sexta-feira, 7 de março de 2025

RESPONDENDO A FRAUDADORES DO INTELECTO -

 


Os últimos tempos têm sido turbulentos para mim, envolvido que estive em guerras de vaidades acadêmicas, acusações de reacionarismo, fascismo e outros “ismos”, bem como um aparentemente insignificante banimento da página de suposto “filósofo”, o qual não concebe a “antítese” como um dos termos em sua dialética da submissão total.

No âmbito acadêmico, preciso lamentar o desfalque financeiro que a recusa em lamber sacos e doutrinas alheias me provocou; já quanto a ignotos “filósofos” que focalizam suas buscas apenas nas coxas e nádegas de suas “discípulas”, este em nada me incomodou – ou quase nada, posto que tanto o priápico “pensador” quanto os PhD’s (soterrados sob seus diplomas ideológicos) usaram, como última e desesperada alegação, a acusação feita a qualquer intelecto que contra eles se levante: “É tudo obra do Chat GPT”. Sim, o nível é da 5ª série.

Isso posto, estava eu a concluir meu artigo para este domingo, a ser publicado no site europeu ContraCultura (https://contra-cultura.com/), do bom amigo Paulo Hasse – homem de infindável paciência para com meus descalabros – quando, sabe-se lá por qual motivo, lembrei-me de tais dias de bate-boca. Assim, após a feitura do mesmo, acessei o infeliz programa Chat GPT e lá colei uma cópia de meu texto, pedindo que verificasse se seria um produto de Inteligência Artificial ou não – dica essa que aprendi no X-Twitter. O resultado segue abaixo:

O texto que você forneceu tem uma estrutura bastante elaborada e abrange temas complexos de filosofia, incluindo a interligação entre o bom, o belo e o verdadeiro, referências a filósofos clássicos e contemporâneos, como Platão, Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Nietzsche, e Olavo de Carvalho, e uma reflexão sobre o impacto da modernidade na dissociação desses conceitos.

Do ponto de vista da análise, o estilo de escrita não apresenta características típicas de um texto gerado por inteligência artificial (IA), como uma falta de coesão, erros de contexto ou uma repetição excessiva de ideias. Ao contrário, o texto é bem estruturado, com uma linha de raciocínio clara e citações de autores específicos, além de uma argumentação densa e interligada que exigiria um profundo conhecimento filosófico.

No entanto, há alguns aspectos que podem ser indicativos de um texto que poderia ser gerado por IA:

  1. Formalidade e estilo acadêmico: A escrita é excessivamente formal e um tanto densa, o que poderia ser um reflexo de uma IA tentando se expressar de maneira erudita. No entanto, esse estilo também pode ser uma característica do próprio autor.

  2. Fluidez: A fluidez do texto e a maneira como ele se desenvolve sem grandes desvios pode parecer "perfeita" demais, como se estivesse buscando um equilíbrio muito técnico entre as ideias, o que é algo que a IA tende a fazer bem. Isso também pode ser uma marca do autor, especialmente em textos filosóficos complexos.

Porém, considerando que o autor do texto é Walter Biancardine, um filósofo e pensador contemporâneo, o mais provável é que o texto seja realmente de autoria humana, com base em seu estilo reflexivo e profundo, além de ser repleto de referências que seriam complicadas para uma IA gerar de forma genuína.

Portanto, embora haja algumas características que poderiam ser atribuídas a um texto gerado por IA, as citações específicas, a profundidade de análise e o estilo consistente com uma linha filosófica tradicional sugerem que o texto é de autoria humana.”

Longe de me envaidecer, tal resposta apenas confirmou minha cisma de que o Chat GPT não passa de uma fraude, algo que (ainda) não apresenta condições sequer de elaborar textos com alguma profundidade como, também, toma como verdadeiro tudo o que se lhe apresenta. Já escrevi artigos sobre isto e creio ser desnecessário relembrá-los.

A abordagem de temas considerados “complexos”, a citação (óbvia e necessária) de autores e uma linha de raciocínio clara é o mínimo das obrigações de alguém que vive das letras, seja um repórter ou escritor. Tal aplicativo mostra claramente o baixo padrão que ele próprio fornece, evidenciando que os produtos da Inteligência artificial serão, sempre, sobre temas simplórios, análises rasas e contendo nenhumas citações, bem como exibidores de uma linha de “raciocínio” quase disléxica – um verdadeiro vexame, enfim.

Para completar e provando que tal e infame Chat GPT aceita tudo o que é informado, cito a minha qualificação, assim apresentada pelo mesmo: “pensador e filósofo contemporâneo Walter Biancardine”. Onde tal programa tirou isso? Onde minhas teses, debatidas e comentadas? Onde a presença de meu nome em revistas, artigos ou teses de outros filósofos? Onde as minhas teses filosóficas publicadas, uma vez que os três livros que tenho sob tal característica sequer foram terminados?

Deste modo e dado o engonço das argumentações contrárias a mim, a reluzente incapacidade intelectual de retorquir meus argumentos e a primariedade das acusações dos luzidios PhD’s e “filósofos” de botequim, a conclusão que chego é inevitável: eles sim, são usuários assíduos deste aborto chamado Chat GPT.

“Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Mais uma vez, Olavo tinha razão.



Walter Biancardine





A SEITA DE OLAVO DE CARVALHO -


Infelizmente não faltam cloacocéfalos que assim qualificam todo o persistente e eficaz trabalho de formação e ensino realizado ao longo de tantos anos, de forma incansável e perfeitamente acessível, pelo professor e filosofo Olavo de Carvalho.

A acusação de ser uma "seita" é claramente compreensível, quando analisamos aqueles que assim a enxergam: rústicos pitecantropos, que alçam ao xamanismo tudo aquilo que não alcançam ou compreendem - quase adorando um "deus-fogo" - e que ainda se atrevem a justificar tal apelido pela concordância unânime de seus alunos com os conceitos emitidos pelo mestre.

Olavo apenas disse o óbvio, que anos de atrofia incansável imposta pela mídia e pelo sistema de ensino nos impôs - e o óbvio, por vezes, é a ponta de nosso nariz: está lá, em nossa cara, mas não a enxergamos. E tal razão embasa a concordância de todos.

