É inegável o peso psicológico e emocional de situações
excepcionais, ao surgirem no cotidiano das pessoas. A rotina pacata –
ou mesmo torturante – dos nossos dias é, na triste realidade, uma
das únicas referências de estabilidade e segurança em nossas
vidas.
Entretanto, quando catástrofes – climáticas, políticas,
biológicas (COVID) ou mesmo sociais – se abatem sobre o ser humano
comum suas reações são, invariavelmente, as mesmas: entregam-se,
pressurosos, aos cuidados do “Estado Grande” e confiam suas
vidas, as vidas de seus amados, seu patrimônio e destinos a quem
“sabe o que é melhor para nós”.
Toda e qualquer nota ou comunicado expedido por qualquer órgão
público é considerado uma verdade incontestável; notícias
divulgadas pela grande mídia – sempre cúmplice de governos –
passam a ser indiscutíveis e quaisquer atrevidos que tenham ideias
ou soluções diferentes entram na conta de verdadeiros hereges,
traidores que merecem uma surra, ao menos. O Estado é “pai”.
Não há dúvidas sobre a infantilidade endêmica do povo
brasileiro. Nossa imaturidade, a ausência quase completa de coragem
física e moral em grande maioria da população e uma verdadeira
cultura da covardia, fazem coro com o comodismo preguiçoso
tipicamente brasileiro – “vou ficar quieto, alguém vai fazer
algo primeiro. Se alguém for, eu vou” – e estes são os traços
mais negros de nosso caráter nacional, verdadeira pedra, que nos
soterra e condena uma nação inteira à mediocridade e miséria.
O estamento burocrático muito bem conhece tais traços, e
aproveita-se disso sempre que o acaso – muitas vezes um “acaso”
cuidadosa e diabolicamente planejado – o favorece.
Desnecessário falar sobre o verdadeiro e trágico apocalipse
psíquico mundial, provocado pelos governos do planeta, quando do
surgimento da COVID; pagamos e pagaremos o preço de tal descalabro
ainda por algumas décadas, acrescida da paranoia ambiental
cotidianamente incutida nas mentes, pela grande mídia e cultura de
massas. Considerando as consequências judiciais de quaisquer
comentários sobre isso – sim, o Brasil vive em um “estado de
exceção”, lembra-se? - melhor é a abstenção, restringindo as
análises à tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul.
Não é segredo que um decadente e alcoólatra mandatário
tenciona comprar arroz – provavelmente da Venezuela, China ou de
algum califado muçulmano amigo – para “evitar o desabastecimento
do mercado, devido aos problemas com as enchentes”. Isso é o que
ele, entre um Engov e doses de chá de boldo, alega.
Imediatamente os produtores gaúchos se levantaram e tornaram
público o fato da colheita ter ocorrido antes das enchentes, que
prejudicaram apenas 11% da safra – percentual insignificante, no
todo. Ainda assim, a proposta persiste por duas grandes razões, a
saber o ódio infinito da atual gestão ao agronegócio e a
oportunidade – em ano eleitoral – de distribuir arroz com
embalagens devidamente “carimbadas” com a funesta estrela
vermelha de nossa ditadura esquerdista. Sim, propaganda pura,
atingindo onde mais dói: na fome de cada família.
Ora, tal atitude idiota advém de uma “emergência climática”,
que fornece a desculpa perfeita para compras sem licitação,
importações desnecessárias, propaganda eleitoral gratuita e muito,
muito dinheiro no bolso.
Não bastasse tal desvergonha, este mesmo governo pretende agora
declarar “estado de emergência” no Rio Grande do Sul – isso
depois de ter apeado o frouxo e subserviente governador local e
imposto um “interventor”, antes mesmo de quaisquer decretos neste
sentido.
Na prática, os gaúchos já se encontram sob intervenção, o que
agora pretendem é apenas a regularização do fato em trâmites
burocráticos, para que comece a farra das compras sem licitação,
contratações sem concurso, decisões arbitrárias e unipessoais e
verdadeiras montanhas de dinheiro destinadas a sabe-se lá qual bolso
– mas sempre sob as mais nobres e humanitárias intenções.
