ele percebe a transitoriedade da felicidade, a inevitabilidade da morte e a luta constante pela sobrevivência. Esse entendimento pode levá-lo a um estado de alienação ou melancolia.

A busca pela superação: Schopenhauer acreditava que o sofrimento do ser humano pode ser minimizado, mas não eliminado. Ele via a arte, especialmente a música, como um meio de transcender temporariamente a "vontade" e alcançar um estado de contemplação pura, onde o sofrimento é momentaneamente suspenso.

Influências filosóficas e culturais -

Schopenhauer foi influenciado pelo budismo, hinduísmo e o pensamento kantiano. Ele reconhecia semelhanças entre sua visão pessimista e o conceito budista de "dukka" (sofrimento inerente à existência). Assim como o budismo prega o desapego para aliviar o sofrimento, Schopenhauer defendia que a negação da vontade de viver poderia libertar o indivíduo.

Impacto na cultura e na filosofia -

A filosofia de Schopenhauer influenciou muitos pensadores e artistas, como Nietzsche (que inicialmente o admirava), Freud (em sua teoria do inconsciente), Wagner (em sua música) e escritores como Dostoiévski, Proust e Thomas Mann. Sua visão pessimista encontrou eco em movimentos como o existencialismo e o niilismo, que também exploram o sofrimento humano e o sentido da vida.

Reflexão contemporânea -

Hoje, muitos veem a ideia de Schopenhauer como uma provocação para repensarmos nossa relação com o conhecimento. Embora o aumento da consciência possa trazer dor, ele também pode gerar empatia, criatividade e um desejo de transformar o mundo. Esse paradoxo é parte essencial da experiência humana.

Se quisermos sintetizar a essência dessa ideia, ela nos lembra que o sofrimento não é apenas um fardo, mas também um sinal de profundidade, sensibilidade e conexão com a complexidade do mundo.


Conforme prometido, segue nas próximas linhas a minha tentativa de reanimar o espírito – como de hábito – amparado nas muletas de Schopenhauer e fazendo o contraponto necessário, com a devida dose de realismo, a amenizar o pessimismo de ambos: meu e de Schopenhauer:


Uma análise da relação entre inteligência e sofrimento em Schopenhauer, sob uma ótica realista -

As relações entre a inteligência e o sofrimento, conforme delineada por Arthur Schopenhauer, é um tema que atravessa não só sua filosofia pessimista mas, também, diversas correntes do pensamento ocidental. Tentando emprestar uma visão não tão “apocalíptica” às ideias de Arthur, ouso supor que a questão pode se desdobrar em aspectos que vão além do pessimismo absoluto, sempre tentando compreender o verdadeiro papel do sofrimento e da inteligência na construção da ordem social e da (vá lá) grandeza humana.

A inteligência: condenação ou vocação?

Eu diria de pronto: condenação. Schopenhauer, fazendo coro, afirmava que "quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem". Essa ideia, embora eu compartilhe e seja coerente com sua visão de mundo, pode ser vista sob uma ótica mais realista e, até, conservadora. Uma profunda percepção da realidade sempre irá gerar desafios e, inevitavelmente, sofrimento, perplexidade, decepção e dor, mas também pode conferir ao indivíduo – se ele assim o desejar – a capacidade de influenciar e transformar sua própria vida e a conjuntura da sociedade – vide a fantástica obra de Olavo de Carvalho, o verdadeiro criador do que hoje chamamos “direita conservadora” no Brasil.

Edmund Burke, um dos principais teóricos do conservadorismo, defendia que a ordem e a tradição eram fundamentais para evitar o caos e a desorientação que o excesso de racionalismo poderia trazer. Nesse sentido, a inteligência não precisa necessariamente ser um peso, mas sim um instrumento para construção e manutenção de uma ordem social justa. O sofrimento inerente ao conhecimento não seria uma condenação, mas um caminho para a verdadeira compreensão da vida e do dever moral.

O papel da tradição e da religião, atenuando o sofrimento -

Posso reconhecer que o sofrimento é um fator da condição humana, mas – ainda que um tanto quanto relutante, dada minha pouca fé – difiro de Schopenhauer quando suponho que o mesmo pode ser atenuado não apenas pela arte ou pela negação da vontade, mas também pela religião, pela cultura e pela vida comunitária. O cristianismo, por exemplo, nos oferece uma perspectiva na qual o sofrimento é compreendido como um elemento de crescimento espiritual e redenção, diferindo da resignação pessimista schopenhaueriana.

Russell Kirk, outro expoente do pensamento conservador, fazia coro à Burke ao enfatizar que a civilização se sustenta em valores perenes que oferecem sentido à vida, reduzindo o desespero existencial que a hiperracionalização pode gerar. Dessa forma, a inteligência, quando orientada por princípios morais e religiosos, pode ser uma bênção e não uma maldição.

A solidão do gênio e a responsabilidade da elite intelectual -

Schopenhauer sugere que o gênio, por enxergar a transitoriedade da felicidade e a luta incessante da vida, é condenado à solidão e à melancolia – e apresso-me a esclarecer que este não é meu caso: não sou gênio, apenas atravesso vales e escalo picos, embora a melancolia e a solidão sejam idênticas.

Embora essa visão tenha, a meu ver, total fundamento, alguém mais otimista poderá dizer que há, nela, um excesso causador do imobilismo. Devemos reconhecer que as elites intelectuais têm uma responsabilidade na orientação moral e cultural da sociedade, e o sofrimento decorrente do conhecimento profundo da realidade não deve levar à alienação, mas à ação.

Aqui é o momento de citar Alexis de Tocqueville, que via na aristocracia intelectual e moral um elemento essencial para a preservação da liberdade e da ordem. Para ele, a inteligência não era uma prisão, mas um chamado ao dever. Assim, ao invés de se resignar ao sofrimento, o gênio pode e deve influenciar positivamente sua sociedade, respeitando as tradições e contribuindo para a manutenção dos valores que sustentam a civilização – e este é o momento em que saio de cena, deixando tal trabalho para outros, bem mais qualificados que eu.