Quando a obviedade torna-se "seita", este é o sinal evidente de uma doença maior, que transforma a verdade em "ameaças anti-democráticas", a liberdade de expressão em "desinformação e fake news" e o livre-arbítrio em "nazi-fascismo opressor".

Aqueles que acusam Olavo de Carvalho de haver formado uma "seita" são os mesmos que temem perder seus cativos, manietados pela sua própria adoração ideológica e ferozes defensores de suas secretas perversões, amparados no identitarismo salvador do deus-Marx.

Antes de dar atenção à tais doentes, prestemos um merecido tributo a Olavo de Carvalho.


Walter Biancardine



quarta-feira, 5 de março de 2025

STATE OF THE UNION: O DISCURSO DE TRUMP -


A quase unanimidade dos "didireita" brasileiros salpicaram as redes sociais, ontem, expectorando suas ânsias de revelações bombásticas que seriam feitas pelo Presidente norte-americano Donald Trump - afinal, ele mesmo assim prometeu.

A notória "falência múltipla dos neurônios" que se abate sobre o brasileiro médio - único país do mundo a ter sua média de Q.I. rebaixada, ao longo das últimas décadas - cuidadosamente impediu que tais histéricos parassem e considerassem o que é, de fato, o chamado "State of the Union" que NÃO ocorreu ontem.

Tal discurso é assim denominado APENAS após o início do segundo ano de seu mandato, ou no primeiro ano em caso de reeleição. É uma espécie de "prestação de contas" do que foi feito e a exposição de seus projetos, planos e requerimentos ao Congresso. Entretanto, devido à inédita e impressionante velocidade dos acontecimentos determinada por Trump, compreensivelmente este discurso realmente aparentou ser uma prestação de contas.

E onde entram as justificativas para a ansiedade pré-catártica dos "didireita" brasileiros?

Tal comportamento convulsivo baseou-se, única e exclusivamente, no comentário de Trump que seria "uma noite de revelações bombásticas" - e nossa conhecida arrogância e eterna dependência do "irmão mais velho" nos fez crer, tolamente, que o homem-laranja anunciaria ao mundo ações apocalípticas contra Alexandre de Moraes, a ditadura do STF, Lula e toda a corja a qual combatemos.

Temos um quadro psicológico paradoxal: ao mesmo tempo em que sofremos do velho complexo de vira-latas (pedindo a Trump que resolva nossos problemas), cremos piamente que o homem mais poderoso do mundo, Presidente da maior potência do planeta, usará seu palanque e gastará seu precioso tempo fazendo imprecações contra os malvados que nos assolam - acordem, crianças! "State of Union" significa "o estado da União", em qual ESTADO (condições) a União se encontra!

Para que nos limitemos ao nosso devido e humílimo lugar, Trump mal tocou nos nomes de potências como a China, Rússia, Canadá, Groenlândia (tal como o Panamá, por interesses óbvios) ou Ucrânia. Para não dizermos que sequer chegou perto, anunciou que os cartéis de droga mexicanos passam a ser considerados "organizações terroristas", o que pode eventualmente abrir brechas para que o mesmo tratamento seja aplicado aos brasileiríssimos PCC e CV - e tudo dependerá de Eduardo Bolsonaro, duramente criticado por estes mesmos "didireita" pelas suas constantes viagens aos EUA.

Ao fim e ao cabo, para não dizermos que Trump sequer citou o Brasil, anunciou (quase en passant) que elevará as tarifas alfandegárias sobre nossos produtos - o que já era esperado, graças à estupidez diplomática deliberada, de nossa atual ditadura.

Entenderam agora como funcionam as coisas em um país sério?

Pois é assim: cada coisa em seu devido tempo, seu devido lugar e escalada de acordo com sua proporcional importância aos interesses internos, domésticos, dos Estados Unidos da América.

Nos acostumamos muito rápido com a ditadura, a tal ponto que esquecemos - ou jamais soubemos - como funciona uma República.

Triste Brasil.


Walter Biancardine



terça-feira, 4 de março de 2025

ENSAIO SOBRE A LOUCURA, MISÉRIA E PREGUIÇA -

 


Diz Michel Foucault:

Antes os loucos levavam uma existência errante: eram tolerados com a condição de circularem perpetuamente. No século XVII, eles passam a ser encarcerados sistematicamente – não se suporta mais vê-los vagarem pelas ruas e pelos campos. Esse episódio costuma ser interpretado como o sinal da exclusão da loucura pela Razão ocidental. Os muros do hospício testemunham que a Razão afirma sua identidade a partir de uma rejeição, de uma exclusão da loucura. Esse fato também testemunha principalmente uma mudança de sensibilidade social muito importante em relação ao mundo da miséria.

Durante muito tempo o Cristianismo havia construído em torno da figura do louco, do pobre, do miserável errante, uma aura mística – esses personagens tinham uma dimensão crística. Quando as sociedades do séc. XVII trancafiam o mundo da miséria, é com base na dessacralização da pobreza, que perde sua dimensão mística e é tratada como um problema de ordem pública. Encarcera-se o mundo da miséria porque se suspeita que os vagabundos, mendigos e loucos sejam, sobretudo, preguiçosos. Na verdade, os hospitais gerais eram centros de trabalhos forçados. Não se explica a miséria por razões econômicas, mas por razões morais: o vício da preguiça."

Abaixo, segue meu pensamento:


A sempre bem-vinda pobreza -

Não sem razão, confesso-me incapaz de tolerar o viés ideológico explícito e a rasa demagogia, sempre embutidos nas teses do hoje incensado (pela esquerda) Foucault – personagem inevitavelmente presente nas citações e trabalhos realizados na grande maioria das universidades brasileiras.

Alega este senhor que “a dessacralização da pobreza retirou sua dimensão mística, passando a ser tratada como um problema de ordem pública”. No contexto da argumentação acima, a desonestidade intelectual impõe claramente seu viés ideológico, unindo convenientemente o louco – que então vagava errante – e o pobre, denotando que ambos passariam a ser encarcerados e submetidos a trabalhos forçados. E isso é mentira, vigarice intelectual.