Tão tentador é o aspecto “situação emergencial” que mesmo
nosso ditador de plantão – calvo e togado, pertencente a um poder
completamente alheio e sem ingerência sobre este tipo de ocorrência,
o judiciário – não resistiu e deixou escapar, em ato falho, que
“tomaria providências quanto à questão do Rio Grande”. Sim,
compreendemos: é por demais tentador exibir poder e entupir bolsos,
todos querem enfiar suas colheres nesse pirão.
Em raia completamente à parte, desprestigiadas e acéfalas,
correm nossas Forças Armadas. É público e notório o desprezo que
nosso governante – aquele assim vendido como tal, não o de fato –
dedica à farda. Mesmo com todas as advertências do maléfico José
Dirceu de que “deveriam cooptá-los”, o alcoólatra prefere
insistir na criação de sua própria guarda pretoriana, aos moldes
da “Guarda Nacional” do ditador Maduro da Venezuela.
Movidas pela obrigação constitucional de auxiliarem e socorrerem
o povo em tais catástrofes, nossas pobres FFAA revelam o mais
bisonho descomando, nenhum profissionalismo, nenhuma liderança e
mesmo total incapacidade de manejar os equipamentos que dispõem –
resultando disso tudo um grotesco e quase cômico espetáculo de uma
soldadesca perdida, a baterem cabeças uns contra os outros, nada
mais provocando além de tristeza, desamparo e, mesmo, piadas e
memes.
Sim, o pensamento positivista instilado no ensino militar do Alto
Comando – verdadeira sífilis que corrói brios e valores dos mais
altos estrelados – provocou tal estado de coisas, e muito
detalhadamente expliquei isso em meu livro “Mais Olavo, Menos
Oliva”(1), onde demonstro o parentesco consanguíneo entre o
positivismo, o comunismo e mesmo o pensamento globalista, que hoje
financia tudo isso.
Ao fim e ao cabo vivemos hoje em verdadeira anomia institucional,
consequência inevitável da crise civilizacional imposta ao povo
brasileiro pela grande mídia. Quando tudo está fácil demais,
relaxar e entregar-se à esbórnia – dinheiros, poder, ausência de
princípios – é algo líquido e certo. E um “estado de
emergência” só torna tudo mais fácil.
Infelizmente, os prognósticos que faço para o desenrolar desta
tragédia gaúcha – bem como para nosso futuro como nação – não
são dos melhores. Somando-se os feios traços brasileiros de
caráter, expostos acima e que resultaram em nossa crise
civilizacional, com a já citada anomia institucional e as
contingências conjunturais de nossa política – ditadura
judiciária, dominância política totalitarista de esquerda, grande
mídia criminosa e um Alto Comando das FFAA imersos no carreirismo e
vácuo de valores e princípios – torna-se impossível, aos meus
olhos, uma saída eficaz para tal situação. Importante lembrar que
toda e qualquer “solução política” de nosso impasse passará,
necessariamente, pela acomodação dos interesses daqueles que estão
no poder, atualmente, e nada mais será que continuar o mesmo jogo
com atores diferentes.
Claro e óbvio que podemos e devemos analisar tais e feias
hipóteses, mas não apenas este artigo já vai por demais longo
como, também, assunto tão importante merece estudos aprofundados –
bem mais agudos que simples parágrafo em laudas aleatórias.
Que fique, para o leitor, os seguintes pontos: toda “emergência”
é uma porta aberta para o esbulho e exercício de poder ditatorial,
se somos governados pela esquerda. Igualmente, o poderoso agronegócio
gaúcho já demonstrou que não haverá desabastecimento e o arroz
“vermelho” é, portanto, apenas roubalheira e fraude eleitoral.
Já quanto as preciosas vidas, esqueçam as FFAA pois vale o
ditado: “civil salva civil”, por mais desvirtuado que a mídia o
tenha tornado. O aplauso é merecido, e o heroísmo de alguns poucos
não haverá de fazer com que esqueçamos a covardia de tantos.
Que Deus esteja com os heróis do sul, e acolha as almas dos que
faleceram em tal descalabro criminoso.
Walter Biancardine
(1) Livro "Mais Olavo, Menos Oliva", disponível na Editora Clube de Autores, no link abaixo.
https://clubedeautores.com.br/livro/mais-olavo-menos-oliva-2