A realidade do sofrimento: aceitação, não vitimismo -

Qualquer pensamento realista pode reconhecer que o sofrimento é inerente à vida, mas não o absolutiza como faz Schopenhauer. O homem não é apenas uma vítima da "vontade cega"; ele tem livre-arbítrio e capacidade de agir. Roger Scruton, um dos maiores intelectuais conservadores contemporâneos e que será objeto de maiores estudos em meu próximo livro, sobre a beleza, argumentava que a verdadeira grandeza do homem está em sua capacidade de encontrar algum significado maior em tudo, mesmo diante do sofrimento.

Por outro lado, o pensamento estóico – filosofia que muito me apraz mas, ao que parece, transformou-se atualmente em “auto-ajuda” – representado por Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio, defende que o sofrimento é uma oportunidade para o aperfeiçoamento moral. Para os estóicos, não é o sofrimento em si que importa, mas a maneira como o indivíduo responde a ele. A dor e as adversidades devem ser enfrentadas com serenidade e autodisciplina, pois fazem parte da ordem natural do mundo e do desenvolvimento da virtude. Enquanto Schopenhauer enfatiza a resignação, os estóicos ensinam a cultivar a resiliência e a dignidade diante das dificuldades.

Portanto, uma visão verdadeiramente realista rejeita tanto o otimismo ingênuo quanto o pessimismo paralisante. A inteligência traz desafios, sim, mas também a possibilidade de construir, preservar e transmitir um legado que dê sentido à existência humana.

Conclusão do acima exposto - 

A visão de Schopenhauer sobre a relação entre inteligência e sofrimento, embora brilhante em sua análise da condição humana, pode ser considerada excessivamente pessimista. Sob uma ótica mais sã que a minha neste momento, compreenderemos que o sofrimento existe, mas ele pode ser ordenado e atenuado pela maneira como reagimos ao mesmo e, também, pela tradição, religião, pelo compromisso moral e responsabilidade das elites intelectuais.

Ao fim e ao cabo, a inteligência está longe de ser uma maldição, antes é uma vocação que, quando bem orientada, permite que a humanidade não apenas suporte a dor da existência, mas também a transcenda, edificando uma civilização digna e ordenada.

Mas confesso descrer de todo o exposto acima quando estou na fila do caixa eletrônico e vejo, sem nenhuma esperança, como coça a cabeça aquele senhor pagando suas contas, bem à minha frente.

Tento me reanimar pensando que em algum momento, ainda naquele dia, ele terminará.

Cumprida a promessa que fiz, a análise está feita. Espero que gostem.



Walter Biancardine



sábado, 22 de fevereiro de 2025

CONHEÇO AS DORES -


Ser deixado, largado, abandonado;

Preterido, não escolhido, menosprezado;
Rejeitado, enganado, manipulado.

Também sei a dor da solidão,
Do chão sem fim e do fim do chão.

Doeu-me a fome, a angústia e o vazio;
Não ter futuro, esperanças, o presente por um fio;
O passado somente um peso, um desafio.

Sem amor, casa ou raiz;
Sem amigos, família por um triz.

Sobrevivi mas, ainda hoje, não sei como fiz.


Walter Biancardine

ALMA ANIMAL


Como afirmar que animais não tem alma?

Quando a proximidade entre humanos e bichos chega ao ponto de criar qualquer espécie de laço - ainda que seja a visita unicamente para comer - tal fato quase sempre resultará em uma maior interação entre o homem e a criatura em questão; e se esta criatura começa a manifestar sinais de agrado pela simples visão, proximidade ou companhia do homem, existirá então, de fato, um laço afetivo.


O afeto é subjetivo e, mais que isso: transcendente. Existem provas por demais conhecidas do amor de um cão por seu dono e pergunto como negar a existência de alma em um ser vivente que ama, protege, defende e, por vezes, dá a vida por seu dono.

Tudo isso, entretanto, é pouco e mais se assemelha a construção de um auto de defesa, pois existe algo de muito mais profundo e que, dada a barbárie brutalista do ser humano atual, poucos enxergam: é aquilo somente dedutível, presumível, algo que podemos enxergar, sentir, mas jamais descrever - e o exemplo está na fotografia que ilustra estes devaneios.

O que você enxerga nos olhos deste cão? Ou fixou-se apenas em seu inegável sorriso de felicidade? Não viu o amor em seus olhos? O olhar sorridente, em sincronia com a boca? Todo o afeto que demonstra de modo tão evidente?

Teria alguém o atrevimento de afirmar, mesmo que baseado nas Sagradas Escrituras, que animais - em especial o cão - não tem alma? Como negar aquilo que vemos?

Ao me mudar para minha nova casa, tive de deixar meu único amigo para trás, o Sr. Wilson, meu cão que me adotou em meu naufrágio na vida. O proprietário da casa não aceita animais e eu, em minha ansiedade de ver-me livre do símbolo de minha derrocada, aceitei.

Não foi uma "Escolha de Sofia" mas, sim, uma escolha canalha - não poderia ter feito isso. Ainda que o tenha deixado em boas mãos, a consciência pesa-me todos os dias, lembrando que abandonei aquele único que esteve ao meu lado, em meus mais tenebrosos dias.

Espero, em breve, ter condições financeiras de alugar outra casa, e contar com a sorte do novo dono cedê-lo de volta a mim.

Até que isso aconteça, nada me fará menos canalha do que eu me sinto, hoje em dia.


Walter Biancardine

Sr. Wilson, meu cão: ele me procurou e me adotou, em meu naufrágio da vida. Nada pediu, nada reclamou, apenas foi minha companhia durante os piores anos de minha vida. Que ele me perdoe.

A título de esclarecimento:

A Igreja Católica tem uma visão específica sobre a alma dos animais. De acordo com a teologia cristã tradicional, especialmente a tomista, os animais possuem uma alma sensitiva, que lhes dá vida e permite que tenham percepções e sentimentos, mas essa alma não é espiritual e imortal como a dos seres humanos. Apenas os seres humanos têm uma alma racional e imortal, criada diretamente por Deus. Santo Tomás de Aquino argumentava que a alma dos animais perece com a morte do corpo, enquanto a alma humana continua a existir.

O Papa Francisco, em algumas ocasiões, fez comentários que foram interpretados como uma abertura à ideia de que os animais poderiam ir para o Céu, mas isso não reflete uma mudança oficial na doutrina.