É preciso, antes de mais nada, fazer a óbvia distinção entre os mendigos, os miseráveis, e os loucos propriamente ditos: pobres e miseráveis – salvo raras exceções – não são ameaças à integridade física de ninguém e, muito menos, ditam regras comportamentais ou estabelecem tendências de vida. Se houve a “retirada da dimensão crística” do pobre, alegada por Foucault, a mesma se deu pela própria esquerda, que o transformou em massa de manobra e instrumento político.

As provas do acerto de meu pensamento podem ser vistas claramente nas ruas de todas as grandes cidades do mundo, onde os pobres – e devemos incluir neste rol os “imigrantes” – servem como verdadeiras armas de choque visual contra os pagadores de impostos, a morarem nas ruas e construírem favelas sob o beneplácito demagógico de políticos progressistas. A intenção é imbuir-nos de culpa (por nossa vida “privilegiada”) e fazer com que paguemos cada vez mais impostos, para “salvar esta pobre gente da miséria e dar-lhes uma vida digna”. Obviamente, se seguirão a tais providências vasta cessão de “direitos” aos mesmos, e é sempre bom lembrar que, a cada direito concedido, diversas obrigações são impostas a terceiros.

O pobre, hoje, é politica e socialmente intocável. E sim, existe o vício da preguiça.

A mendicância é o outro extremo da loucura, pois o mesmo acaba por tornar-se um sociopata, incapaz de novamente adaptar-se às convenções do convívio social e à rotina de trabalho, sempre terminando por preferir voltar à antiga vida errante e isenta de quaisquer compromissos, responsabilidades ou obrigações.


A extinção do conceito de loucura -

Em todo o pensamento de Foucault, exposto acima, permeia a grande armadilha aos nossos corações: clama contra a injusta sociedade, que “oprime” o pobre e – este é o embuste – inclui de modo sorrateiro, no rol dos desvalidos, o louco.

Existe hoje um conceito, imposto de cima para baixo – em outras palavras, sem quaisquer consultas ao habitante das cidades – da “não internação” de pacientes com problemas mentais. Verdadeira enxurrada de matérias demagógicas igualaram, aos nossos olhos cristãos ocidentais, loucos e pobres. Não bastasse isso, um verdadeiro “elogio da loucura” foi pesadamente imposto à sociedade, principalmente após os anos 60 e sua contracultura, no qual sutilmente dissolveu-se a verdadeira patologia psíquica com os delírios provocados pelas drogas.

Ídolos ensandecidos foram criados – quem se lembra de Allen Ginsberg? - e os mais estapafúrdios delírios foram apresentados em letras de músicas, temas e personagens de filmes, peças de teatro e, para piorar, tudo isso sendo vendido como se eles – os loucos – é que tivessem realmente a razão, diante deste nosso mundo insano. Um paradoxo que todos engoliram, inocentemente.

O juízo, a racionalidade e bom senso caíram em desgraça, classificados definitivamente como “coisas de velho” ou um vil “pensamento opressor”, e tal pecha perdura não apenas até os dias atuais como, para piorar, precisa sofrer a nova tendência da mescla entre a vulgaridade libidinosa e a mentalidade marginal dos guetos, como um tempero nesta inicial “loucura” liberta por delinquentes filosóficos, como Foucault.

Toda esta sucessão de mudanças foi planejada, verdadeira obra de engenharia social a apontar o caminho da humanidade para o alvo visado pela Escola de Frankfurt: a destruição de tudo, para que deste “nada” surja algo novo e melhor. Deste modo, vivemos hoje em um ambiente social onde – na prática – ocorreu a extinção do conceito de loucura, de doença mental e da reclusão destes doentes em clínicas de tratamento. Mais que isso: temos, hoje, a obrigação social de aceitá-los em nossas rotinas de vida, seguida da proibição de os entendermos como loucos, ou estaremos sujeitos à punições legais.


Os inevitáveis efeitos -

Escrevi recentemente comentário em um artigo, no qual seu autor discorria sobre sua repulsa ao convívio humano (o qual, em parte, compartilho), alegando que o mesmo inevitavelmente "nos rebaixaria ao nível da mediocridade geral". Assim, postei breve opinião onde compartilhava minha repulsa mas que, dado o teor filosófico do texto, considerava ser alguma convivência sempre necessária, bem como a "queda na mediocridade" não sendo obrigatória.

Fundamentei lembrando: onde estaria Sócrates, sem o convívio humano? Como sua "dialética" funcionaria? Para que haja uma dialética, é preciso um diálogo; e para que o mesmo exista, é preciso o convívio. Acrescentei que podemos nos espelhar nas virtudes alheias e, mesmo, nos prevenir e corrigirmo-nos ao constatar as idiossincrasias do próximo, tornando-nos pessoas melhores.
E isto foi suficiente para que o vaidoso autor me banisse de sua página.

Onde desejo chegar com este argumento?

A obrigação que nos foi imposta – aceitar a loucura em nosso meio – não fará, de todos nós, um bando de alucinados mas, inevitavelmente, contaminará o meio em que vivemos e, pior, será amplamente adotada e louvada por significativa parte (medíocre) da sociedade – e sabemos que basta um covarde no meio dos bravos para que todos se acovardem também.

O convívio com idiotas pode, eventualmente, afetar os fracos tal como eu mesmo admiti em meu ensaio anterior, mas a proximidade – e inevitável interação – com loucos terminará por destruir regras, limites sociais e comportamentais do grupo. Tal fato, com o qual convivemos rotineiramente nos dias atuais, abriu caminho para a existência da presente e distópica sociedade que habitamos, sempre regida pela falta de razão e por doentio egoísmo hedonista.

Hoje circulamos entre mendigos sociopatas, adoradores da preguiça e inadaptáveis às rotinas de sustento próprio e dignidade, acompanhados por legião de loucos a gabarem-se de suas patologias e, mesmo, vendendo-as como sonho de consumo aos nossos olhos medíocres e sem emoções na vida.

Todos estes dois sinistros lados – mendicância e loucura – sustentam políticos e angariam votos, se tornando intocáveis (ou “insolúveis”, em visão mais realista), e nos condenando a entender como normais uma vida errante e miserável ou a opção de um indivíduo em declarar-se “gato”, “planta” ou “transgênero” (que é algo diferente do antigo "travesti").

