terça-feira, 18 de agosto de 2026

O QUE DEVE SER FEITO

escrever pra quê?
porque quero contar histórias? 
falar sobre minha vida, o que faço, por onde ando e o que tenho visto?
espalhar por aí minhas opiniões?

a quem interessa minhas opiniões?
a ninguém.

a quem interessa o tipo de mundo em que vivo?
ninguém quer saber de fracassados, vidas sem sentido, vazios e hipocrisia.

a quem interessa o que escrevo?
a ninguém.

sempre uso a desculpa que escrever é a terapia mais barata que encontrei.
pode até ser, mas entre escrever e publicar vai uma grande distância.
e o que me faz andar essa distância toda?

não é terapia nem minha sanidade mental.

é meu ego.
é a vaidade.
é querer ser lido e comentado.

e tudo se torna um paradoxo.
se meu caráter é um rodapé, quem desejaria ler?
haveria algo de proveitoso em ler um canalha?

para minha vaidade haveria.
já o leitor estaria apenas se igualando em baixeza, pois não tenho o talento nem carisma de um bukowski, dostoievski, céline ou cioran.
sou só isso: baixo e raso.
como um pires.

talvez este seja o único ato honesto e com algo nobre que eu faça em minha vida: decidir se quero escrever ou apenas saibam que escrevo.



Walter Biancardine



2 comentários:

Anônimo disse...

Li com atenção, e vou ser sincero: o próprio texto me convenceu, logo no início, de que eu não precisava continuar lendo. Quando você afirma que “a ninguém” interessa o que você escreve e pergunta por que alguém se interessaria por suas opiniões, você acaba retirando do leitor a razão para prosseguir.
Pulei então para o final e encontrei ali uma construção que, a meu ver, ainda enfraquece o fechamento da reflexão.
Talvez essa seja justamente a ironia involuntária do texto: ele fala sobre a necessidade de ser lido, mas não chega a me dar, como leitor, algo que eu sinta que vale a pena levar comigo depois da leitura.
Digo isso com respeito, porque acho que um texto que se propõe a discutir honestamente o próprio ato de escrever também precisa aceitar honestamente a possibilidade de o leitor não encontrar nele aquilo que o autor gostaria que encontrasse.

Walter Biancardine disse...

fico surpreso que alguém tenha lido, em primeiro lugar. não tenho acesso as métricas deste blog por conta de punições censórias, então isso basta.
ter acesso aos comentários e ser notificado disso já foi uma surpresa.
no mais, realmente não ofereci nada pra ser lido. eu não quis que ninguém encontrasse nada. tanto que o mesmo se resume a dizer que escrevo apenas por vaidade.
pra poder dizer que escrevo.
nada mais.
no mais, mesmo sem ler inteiro você comentou, então minha resposta - mesmo sem explicar minha vida inteira - creio que cabe.
obrigado.