Filosofia Clássica:
Na tradição aristotélica, que influenciou profundamente o pensamento cristão, Aristóteles distingue três tipos de alma:

Alma vegetativa – presente nas plantas (crescimento e nutrição).
Alma sensitiva – presente nos animais (percepção, movimento e desejo).
Alma racional – exclusiva do ser humano, dotada de razão e imortalidade.

Platão, por outro lado, tinha uma visão mais espiritualizada da alma e chegou a sugerir, no Fédon e no Timeu, que as almas poderiam reencarnar em diferentes formas de vida, inclusive animais.

Em resumo, tanto na tradição aristotélica quanto na doutrina católica, os animais possuem alma, mas esta não tem a característica da imortalidade, sendo essencialmente mortal e ligada às funções biológicas.









sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

SONS E TONS: HOJE É DIA DE ROCK?


Em especial agrado que tento fazer ao meu irmão Silvio Biancardine e ao amigo Dante Mantovani – os dois únicos músicos que conheço – resolvi escrever algumas considerações sobre o pouco que aprendi sobre tonalidade, eis que a música me é inalcançável, apesar de meu ouvido absoluto e razoáveis (mas nunca excelentes) performances no baixo elétrico.

Do mesmo modo, tudo o que se segue abaixo poderá servir de “insight” para aqueles que pretendam desenvolver teorias, ou mesmo teses, sobre a influência da mudança de frequência padrão nos tons musicais sobre a psique e comportamento das massas.

Se você disser que eu desafino, amor… -

A afinação musical, ou seja, a determinação da frequência padrão para o tom Lá acima do Dó central, tem sido objeto de debates e mudanças ao longo da história. Atualmente, até onde sei, o padrão internacionalmente reconhecido é de 440 Hz. No entanto, existem aqueles que defendem a afinação em 432 Hz, argumentando que a mesma estaria mais “alinhada” com as frequências naturais do universo, e ainda apresentaria efeitos benéficos sobre o ser humano, especialmente sobre sua psique.

O fato é que, antes de ser instituída uma padronização, não haviam frequências fixas para a afinação dos instrumentos musicais. Cada região ou mesmo cada conjunto instrumental podia adotar diferentes referências – ou preferências – resultando em variações significativas no resultado final de uma obra. Pesquisei e descobri que foi somente em 1953 que a Organização Internacional de Padronização (ISO) estabeleceu o Lá em 440 Hz como padrão. Entretanto, igualmente sei que alguns compositores, como Giuseppe Verdi preferiam a afinação em 432 Hz, acreditando que esta proporcionava uma sonoridade mais harmoniosa e adequada para as vozes humanas.

Controvérsia entre 440 Hz e 432 Hz: fora do tom? -

Os defensores da afinação em 432 Hz – em geral um tanto quanto esotéricos demais para meu gosto, mas que aparentam possuir boas razões – argumentam que esta frequência está em maior consonância com os padrões naturais e cósmicos. Do alto de seus “nirvanas”, asseguram que instrumentos afinados em 432 Hz ressoem de maneira mais harmoniosa com a natureza e com o corpo humano, promovendo sensações de bem-estar e relaxamento. Estudos de cimatismo (pesquise no Google), que analisam padrões formados por frequências sonoras em meios físicos, mostram que a frequência de 432 Hz gera formas geométricas mais simétricas e esteticamente agradáveis em comparação com 440 Hz e, por isso, dou aos irmãos “malucos-beleza” minha aprovação.

Por outro lado, a afinação em 440 Hz tornou-se predominante no século XX, especialmente após sua adoção como padrão pela ISO. Algumas teorias sugerem que essa mudança foi influenciada por motivos políticos e sociais, incluindo a hipótese de que o ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, teria promovido a adoção do 440 Hz para influenciar o comportamento das massas – o que não deixa de ser uma boa justificativa, dado o “zeitgeist” da época. No entanto, ainda que essas teorias careçam de comprovação histórica sólida, não podemos desprezar seus efeitos na música popular jovem, a partir dos anos 50.

Efeitos das frequências sobre o ser humano: muito doido... -

A frequência de uma nota musical pode influenciar a percepção e o estado emocional do ouvinte. Músicas afinadas em 432 Hz são frequentemente descritas como mais suaves e claras, proporcionando uma experiência auditiva mais agradável e relaxante. Alguns estudos – e quero crer que realizados por hippies aposentados, veganos ou adoradores do deus-sol do santo daime – indicam que essa afinação pode estimular o “chakra” do coração, promovendo sentimentos de paz e bem-estar. E isso sempre me obriga a considerar que existem verdades ocultas, mesmo que por detrás de toneladas da erva que passarinho não fuma.

Dissipada a fumaça, ainda encontrei relatos de que a música em 432 Hz pode auxiliar na redução do estresse e na promoção de estados meditativos. Entretanto, é importante notar que a resposta ao som é subjetiva e pode variar de pessoa para pessoa – e digo isso a sério, sem nenhuma referência ao uso de substâncias estranhas por trás de tais cidadãos. Mais pesquisas científicas são necessárias, portanto, para confirmar os efeitos terapêuticos específicos dessa afinação.

Tons, sons e a física quântica: um nó na cabeça -

Podemos também piorar a situação, explorando a relação entre os modelos de afinação musical (440 Hz e 432 Hz) e a física quântica, um tema controverso e amplamente debatido especialmente em círculos – sempre eles – alternativos. Embora a física quântica seja um campo rigorosamente científico, alguns pesquisadores e entusiastas (!) sugerem que certas frequências musicais podem interagir com os princípios quânticos da vibração e ressonância.

A física quântica e a vibração do universo -

No quase nada que sei sobre física quântica, percebo que a mesma descreve a realidade como sendo composta por campos vibratórios. O princípio da dualidade onda-partícula demonstra que partículas subatômicas se comportam como ondas e podem ressoar em diferentes frequências. Essa ideia se conecta com a noção de que toda matéria e energia possuem uma assinatura vibracional, algo muito próximo do funcionamento de alguns sistemas de detecção de mísseis da atualidade.

Algumas teorias também sugerem que a frequência de 432 Hz estaria mais alinhada com a chamada "ressonância Schumann", que é a frequência fundamental do campo eletromagnético da Terra (aproximadamente 7,83 Hz). Essa conexão, supostamente, criaria um efeito harmonioso entre a música e os processos naturais do corpo humano, que também opera em ritmos vibratórios específicos e compatíveis – se é que esta última palavra é apropriada.