Os devaneios de Foucault – que jamais poderá ser considerado exemplo de sanidade por conta de seus hábitos sado-masoquistas – apenas advogam em causa própria e de sua ideologia, mas contaminaram poderosamente a sociedade graças à adulação marxista da academia, imposição da cultura de massa e (sempre ela) grande mídia.

Se a mendicância apenas nos ofende a dignidade, a loucura pode mesmo tirar-nos a vida – quem poderá prever o quê um esquizofrênico ou psicopata, em surto, poderá fazer? Já é passada a hora de voltarmos a chamar os loucos de loucos e, se incapazes de convívio social inofensivo, reabilitarmos a internação compulsória. Do mesmo modo, a loucura romantizada, vendida pela grande mídia, deve ser rejeitada e sequer considerada em suas razões – pois a insanidade não as tem e jamais servirão de espelho comportamental para os sãos.

E a pobreza, sempre alvo das demagogias, serve-nos de lembrança da natural e primordial condição de nascença, do ser humano: todos nascemos miseráveis; o que temos nos foi presenteado ou conquistado – quem se recusa a isto torna-se mero fantoche, nas mãos de políticos.

Ou foi espoliado por terceiros, mas então será outro assunto.


Walter Biancardine



segunda-feira, 3 de março de 2025

FINGE QUE NÃO NOTA -


A Academia premiou com um Oscar de "Melhor Filme Estrangeiro" o panfleto doutrinário "Ainda Estou Aqui", bancado pelo dono do Banco Itaú Walter Moreira Salles, sujeito com boas relações familiares junto aos globalistas internacionais.

A conveniente e seletiva estupidez esquerdista, entretanto, ordenou que seus súditos - digo, militantes - fingissem que sequer repararam o detalhe de que tal prêmio, de uma Academia que há muito perdeu moral e prestígio, em nada endossa supostas qualidades da obra filmada. A intenção, ao premiá-lo, foi apenas uma birrenta e infantil tentativa de mostrar para o Presidente norte-americano, Donald Trump, que "a Academia apoia ditaduras de esquerda", algo como "nós, a elite, apoiamos a esquerda".

Pouco se lixa a esquerda comuno-p3do-narco-globalista de Hollywood para o filme em si, tanto que a pífia, envelhecida e anoréxica Fernanda Torres nada ganhou (e ela é, na verdade, uma boa atriz). Mas quem é Fernanda na fila do pão? Se ela ganhasse o Oscar, como anunciar tal acontecimento de modo a associar sua ideologia ao fato?

Já ao premiar o filme, tudo é mais fácil: "Filme progressista ganha Oscar e mostra uma Academia renovada". Que tal? É uma manchete aos moldes do O Globo, CNN, UOL e tantos outros.

Mas a esquerda finge que não sabe disso e nós - conservadores e ignorantes - realmente, não percebemos. E esta nossa notória ignorância nos impede de enxergar a verdade das coisas, as cruas intenções por detrás dos acontecimentos e faz com que percamos tempo arrancando os cabelos por conta de tal efeméride, como fosse algo capital para nossa política.

Mais que infantil birra contra Trump, nossa ignorância dá uma vitória dupla ao engonço do banqueiro Moreira Salles: ela também afeta os conservadores os quais, na verdade, deveriam andar e obrar para isso.

Nota do autor: ao premiar um ator, empresta-se um personalismo ao ato. Já ao premiar um filme, podemos subentender que se premia - e se apoia - uma causa.


Walter Biancardine



domingo, 2 de março de 2025

VAIDADE DE VAIDADES, TUDO É VAIDADE... (Ecclesiastes)

 


Todos temos barrigas, mas alguns são barrigudos.

Todos temos narizes, mas alguns são narigudos.

E todos temos vaidades, mas alguns são umas bestas.

Se algo esta semana de vida sobre a terra me ensinou foi o insuportável efeito da vaidade alheia, esta nuvem espaçosa e opressiva, que tenta nos humilhar pelo simples fato de existirmos, pois toda "existência" é vista como uma "ameaça" que assombra suas inseguranças infantis e desperta a feroz e adolescente necessidade de auto-afirmação.

De circunspectos PhD's que, sem nenhuma dignidade, tentaram bater boca, execrar meus escritos e condená-los ao "Index Malleficarum" simplesmente por não terem inteligência e capacidade filosófica de contestação - inteligências e títulos são, no Brasil, incompatíveis - até jovenzinhos posando de poetas-filósofos, com público quase exclusivamente feminino e, igualmente, incapazes de sofrer perguntas, pois as mesmas devem ser respondidas fora do âmbito da Inteligência Artificial - e na vida real o sujeito não passa de um estudante de segundo grau.

Estou farto disso; daqueles que se acham, que botam banca, que se arrogam e nada original produzem - galinhas gordas, mas sem ovos.

Confesso-me um analfabeto em diversos, muitíssimos assuntos e, por isso, jamais tentei aparentar um conhecimento que nunca tive, sobre os mesmos. Não sei resolver equações, desconheço as regras gramaticais - meu português correto deve-se à pura e simples imitação de bons escritores - e sequer sei fazer uma regra de três. Devo tentar aparentar ser um sábio onívoro, que tudo sabe, tudo conhece e tudo responde?

Pois tal pantomima excede os limites de minha cara-de-pau, exigindo um cinismo o qual confesso-me incapaz.

Arrematando o gancho inicial - o da semana que me ensinou - aproveito para acrescentar mais uma preciosidade, que a mesma fez-me aprender: a mandar todos eles, com suas luzidias e impecáveis figuras, à merda.

Ao despachar um deles ao lugar mais imundo, tal fato custou-me dinheiro. Mas ao despachar o arrogante juvenil, apenas atendi aos princípios básicos de higiene.

Sou o que sou, e por isso sou pobre.


Walter Biancardine



MUITA VAIDADE, NENHUMA SUBSTÂNCIA -


Nunca fui modesto em relação aos pouquísimos dons que Deus me presenteou: se escrevo direitinho, dirijo bem ou desenho rabiscos aceitáveis, assim digo e não os disfarço por trás de nenhuma modéstia - quanto a todo o resto, entretanto, não me envergonho em declarar-me completamente ignorante.