A ressonância e a coerência quântica -

Na mecânica quântica, existe o conceito de “coerência quântica”, onde sistemas podem permanecer interligados e ressoando na mesma frequência, sem nenhuma dissipação de energia. Defensores da afinação em 432 Hz afirmam que essa frequência criaria um estado de maior “coerência energética” – vá lá – no cérebro e nas células humanas, promovendo equilíbrio e bem-estar.

Além disso, o fenômeno de “entanglement” (emaranhamento quântico), onde partículas podem permanecer conectadas mesmo a grandes distâncias, fatalmente acaba por levantar especulações sobre como as vibrações sonoras podem influenciar sistemas biológicos de maneira mais profunda do que apenas pela audição – ponto para os hippies aposentados e seus “chakras”.

O efeito da afinação na consciência humana -

Algumas abordagens sugerem que frequências específicas podem afetar os estados de consciência, muito superiores ao suplício de ouvir um desafinado cantor de churrascaria durante todo o almoço. A meditação e a terapia com sons (como os usados em mantras, gongos e taças tibetanas) são baseadas na ideia de que certas frequências podem induzir estados mentais específicos.

* 440 Hz seria uma afinação mais "mecânica", voltada para a precisão técnica, mas menos conectada ao equilíbrio natural do corpo.

* 432 Hz estaria mais alinhada com os ritmos naturais do universo, facilitando estados meditativos e promovendo um efeito mais profundo no subconsciente.

Conclusão de toda a mixórdia acima -

Embora a ciência tradicional ainda não tenha comprovado a conexão direta entre a afinação musical e os princípios da física quântica, a ideia de que frequências específicas podem interagir com sistemas vibratórios naturais é amplamente explorada em áreas como a musicoterapia e a neurociência. O estudo mais aprofundado desses fenômenos pode revelar insights interessantes sobre como a música influencia não apenas a psique humana, mas também a realidade física em níveis mais sutis.

Por outro lado, a escolha da afinação em 440 Hz ou 432 Hz continua sendo tema de discussão entre músicos, pesquisadores e entusiastas. Enquanto o padrão de 440 Hz permanece amplamente utilizado na música ocidental, a afinação em 432 Hz ganha adeptos que buscam uma conexão mais profunda com as frequências naturais e os possíveis benefícios associados.

Independentemente da afinação escolhida, o essencial é que a música seja boa, e continue a servir como uma fonte de expressão, conexão e bem-estar para a humanidade.

A percussão determina o estado emocional, enquanto a melodia é o que nos transporta, enleva e pode nos fazer transcender.

Antes que me esqueça: funk não é música, é reclamação rítmica.


Walter Biancardine


AINDA CID, MAS FALANDO DE FILIPE -

 


Alguns leitores poderão crer que há uma contradição em meu artigo de ontem, sobre o Ten. Cel. Cid e sua delação premiada. Nele afirmei que qualquer um que delata irá, por consequência, acusar seus parceiros - ou não seria "delação". Também disse que Cid é um bom homem, mas que não soube suportar a tortura psicológica que foi submetido, comparando-o a Filipe G. Martins, que não disse uma sílaba sequer, contra Bolsonaro ou quem seja.

Ora, é justamente aí que pode haver o engano: até onde me consta - e me corrijam se eu estiver enganado - o jovem Filipe prestou vários depoimentos mas, que eu saiba, não concordou com nenhuma delação. Isso, em meu ponto de vista, já os separa em suas intenções. Do mesmo modo é possível entender que um simples depoimento, após tanto tempo de prisão sem justificativa e sem saber os motivos da mesma, é parte da sinistra receita de terror do ditador Alexandre de Moraes: tortura-se pela reclusão, pelo isolamento, pela ignorância de sua situação, pela ausência de perspectivas de soltura e, é óbvio, pelas sempre presentes ameaças, mesmo em um depoimento.

Em meu ponto de vista, esta é a crucial diferença que separa um oficial das Forças Armadas, treinado para resistir a diversos tipos de pressão e tortura - inclusive físicas - mas que não resistiu ao ter a família ameaçada, e um Filipe G. Martins, forjado intelectualmente à sombra de Olavo de Carvalho e que não abriu o bico. Palmas para Filipe.

Olavo tem razão.

Essa frase, hoje, é pleonasmo.

NOTA POSTERIOR:
Buscando em arquivos, vi que Filipe G. Martins, de fato, não assinou nenhum acordo de delação premiada. Em abril de 2024, Martins declarou em carta: "Não delatei. Não delatarei. Porque não há o que delatar"
Além disso, em depoimento à Polícia Federal em fevereiro de 2024, ele negou ter entregue ao ex-presidente Jair Bolsonaro uma "minuta do golpe", contrariando afirmações do Ten. Cel. Mauro Cid.


Walter Biancardine



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

MAURO CID E SUA DELAÇÃO PREMIADA -


Sejamos óbvios: a partir do momento em que alguém de dispõe a fazer uma delação, isso significa que o conteúdo será, obviamente, contra o grupo o qual faz parte.

Irrita-me ver gente indignada com os cuidadosos e seletivos "vazamentos" divulgados pela grande mídia, onde o Ten. Cel. Mauro Cid faz acusações contra Bolsonaro. Ora, se é uma delação, é para acusar!

A grande questão hoje, entretanto, são as ameaças explícitas feitas pelo ditador Alexandre de Moraes, onde ele exige algum conteúdo realmente incriminatório - ponto para Mauro Cid - ou "sua família sofrerá consequências".

Não chegarei ao ponto de crer que tudo isso seja uma estratégia pré-elaborada, contando com a quase nula possibilidade que tais vídeos fossem revelados. Para piorar, quem poderia assegurar que o juiz do caso participaria da delação (algo ilegal) e o ameaçaria ou à sua família?

Tal estratégia não houve, e Mauro Cid quis apenas livrar-se da prisão, mostrando uma pouca resistência às pressões - coisa que Filipe G. Martins soube lidar - e evidenciou que ser conservador não é para "homens de geléia", como diria Olavo de Carvalho.

O ponto positivo - extremamente positivo, agora que a Justiça norte-americana aponta o dedo contra Moraes - são as provas das ameaças à família de Mauro Cid, o que é algo próximo aos métodos dos piores mafiosos da história; até no mundo do crime se sabe que não se deve mexer com isso.

Temos, de um lado, um homem bom mas fraco; de outro, um psicopata envolvido no crime organizado e serviçal de globalistas, que deu um golpe de Estado na República. No meio disso tudo, estão um Congresso inteiro inerme, apavorado - ou em sociedade com o STF - e um indignado povo brasileiro que não ousa, entretanto, admitir que só o sangue nas ruas retirará qualquer ditadura do poder.

Resta-nos apenas aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Tomar borrachada de PM aos 61 anos dói demais.


Walter Biancardine



ANTÍTESE AOS MODERNINHOS -


Encontrei recentemente, em uma página do Facebook dedicada à filosofia, pequena postagem que entrega o viés de seu autor ou, ao menos, suas simpatias pelo modernismo no pensamento - esta perigosa peste que se alastra nas consciências humanas desde o triste advento do Iluminismo.

Reproduzo a tese do autor, seguida de minha antítese. E caberá ao meu leitor escolher, de acordo com seus valores e princípios, qual mais parece-lhe provável.

FILOSOFIA MODERNA: 

1. No plano teórico, o mundo teria de ser pensado de modo novo e diferente.

2. No plano ético, o Universo perdendo suas qualidades de ordem e harmonia, fica inviável como modelo a ser seguido no plano moral. Onde encontrar os princípios que norteiam as relações humanas?

3. A doutrina de salvação não é mais segura e confiável. 

Neste novo quadro que se inaugura, a humanidade se encontrava perturbada e desprovida de princípios orientadores: intelectual, moral e espiritual.

Surge uma nova teoria do conhecimento: a ordem do mundo não é mais dada, e sim construída.

A pós-modernidade seria uma crítica ao "projeto de Era Moderna", praticamente uma espécie de "desconstrução" das interpretações abrangentes e sistematizadas.

(Página "Filosofia Sempre", Facebook)


MINHA ANTÍTESE:

No plano teórico, o mundo teria realmente de ser pensado de modo novo e diferente? Não penso assim, e explico o porquê: 

A necessidade de repensar o mundo não é, necessariamente, um imperativo positivo. Ao propor um rompimento radical com o passado, muitas vezes descartamos tradições e conhecimentos que já provaram seu valor, ao longo do tempo. É preciso acabar com este pensamento pré concebido de que o novo é sempre superior ao antigo, isso é puro marketing. O mundo deve ser compreendido e interpretado por princípios perenes — como a existência de uma ordem natural ou divina — que não dependem de reinvenções constantes e, quase sempre, nocivas. Por que abandonar o que foi testado e aprovado, preferindo algo incerto? 

Já quanto a ética, se o Universo perde a ordem e harmonia, o mesmo se tornará inviável como modelo para o plano moral. Onde vamos encontrar os princípios que norteiam as relações humanas? A perda da percepção de ordem e harmonia no universo não é um fato objetivo, mas um erro filosófico - deliberado - dos "moderninhos". 

Uma visão mais tradicional e segura, muitas vezes baseada em uma cosmovisão mais religiosa ou metafísica (como o cristianismo ou a filosofia clássica), sempre defenderá que o universo está a refletir uma ordem intrínseca, seja por vontade divina (cabe apenas aceitar e pronto) ou por leis naturais e imutáveis. Essa ordem serve como base para a moralidade humana, a qual não precisa ser inventada mas descoberta, preservada, e este é o ponto onde, talvez, mais incomode os filósofos "modernistas". 

Os princípios que norteiam as relações humanas estão na tradição, na família, na religião e nas normas culturais que sobreviveram ao teste do tempo. Rejeitar o universo como modelo moral é um passo largo e nocivo rumo ao relativismo e ao niilismo que, atualmente, já implodiram a coesão social. 

Assim, penso que o correto seria entender que os princípios estão nas instituições e valores herdados, como a fé, a lei natural e a comunidade. 

Outra: se a doutrina de salvação não é mais segura e confiável, havemos de reagir com firmeza contra isso. A modernidade, se opondo às doutrinas de salvação (especialmente as religiosas), não oferece uma alternativa sólida para preencher o vazio espiritual que deixa. 

A confiabilidade da salvação não depende de aceitação universal ou de validação científica, mas de sua coerência interna e de sua capacidade de orientar a vida humana para um propósito transcendente. O cristianismo, por exemplo, com sua promessa de redenção e sua base em escrituras e tradições, permanece um pilar para muitos. Abandoná-la em nome de uma suposta "insegurança" pode ser visto como um ato de arrogância intelectual, entregandoo homem à desesperança. 

A salvação continua segura enquanto houver fé e adesão aos princípios eternos que a sustentam, essa é a verdade. Se temos realmente uma humanidade "perturbada e desprovida de princípios orientadores" hoje em dia, seguida por uma nova teoria do conhecimento que constrói a ordem em vez de recebê-la, essa transição é o "X" do problema. 

Os modernos, ao substituirem a ordem dada (natural ou divina) por uma ordem construída pelo homem, abriram as portas para a instabilidade e a subjetividade desenfreada (lembranças ao "Iluminismo"). E os pós-modernos, com sua "desconstrução" das grandes narrativas, apenas pioram essa crise, rejeitando até mesmo as tentativas mais modernas de sistematização. Isso não pode ser progresso mas, sim, uma enorme decadência: ao desconstruir sem oferecer algo em troca, os pós-modernos deixam - deliberadamente - o homem sem direção, preso a um relativismo que explode valores como verdade, beleza e o bem. 

O mundo não precisa ser reinventado, mas compreendido à luz da tradição e da ordem natural. 

Os princípios éticos estão nas heranças culturais e espirituais, não em construções arbitrárias. A salvação permanece confiável para quem aceita a fé e rejeita o ceticismo moderno. 

A crítica que faço à modernidade e aos pós-modernos deve-se ao fato de ambas falharem miseravelmente ao abandonar o que é eterno, em nome do que é passageiro e apenas satisfaz vaidades intelectuais.