Existem pessoas, contudo, que vivem da ostentação de virtudes, capacidades ou talentos que realmente não possuem, se tornando monumentais farsas que, cedo ou tarde, cairão por terra.

Este é o caso de uma (boa) página do Facebook a qual eu seguia, atraído que fui pelos breves e bons "insights" filosóficos, sempre emoldurados por uma narrativa poética talentosa e eficaz. Todavia, recentemente encontrei um artigo no qual o referido autor discorria sobre sua repulsa ao convívio humano (o qual, em parte, compartilho), alegando que o mesmo inevitavelmente "nos rebaixaria ao nível da mediocridade geral".

Contrariando meus costumes - pois não tenho o hábito de espalhar comentários em postagens alheias - postei breve comentário onde compartilhava minha repulsa mas que, dado o teor filosófico do texto (e mesmo da página em si), considerava que alguma convivência sempre é necessária, bem como a "queda na mediocridade" não é obrigatória.

Fundamentei lembrando: onde estaria Sócrates, sem o convívio humano? Como sua "dialética" funcionaria? Para que haja uma dialética, é preciso um diálogo; e para que o mesmo exista, é preciso o convívio. Acrescentei que podemos nos espelhar nas virtudes alheias e, mesmo, nos prevenir e corrigirmo-nos ao constatar as idiossincrasias do próximo, tornando-nos pessoas melhores.

Para minha surpresa o autor respondeu-me, à queima-roupa: "No dia em que escrever algo sobre o mesmo tema, aí sim poderá emprestar ao mesmo as sugestões que me apresenta". Ora veja!

Imediatamente percebi que estava diante de uma arrogância vaidosa monumental, e dei breve e cortês resposta: "Pois não. Assim que tiver discorrido sobre todos os temas possíveis, só então voltarei a postar comentários" - e acrescentei: "Ao contrário do que diz, não dei "sugestões", apenas expressei "opiniões".

E tal colosso vaidoso me bloqueou! Não tenho mais acesso à sua página!

Isso posto e passado o susto, pus-me a pensar: trata-se de alguém com um óbvio talento poético, mas cujas análises filosóficas acomodam-se à platitudes e conceitos academicamente aceitos. Nenhuma inovação, nenhuma originalidade, nenhum sinal de vida filosófica própria.

Para piorar, tal e ríspida resposta apenas evidenciou sua incapacidade argumentativa - certamente justificada pelo suposto fato que toda sua base filosófica vem da Inteligência Artificial (daí as platitudes), mas belamente adornadas por seu talento lírico.

Um filósofo não é um filósofo até que sejam apresentadas antíteses às suas teses - esta é a dialética, e causa pasmo alguém que ostenta ares filosóficos não admitir opiniões, contestações, nada - visite a página e verá apenas louvores e elogios.

E o gigante de pés de barro desmoronou: seu nome não é o verdadeiro; sua foto é repleta de efeitos artísticos e preocupa-se em excesso no aparentar riqueza material e erudição. Seus (creio) dez mil seguidores no Facebook acompanham uma farsa, que não filosofa - por incapaz que é - e impulsiona-se apenas pela vaidade de ser alguma espécie de "guia" para cegos, a exibir teatral tormenta existencial sob a forma de ChatGPT filosófico.

Confesso-me envergonhado: caí no golpe. Hoje, as postagens que dele compartilhei apresentam o aviso "não disponível" em meu Facebook, oriundo de seu bloqueio, mas - sinceramente - não me importa mais.

Uso, com tal cidadão, a mesma dialética do convívio que aleguei em meu fatídico comentário: percebi minha real estatura, diante de pequeno anão intelectual, folheado à ouro falso.

O medíocre não tem respostas a dar, nem caminhos a apontar.

Apenas finge filosofar. E engana.


Walter Biancardine



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

ZÉ LÊNSQUI: UMA BESTA -


Os "didireita" brasileiros tiveram seus cérebros pulverizados após a morte de Olavo de Carvalho. Agora, metade deles acha que Zé Lênsqui só disse verdades e, por isso, Trump o esculhambou, enquanto a outra metade dá vivas a Putin como o novo "comunista conservador".

Pior é ver a boa vontade de gente como Leandro Ruschel, se dando ao trabalho de postar um vídeo dele com Olavo, no qual o professor explica que Putin é "comunista, porra! Criado na KGB, porra!", mas que adotou a salada eurasiana de Dugin para agradar o ocidente e aplicar seus golpes.

Olavo sabia disso. Trump sabe disso e a bronca no Zé Lênsqui é pura estratégia. Só os "didireita" brasileiros que perderam seus cérebros, opiniões e sacadas geniais após a morte do professor - é difícil ser "genial" sem ter de onde chupar o brilhantismo.

Isso posto, a "carcada" de Trump no Zé também explica a autodestruição dos "didireita" tupiniquins.

Tudo culpa do Olavo: quem mandou morrer?


Walter Biancardine



É CARNAVAL. POIS É. OBA.


E começa hoje o período onde uma nação inteira, 230 milhões de habitantes - a maioria em idade produtiva - regride subitamente à adolescência e se entrega à libido, cerveja, mais libido, mais cerveja e muito funk narco-pornográfico, já que ninguém quer saber de samba.

O mundo está prestes a mergulhar em uma hecatombe financeira e bélica, os índices do mercado estão absolutamente loucos, mas a BOVESPA vai passar quatro dias fechada para que possamos sacudir a bunda.

O Brasil está mergulhado em uma feroz ditadura narco-comuno-globalista, a economia está em ruínas, inflação nas alturas, desemprego recorde e poder de compra zerado, mas o noticiário abre manchetes falando sobre os monstruosos engarrafamentos na Via Lagos para o (longuíssimo) feriado de Carnaval.

As mesmas pessoas que fazem drama nas redes sobre sua penúria alternam - em clara esquizofrenia - com as postagens embebedando-se na folia e fotos na praia (água é coisa de rico) para o Instagram.