Walter Biancardine




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

DESTRUINDO CÉREBROS -

 


A argumentação foucaultiana, exposta nos escritos deste senhor Gilles Deleuze exibidos acima, parte de premissas equivocadas e conduz a conclusões ideologicamente enviesadas.

O ponto central da questão está na ideia de que as sociedades ocidentais teriam transitado de um regime disciplinar para uma era de "espetáculo e exibição", implicando que o controle social mudou de forma, mas manteve-se onipresente. Ora, tal análise ignora completamente quaisquer nuances políticas e culturais dessa transformação e, mais grave ainda, desvia-se da verdade fundamental sobre o que realmente molda a ordem social.

Primeiramente, Michel Foucault comete um erro primário, de categorias, ao reduzir as sociedades ocidentais a meras estruturas de controle. Como bem apontou Olavo de Carvalho, o marxismo cultural e suas ramificações – entre as quais se insere a filosofia foucaultiana – operam por meio de uma desconstrução incessante da realidade objetiva, transformando toda a história e cultura do Ocidente em um jogo de forças onde só existe dominação e resistência. Esse reducionismo é, além de intelectualmente uma pilantragem, criminosa ferramenta ideológica para corroer a civilização cristã ocidental.

O argumento de que as sociedades ocidentais teriam se tornado essencialmente verborrágicas, regidas pelo espetáculo, é um truque retórico que busca esvaziar qualquer princípio normativo da comunicação humana. Foucault - e Deleuze - ignora que o fenômeno da proliferação da fala, longe de ser uma mera transformação estrutural, está intimamente ligado à ascensão da mentalidade revolucionária, que promove um relativismo desenfreado e a dissolução de qualquer hierarquia moral e epistemológica. Em outras palavras, a verborragia que vemos hoje não é uma característica inevitável das sociedades ocidentais, mas um sintoma do enfraquecimento deliberado dos valores tradicionais, causado por pensadores desta espécie.

O que de fato ocorreu não foi uma crise das "disciplinas" no sentido foucaultiano, mas sim um ataque massivo à ordem natural das coisas. O controle social não foi superado, mas apenas deslocado de instituições legítimas (família, igreja, tradição) para novos agentes hegemônicos – a grande mídia, a cultura de massa, as corporações globalistas e os aparatos estatais tecnocráticos. O objetivo agora não é disciplinar no sentido clássico mas, primordialmente, manipular e deformar o imaginário coletivo para torná-lo incapaz de resistir ao avanço da engenharia social.

Em suma, ao invés de lamentarmos a suposta era da disciplina, como faz Foucault, devemos lamentar o colapso da autoridade legítima e sua substituição por um regime de controle invisível e difuso, operado sob a máscara da liberdade absoluta e do espetáculo midiático.

O problema não está no disciplinamento, mas na inversão de valores promovida por intelectuais revolucionários que, sob o pretexto de libertação, apenas pavimentam o caminho para um novo tipo de escravidão.

Fingir que luta, tal como esse Deleuze, não adianta.


Walter Biancardine



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

A JURISFAÇÃO NOSSA DE CADA DIA -


"No livro 'Introdução à Ciência do Direito', o jurista Miguel Reale cunhou a expressão 'jurisfação', que seria o ato de tornar tudo em algo jurídico, e citava 'a progressiva jurisfação da vida social', onde as relações humanas se invalidavam perante as relações legais.

Em um romance de Luigi Pirandello, 'O Falecido Matias Pascal', o personagem-título cansa-se de sua vida, abandona tudo e desaparece. Tempos depois, porém, a saudade o vence e Matias retorna à sua cidade para descobrir, chocado, que era considerado morto – inclusive com o reconhecimento de sua antiga mulher. E não havia retorno, ele era agora considerado oficialmente 'falecido' e não teria como reverter a situação. 

Assim, o personagem descobre que os documentos que o declaravam morto continham uma realidade superior à de sua própria presença e existência. Ele era um 'nada', pois o mundo enxergava apenas papéis e carimbos.

(...) Esta é a nossa triste realidade cotidiana, a 'jurisfação' percebida por Miguel Reale. Se a identidade oficial prevalece sobre os dados da experiência direta (eu, aqui), somos apenas quem a sociedade – o Estado – diz que somos, através de um documento. Assim, hoje não se concebe que um ser humano seja algo de 'per se', por si mesmo, sem o devido reconhecimento estatal".

Todo o acima exposto é parte de um artigo que publiquei na revista europeia ContraCultura¹, no qual discorria sobre assunto diverso mas que, bem o entendi, cabe aqui por completo e embasa, de maneira justa, o oportunismo comercial de instituições que miram direto no ponto: pouco importa o que você sabe ou o teor e qualidade de sua formação, pois tudo o que nos interessa nos dias atuais é o diploma - e assim, descaradamente, expóem tal perversão das convenções humanas em seus anúncios.

Um mero papel pintado, expedido por uma entidade composta de mestres semi-analfabetos e sem nenhum preparo, é o passaporte necessário ao sonhado "nível superior", que garantirá salários gordos em eventual aprovação nos concursos públicos - outra perversão social tipicamente brasileira.

Assim, pouco se dá ao candidato que ele tenha aprendido algo, bem como aos seus mestres não lhes dói a consciência pela fraude - afinal, é um enganador enganando outro trapaceiro, e ambos pensam atenuar sua moral pela diluição da culpa, pois a farsa é recíproca, implícita e tacitamente aceita.

E tal estelionato a olho nú ainda faz com que seu protagonista orgulhe-se de seus méritos intelectuais.

Este é o Brasil de hoje, esta é a academia brasileira, o intelecto tupiniquim dos dias atuais:  eu finjo que te engano e você finge que acredita.

O Brasil é uma farsa.


Walter Biancardine 


1- Link para a matéria original no ContraCultura: 

https://contra-cultura.com/2024/12/17/intervencionismo-de-estado-aborto-e-psique/



O INFERNO SOMOS NÓS -

 


Penso ser um bom momento para realizar um exame crítico das premissas existenciais e epistemológicas presentes na argumentação do incensado filósofo existencialista, Jean Paul Sartre.

Comecemos citando Olavo de Carvalho, um ferrenho opositor do existencialismo ateu e do relativismo moderno, que teria identificado no pensamento sartreano uma série de pressupostos problemáticos, especialmente no que concerne à ideia de identidade, liberdade e conhecimento do eu.