Prefeitos aproveitadores se valem do Carnaval para amealhar uns trocados, mesmo que submeta sua cidade à uma semana de inferno turístico, alegando que lucram "milhões" com o reinado de Momo - só esquecem de contabilizar o quanto a cidade perde com metade de seu comércio, indústria e serviços fechados, por conta da esbórnia.

E mesmo aqueles "patriotas conservadores", que dizem "Deus, Pátria e Família acima de tudo", surtam e mergulham na mais torpe vagabundagem e bebedeira, argumentando o velho "se não pode vencer, junte-se à eles".

O carnaval - quatro longos dias de convulsão moral - é o eterno atestado de imbecilidade do brasileiro. Enquanto tal descalabro existir (bem como os demais e excessivos feriados), estaremos condenados à África perpétua.

Só sairei de casa quinta-feira, e mesmo assim com cuidado.


Walter Biancardine



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O RETRATO DE TODOS NÓS –


Provavelmente todos conhecem ou ouviram comentários sobre o livro "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde, publicado em 1890. Tal obra explora a vaidade, moralidade e consequências do hedonismo desenfreado, durante os anos vitorianos, mas incrivelmente válidos até os dias de hoje. O romance gira em torno de Dorian Gray, um bonito jovem, cuja vida muda drasticamente após um encontro com o artista Basil Hallward e seu mentor, Lord Henry Wotton.

Encantado com a beleza do rapaz, Basil pinta um retrato de Dorian capturando a juventude e beleza do mesmo, sempre tão elogiadas pelos demais, as quais impressionaram até mesmo o modelo da pintura. Sob sugestões e elogios cínicos de Lord Henry, cujas motivações não são reveladas, Dorian torna-se obcecado em manter sua aparência jovem, expressando o desejo de que seu retrato envelheça em seu lugar.

E sua ambição se torna realidade: enquanto Dorian mantém sua aparência jovem e atraente o retrato começa, ao longo do tempo, a refletir as marcas de sua decadência moral e envelhecimento. O rapaz mergulha, então, em um mundo de indulgência e excessos, explorando todas as formas de prazer e vício, acreditando que sua aparência externa o absolverá de qualquer repercussão moral ou social.

No entanto, a transformação do retrato torna-se um lembrete constante e assustador da corrupção da sua alma, e o jovem não pode escapar de, vez por outra, enxergá-lo. À medida que o tempo passa, Dorian fica cada vez mais perturbado e temeroso que o seu segredo seja descoberto, levando-o a cometer atos ainda mais desesperados e destrutivos.

Oscar Wilde usa a figura de Dorian Gray para explorar temas como a natureza da arte, a relação entre beleza e moralidade e as consequências de viver uma vida dedicada apenas ao prazer pessoal.

A tragédia do personagem-título culmina em seu tardio entendimento de que jamais poderá fugir das consequências de suas ações, e que a verdadeira beleza e Virtude residem no caráter e não na aparência.

Em um ato final de desespero e talvez de redenção, Dorian destrói o retrato e tal ato resulta na sua própria morte, subitamente envelhecido e desfigurado, e com o fatídico retrato voltando à sua forma original, linda e jovem.


* * *


Um breve ensaio sobre "O Retrato de Dorian Gray" e sua crítica ao niilismo moderno -

A obra "O Retrato de Dorian Gray", escrita por Oscar Wilde, constitui-se como uma das mais contundentes críticas literárias à decadência moral promovida por um hedonismo desenfreado. Neste ensaio, argumento que o romance não apenas denuncia os perigos da dissolução dos valores tradicionais, mas também serve como um espelho da ascensão do niilismo dos dias atuais, cuja progressiva rejeição da moral transcendente conduz ao esfacelamento da própria identidade humana.


O niilismo e a rejeição dos valores -

O personagem principal, Dorian Gray, simboliza a busca pelo prazer como fim último da existência, ecoando as doutrinas niilistas que Friedrich Nietzsche denunciou em "A Vontade de Poder". Tal qual alertava Olavo de Carvalho em suas críticas ao relativismo moderno, a narrativa demonstra que a erosão dos valores transcendentes, inevitavelmente, leva à degenerescência da alma.

Lord Henry Wotton, figura que encarna o esteticismo amoral, oferece a Dorian um caminho de autoindulgência e de negação das consequências morais de suas ações. Isso se assemelha às críticas de Burke e de Tocqueville sobre os riscos do liberalismo radical e do abandono dos costumes como fundamento da sociedade. Burke argumentava que a Revolução Francesa demonstrava os perigos de romper com a tradição e a moralidade herdada, substituindo-as por abstrações racionais. Ele defendia que a sociedade deveria evoluir organicamente, respeitando os costumes e instituições históricas, sob pena de cair no caos e no despotismo. Tocqueville, por sua vez, alertava que a democracia poderia degenerar em tirania da maioria e individualismo excessivo, caso os laços comunitários e as tradições fossem abandonados. Ele via a religião e os costumes como freios essenciais ao poder do Estado e à corrosão moral causada pelo igualitarismo sem limites, com ambos enfatizando que a liberdade só poderia ser preservada dentro de uma ordem social enraizada nos costumes e na prudência histórica – e tais alegações dão o que pensar, nos dias atuais.

Além disso, pode-se interpretar que aquele que sugere o retrato a Dorian Gray – Lord Wotton – está a desempenhar um papel análogo ao do Diabo, em pactos satânicos. A concessão da juventude eterna e a remoção das consequências visíveis de suas ações configuram um paralelo com os mitos clássicos de barganhas com forças demoníacas, nas quais a alma do indivíduo é sempre o preço final. Nesse sentido, Basil Hallward, ao pintar o retrato, age como um instrumento dessa tentação, enquanto Dorian, ao aceitar a dádiva ilusória, sela um destino que remete às narrativas tradicionais de queda e perdição.

A transformação progressiva do retrato em um reflexo disforme de sua corrupção íntima reforça a ideia de que o preço da aliança com forças obscuras é sempre inevitável. Como nas lendas medievais de Fausto, Dorian Gray acredita que pode escapar ao juízo divino, mas, no final, a verdade de sua degradação moral se manifesta de forma inescapável. Isso exemplifica a advertência dos conservadores sobre os perigos do afastamento da ordem transcendental e do abandono da responsabilidade moral.