O problema da alteridade e da identidade -

Gostaria de colocar como ponto central desta análise a tese sartreana de que "o inferno são os outros", uma afirmação que provavelmente seria um sintoma da crise da modernidade, na qual o sujeito perde sua referência metafísica e se vê prisioneiro de um jogo de reflexos sociais. Ao afirmar que a identidade é moldada pelo olhar do outro e que a subjetividade é fragmentária, Sartre ecoa a concepção de um eu vulnerável e fluido, o que entra em choque com minha visão – e também de Olavo – de que o ser humano possui uma identidade ontologicamente estruturada, vinculada à ordem transcendental.

Ainda segundo Olavo, a crise da identidade moderna não se deve à "radical contingência do ser", mas sim ao colapso da metafísica tradicional e à negação da alma como um princípio substancial. O pensamento cartesiano, deformado por Sartre, não se sustenta porque reduz a identidade a um mero processo dialético com a alteridade, ignorando a dimensão espiritual e teleológica do ser humano.

A negação da transcendência -

O existencialismo sartreano, ao negar qualquer fundamento transcendente, condena o sujeito a uma liberdade angustiante e sem direcionamento. Quando sugere que a liberdade do outro deve ser aceita com igual gravidade, há um eco do relativismo moral que Olavo criticava incessantemente. Para ele, a liberdade não pode ser pensada sem referência a uma ordem objetiva, pois, sem essa referência, o conceito de liberdade se dissolve em um vácuo niilista – e somente tal conceito já merece um ensaio aprofundado, o que farei posteriormente.

Ao aceitar a hipótese de que nunca poderemos possuir integralmente a narrativa sobre quem somos, alguns comentadores e admiradores dos pensamentos de Sartre reforçam essa visão de um eu fragmentário, rejeitando qualquer noção de essência fixa. Esse ponto seria rebatido por Olavo com sua crítica à "mentalidade revolucionária", que vê a identidade como um campo de pura construção arbitrária, desconectado de raízes transcendentes e de uma verdade objetiva.

O individualismo e a ilusão da auto-criação -

Alguns outros analistas sugerem que a existência é um jogo de reflexos e que devemos aprender a "dançar" com a alteridade, sem buscar um eu absoluto. Podemos considerar a ideia de auto-criação, sem uma referência ontológica fixa, como um dos maiores enganos da filosofia moderna. A negação da substância do ser humano leva à alienação e à manipulação ideológica, pois um indivíduo sem uma identidade sólida é facilmente moldado por forças externas, sejam elas políticas, culturais ou psicológicas - e temos, hoje, vastos exemplos de tal consequência.

Para Olavo de Carvalho – meu referencial nesta análise – a verdadeira liberdade não consiste em "dançar com a alteridade", mas em conhecer a realidade tal como ela é, através de uma consciência que transcende a mera dialética do olhar social. A busca pela verdade, e não pela mera adaptação aos reflexos dos outros, é o que diferencia um homem enraizado em princípios sólidos de um homem perdido na fluidez existencialista.

Conclusão -

A destruição do conceito de identidade é um dos maiores problemas do pensamento moderno. Sartre, ao rejeitar a ordem metafísica, condena o sujeito a um inferno de fragmentação e relativismo, sem oferecer uma saída real para o dilema existencial. O que podemos propor em contraposição é o resgate da metafísica clássica e da centralidade da alma humana como um princípio essencial, algo que daria ao homem um eixo firme para compreender a si mesmo e ao mundo.

Em suma, o inferno somos nós mesmos…



Walter Biancardine




domingo, 16 de fevereiro de 2025

YO SOY YO Y MIS CIRCUNSTÁNCIAS -


A famosa frase "Yo soy yo y mis circunstáncias", que por diversas vezes já a citei em meus escritos, foi escrita por José Ortega y Gasset em sua obra Meditaciones del Quijote (1914). No contexto da frase completa, ele diz: "Yo soy yo y mis circunstáncias, y si no la salvo a ellas, no me salvo yo."

Essa ideia expressa a visão existencialista e perspectivista de Ortega y Gasset, segundo a qual o ser humano não pode ser compreendido isoladamente, mas sim em relação ao meio em que vive. A "circunstância" inclui tudo aquilo que nos rodeia: a cultura, a sociedade, a história e as condições materiais da vida.

Ele desenvolve essa noção em suas obras posteriores, especialmente em La Rebelión de las Masas (1930), onde enfatiza que o homem deve assumir a responsabilidade de dar sentido à sua própria existência dentro das condições que lhe são dadas.

A afirmação que dá o título desta postagem - e que muito me apraz - não nega a identidade do indivíduo, mas sublinha que ele não existe no vácuo; sua existência está entrelaçada com a história, a cultura e as instituições herdadas. Creio ser essa visão um útil reforço à ideia de que o ser humano não é uma tábula rasa, que pode ser moldada arbitrariamente (lamento, behavioristas), mas sim um elo dentro de uma continuidade histórica.

A meu ver, a noção de "circunstância" destaca a relevância das instituições, da moralidade tradicional e dos costumes como elementos fundamentais para a formação completa do indivíduo. O homem não se define apenas por sua vontade, mas também pelo contexto civilizacional que lhe dá raízes e orientação - e por favor, não me lembrem o país onde nasci, pois estou indisposto a rebater minhas próprias contradições.

A segunda parte desta estimada frase — "y si no la salvo a ella, no me salvo yo" — implica um dever moral: o sujeito tem a responsabilidade de preservar e cultivar a sua circunstância. Ou seja, não basta apenas viver passivamente dentro de um tempo e espaço; é preciso reconhecer e defender os valores que sustentam a ordem social. Esse princípio é essencial para nossa combalida visão conservadora, ao rejeitar a ideia de uma ruptura revolucionária e enfatizar a necessidade de conservar e aperfeiçoar o legado da civilização.

Em oposição ao pensamento comuno-globalista, que muitas vezes propõe uma ruptura com o passado para construir um "novo homem" ou uma "nova sociedade" - frankfurtiano - um verdadeiro conservador entende que o homem é um produto da sua herança cultural, e que ignorar isso leva ao desarraigamento e à destruição daquilo que mantém a coesão social.

Ortega y Gasset, embora não seja um pensador explicitamente conservador, fornece uma visão que pode ser lida como um chamado à responsabilidade pessoal diante do seu próprio tempo e cultura, e por isso tenho-lhe predileção e estima.

O conservador, ao interpretar essa máxima, vê nela a necessidade de manter viva a tradição, compreender o passado e agir no presente, para garantir a continuidade da civilização.

É isso ou aceitar aquilo a que nos reduzimos hoje.



Walter Biancardine





SOMOS UNS BANANAS?


A esquerda teve, durante mais de quarenta anos, o monopólio absoluto dos meios de comunicação: seus expoentes são entrevistados, tentam impor suas versões dos fatos, divulgam seus pensamentos e doutrinas enquanto a direita chegou, por inanição, à extinção.

Quando, graças aos esforços de Olavo de Carvalho e à divulgação de Jair Bolsonaro, um novo embrião conservador se forma, um estranho desejo de auto-destruição se apodera dos direitistas e, prontamente, se põem a entrevistar e divulgar esquerdistas.

Pergunto se, algum dia, os programas usuais de TV convidaram conservadores: jamais ou, se o fizeram, usaram como plataforma de achincalhe (vide Enéias, no Jô 11 e Meia).

Quem se crê conservador, de direita e dispõe de algum meio de comunicação nas mãos jamais deverá dar voz a quem já a teve, monopolisticamente, durante meio século.

Essa tática - passar uma imagem de "imparcial" - apenas revela a fraqueza e submissão do entrevistador ou - de modo pior - uma secreta simpatia ou colaboracionismo com a canhota.

Nada há de importante naquilo que a esquerda diz. Nenhum esquerdista poderá revelar furos de reportagem, e nenhuma suposta moderação dos mesmos mudará o fato que - assim que puderem - nos colocarão em um paredão de fuzilamento.

É hora de escolher o personagem: ser um "isentão" frouxo, tentando angariar popularidade para si e que terminará seus dias desmoralizado e sentado dengosamente no colo de um esquerdista, ou assumir o ônus e os bônus de declarar-se abertamente um adversário - mais que adversário, um inimigo - de uma ideologia que já matou mais de 120 milhões de pessoas.

Aldo Rebelo, por exemplo, é muito simpático.

Mas puxaria o gatilho contra nós com um doce sorriso no rosto.


Walter Biancardine



sábado, 15 de fevereiro de 2025

DIREITO AO CONTRADITÓRIO -

Qualquer homem cuja idade seja superior a 30 anos ou tenha já sido casado certamente ouviu, letra por letra e palavra por palavra, a cantilena lamuriosa que ilustra a postagem: nada muda, é o eterno argumento feminino para aceitar que nem todos os homens se dobram aos seus ideais e desejos.

Vitimado por uma rajada de casamentos, creio ter autoridade moral e experiência suficiente para contestá-los, um por um. Vamos lá?

1 - "Sobrevivi": Argumento preventivo pelo declínio estético da mulher, após anos de relaxamento com suas formas em decorrência de achar-se "segura" - "Posso engordar à vontade, ele não vai me deixar".

2 - "Pessoa mentirosa": Argumento vago, destinado apenas a agravar o conteúdo das queixas. Tudo pode ser mentira, desde dizer que irá comprar pão até a resposta para a pergunta "Estou gorda?"

3 - "Complexo de vítima": Reação tipicamente feminina ao se confrontar com qualquer acusação feita pelo homem, após uma rápida "DR" de umas 4 ou 5 horas de imprecações e queixas da mulher.

4 - "Nega seus erros": Continuidade do "Complexo de vítima", auxilia a mulher nos momentos em que não consegue vencer a lógica masculina.

5 - "Manipula para fazer você acreditar que a culpa é sua" - Talvez a mais grave estratégia, típica de mulheres narcisistas e que, como requinte sádico, invertem os termos da equação: ela acusa do que faz e o xinga daquilo que ela mesma sabe que é.

Obviamente esta minha postagem destina-se aos homens. As mulheres mais requintadas sequer comentarão, e as mais furiosas e recalcadas encherão os comentários de adjetivos desairosos à minha pessoa.

Talvez apenas uma ou duas mulheres, verdadeiramente inocentes e imunes a tais vícios, comentarão livremente aqui.

#ficaadica


Walter Biancardine



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

TODO MUNDO ESPERA ALGUMA COISA/ DE UMA SEXTA À NOITE...


Os mais fossilizados certamente lembrarão desta música do grupo Cidade Negra, sucesso na virada do século:

"Todo mundo espera alguma coisa/
De um sábado à noite,
Bem no fundo todo mundo quer
Zoar..."

Pois é. Chega sexta-feira, chega sábado e todos sempre esperam algo de bom - uma festa, um chope com os amigos, sair com a mulher ou mesmo partir em rápida viagem de fim de semana.

Todos adoram, eu também já gostei. Não a toa, anos atrás, a cada sexta feira produzia uma postagem para leu amigo Luís Antônio, do The House of Rock and Roll, perguntando: "Hoje é Dia de Quê???" E a própria postagem respondia: "Hoje é Dia de Rock, Bebê!"

Hoje, entretanto, os dias são outros. A vontade de sair, "zoar", me divertir e espairecer permanece, mas não tenho companhia ou mesmo condições financeiras para pagar algo mais digno que um "Podrão" na carrocinha. Além disso e decorrente de tal isolamento (social e financeiro), existe o fato de serem dias muito ruins para mim: ninguém lê o que escrevo, míseras visualizações em artigos, ensaios ou meros textos; a verdade é que ninguém está nem aí pra nada - é sexta-feira, todo mundo quer "zoar"! E não posso criticar ninguém pois, pudesse eu, faria a mesma coisa.

Assim, gasto meus finais de semana tamborilando no teclado, escrevendo ensaios pretensiosos ou artigos sem pé nem cabeça como este, na vã esperança que semana que vem - em algum dia aleatório - os mesmos sejam lidos.

No mais, a verdade é que devo me conformar em ficar em casa: velho não "zoa", velho tosse.

Não esqueça: "Hoje é Dia de Rock, Bebê!!!"


Walter Biancardine