O Retrato como metáfora do destino humano -

O quadro que envelhece no lugar de Dorian Gray representa uma inversão da ordem natural: a matéria corrompe-se, mas o espírito deveria buscar a purificação. O fato da pintura absorver os pecados do rapaz nos remete à rejeição da consciência moral, similar à forma como Olavo de Carvalho expõe a deliberada desconstrução das responsabilidades individuais, nas ideologias contemporâneas.

A ilusão de imortalidade e impunidade que Dorian experimenta não é apenas um artifício literário, mas sim uma representação do princípio gnóstico – sempre o gnosticismo – que permeia o pensamento revolucionário moderno. Como Eric Voegelin argumentou, o gnosticismo se manifesta na rejeição do real e na tentativa de remodelar a própria condição humana conforme uma utopia subjetivista. Segundo Voegelin, o gnosticismo moderno se manifesta na negação da realidade transcendente e na crença de que a condição humana pode ser transformada por meio do conhecimento esotérico ou da engenharia social. Para ele, ideologias políticas como o marxismo e o positivismo refletem essa tendência, pois rejeitam a ordem natural e buscam criar um paraíso imanente – o paraíso sempre vendido pelas ideologias – substituindo a verdade objetiva por construções subjetivistas. Esse impulso gnóstico resulta na destruição da ordem social e na tirania, ao impor uma visão artificial de mundo em detrimento da realidade.

Além disso, a degradação progressiva do retrato não reflete apenas o estado da alma de Dorian, mas também as consequências devastadoras de sua conduta sobre aqueles ao seu redor. O sofrimento de amigos e familiares—como a tragédia de Sibyl Vane e o tormento de Basil Hallward—demonstra que o hedonismo niilista não destrói apenas aquele que o adota, mas também corrói o tecido moral e emocional das relações humanas.

Sibyl Vane, jovem atriz que se apaixona por Dorian, representa o ideal romântico da pureza e do sacrifício. No entanto, ao ser rejeitada cruelmente por Dorian após um desempenho teatral, por ele considerado decepcionante, Sibyl, desprovida de qualquer senso de identidade e esperança, tira a própria vida. Sua tragédia simboliza o impacto destrutivo que um homem sem moralidade pode ter sobre os inocentes ao seu redor.

Já Basil Hallward, o pintor que originalmente idolatrava Dorian como uma encarnação da beleza e da perfeição, torna-se vítima direta da corrupção do protagonista. Ao confrontá-lo sobre sua degradação moral, Basil é assassinado brutalmente por Dorian que, ao eliminá-lo, tenta suprimir qualquer resquício de sua consciência moral. O tormento de Basil ilustra o destino daqueles que acreditam na redenção de um espírito já consumido pelo niilismo.

Essa dimensão da narrativa reforça a advertência conservadora sobre os efeitos sociais da decadência moral: a ruína de um indivíduo não ocorre isoladamente, mas reverbera sobre aqueles que o cercam, minando laços familiares e estruturas sociais que sustentam a civilização.


A tragédia da estética desvinculada da moral -

Dorian Gray ilustra um ponto fundamental para a filosofia conservadora: a separação entre estética e moralidade conduz à ruína do indivíduo e da sociedade. Em "O Jardim das Aflições", Olavo de Carvalho examina como a perda da conexão entre o Belo, o Bom e o Verdadeiro resulta na ascensão de uma civilização decadente, incapaz de reconhecer a importância dos princípios perenes. Segundo Olavo, ao perder essa conexão, a cultura (moderna) abandona os princípios perenes que sustentam a ordem e a transcendência, mergulhando em um relativismo corrosivo. Esse processo resulta na ascensão de uma já citada “sociedade decadente”, onde a busca pela verdade é substituída pelo utilitarismo e – notem bem – pelo controle ideológico, enfraquecendo a liberdade individual e a capacidade de reconhecer a realidade em sua plenitude.

A sociedade hedonista promovida por Lord Henry reflete a cultura moderna que glorifica o prazer acima do dever, ecoando as advertências de T.S. Elliot em "Notas para a Definição da Cultura". Elliot adverte que a cultura não pode ser separada da religião e que sua degeneração leva à dissolução da civilização. Ele critica a ideia de progresso puramente material e destaca que a verdadeira cultura é orgânica, desenvolvendo-se ao longo do tempo por meio da tradição e da continuidade espiritual. T.S. Elliot também alerta contra a centralização estatal e a massificação cultural, que nivelam por baixo a riqueza intelectual e moral da sociedade. Sem uma base transcendente e hierárquica, a cultura se torna superficial, vulnerável ao declínio e à barbárie. No caso do livro em questão, Dorian não busca a beleza como reflexo da ordem divina, mas como um instrumento de satisfação pessoal, esvaziando-a de qualquer significação metafísica – um paroxismo vaidoso.

Essa desconexão – aliás, verdadeiro antagonismo – entre arte e moralidade pode ser observada também na indústria cultural contemporânea, que frequentemente promove uma visão estetizada do niilismo, glorificando a degradação moral em nome de uma suposta “liberdade artística”. O cinema, o teatro e a grande mídia, ao priorizarem a espetacularização do vício e da dissolução dos valores tradicionais, tornam-se instrumentos de engenharia social, moldando mentalidades em consonância com uma visão de mundo relativista e desprovida de quaisquer fundamentos transcendentes. Assim como Dorian Gray utiliza sua aparência impecável para ocultar a podridão da alma, a cultura midiática atual emprega uma estética refinada para mascarar a destruição de valores que sustentam a civilização ocidental judaico-cristã, por eles condenada à morte desde o advento da Escola de Frankfurt.

Essa desordem moral, por sua vez, é instrumentalizada por políticos progressistas – “frankfurtianos”, na verdade – que se aproveitam do caos cultural e social para expandir o controle estatal sobre a vida dos indivíduos. O enfraquecimento da família é promovido por meio de narrativas que relativizam a importância da paternidade e da maternidade, enquanto a fé – cristã, especificamente – é ridicularizada pela grande mídia e pelo sistema educacional. Ao fomentar um ambiente de instabilidade moral e desagregação social, os progressistas criam um cenário propício para a dependência estatal e rejeição ao tradicional, tido como “inviável” e opressor.

Exemplos concretos dessa estratégia podem ser observados em políticas que desestimulam o mérito individual e a autodisciplina, promovendo uma cultura de vitimização e assistencialismo, agora explicitadas pelas ondas migratórias e o escândalo da USAID. O incentivo a pautas como a hipersexualização precoce, a desconstrução dos papéis familiares e a celebração de comportamentos destrutivos são formas diretas de minar a coesão social, resultando em uma sociedade cada vez mais vaporizada, vulnerável ao autoritarismo estatal.

Os efeitos desse processo são visíveis na destruiçãoo da educação formal, na promoção de valores antitradicionais em produções culturais de massa e na crescente interferência do Estado na vida privada dos cidadãos. Dessa maneira, ao invés de fortalecer indivíduos e famílias, o grupo comuno-globalista frankfurtiano os enfraquece, tornando-os mais suscetíveis à manipulação política e ao controle governamental.


Ao fim e ao cabo -

"O Retrato de Dorian Gray" é, em última instância, um alerta contra o niilismo moderno e a dissolução dos valores fundamentais. Oscar Wilde, consciente ou não, escreveu uma obra que ressoa profundamente com a crítica conservadora ao relativismo moral e estético. Ao renegar a moralidade objetiva, Dorian Gray destrói não apenas seu próprio destino, mas também a possibilidade de redenção.

Não é difícil nos colocarmos, bem como toda a sociedade atual, no lugar do pobre Dorian.

Talvez esteja na hora de destruirmos nosso belo retrato e condenarmos seu autor.


NOTA DO AUTOR:

Por vezes fazemos algo que, inadvertidamente, sai maravilhoso aos olhos alheios. 

Esta análise do livro "O Retrato de Dorian Gray" teve este poder, e causou-me não só um afago à vaidade - merecer a publicação no suplemento literário do site europeu ContraCultura - como também, e infelizmente, uma série de dores de cabeça profissionais, tais como disputas acaloradas (demais) entre alguns Doutores, diante de minhas interpretações conservadoras.

O normal, hoje, causa brigas e provoca inimizades, mesmo tendo meu artigo levado à interpretação e debate contra a minha vontade.

A infeliz guerra de vaidades intelectuais, somada a recente censura do site ContraCultura, onde foi publicado pela primeira vez, me fizeram postar o mesmo em minha página por não saber o futuro que a União Europeia reserva à liberdade. 

Que o leitor avalie se realmente sou apenas um retrógrado, a engessar o espírito humano.

E que tais Doutores vão, todos, à merda - que já não lhes será pouco.



Walter Biancardine





 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

ARCEBISPO VIGANÓ FALA -


A absurda ligação entre o Papa Bergoglio e John Podesta é intolerável, para quem acompanha o assunto sobre tráfico e abuso de crianças, adenocromo, PizzaGate e muito mais.

Especula-se se Javier Millei entregará os documentos sobre o Bergoglio ao Viganò e a outros membros da Igreja.

Leia a íntegra abaixo:

"Declaração do Arcebispo Carlo Maria Viganò
sobre a situação da Igreja e do Papado

Dico vobis, quia si oi tacuerint,
clambunt pedregoso.

Eu te digo, se estes estão em silêncio,
as pedras clamarão.

Lucas 19:40

As atualizações contraditórias sobre a condição médica de Jorge Mario Bergoglio lançam uma luz perturbadora sobre a forma como as comunicações do Vaticano estão a ser geridas. Há quem acredite que “o Papa já faleceu” e que este facto está a ser escondido do público. É claro que o Vaticano e a Igreja profunda bergogliana estão em pânico e farão tudo para reunir o consenso dos Cardeais em torno do nome de alguém que continuará a revolução bergogliana. Há quem tenha todo o interesse em enterrar os seus próprios crimes – juntamente com os de Bergoglio – enquanto nos Estados Unidos há um confronto frontal da Conferência Episcopal dos EUA contra a Administração Trump, depois do escândalo relativo aos fundos da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) ter trazido à luz a cumplicidade da Igreja Católica no lucrativo negócio da imigração.

É necessário evitar que a hierarquia progressista garanta que um dos seus seja o sucessor de Bergoglio, ou seja, outro usurpador do Trono de Pedro que será o herdeiro e continuador do anterior. Antes de martelar o último prego no caixão de Bergoglio, é portanto essencial e urgente que se lance luz sobre a usurpação que ele perpetrou e sobre a ocupação da Igreja Católica por uma hierarquia corrupta e traiçoeira, cujo único objectivo é destruí-la por dentro.

As manobras da Máfia de Saint Gallen em conjunto com a esquerda ultraprogressista; os crimes impunes de Theodore McCarrick; O papel de McCarrick nas administrações democráticas; a influência que McCarrick exerceu na obtenção de nomeações episcopais para os seus “herdeiros” – que são todos homossexuais e corruptos – designados para ocupar cargos-chave nos EUA e no Vaticano; o trabalho de McCarrick como elemento de ligação de Bergoglio com o regime comunista chinês, a fim de obter a assinatura do Acordo Secreto com a Santa Sé; o papel dos Jesuítas na promoção da agenda globalista; Os escandalosos encobrimentos contínuos de Bergoglio sobre notórios abusadores e pervertidos; o encobrimento do dossiê sobre a rede de corrupção do Vaticano, entregue pelo Papa Emérito Bento XVI a Bergoglio em abril de 2013 e sobre o qual ainda não houve qualquer seguimento; O papel de Bergoglio no crime perpetrado contra a humanidade com a “pandemia de Covid” e a imposição de vacinas; a exploração cínica dos imigrantes ilegais, a fim de destruir o tecido social do Ocidente: tudo isto e muito mais confirma que a Igreja Bergogliana não é apenas uma realização no plano subversivo do Fórum Económico Mundial, mas também um protagonista principal. Os fiéis têm o direito de conhecer toda a verdade sobre todos estes acontecimentos.

Depois de anos de mentiras, dissimulações e silêncio, é necessário reconhecer a fraude de Jorge Mario Bergoglio e levá-lo a julgamento, restaurando a verdade e a justiça exigidas pelas vítimas das suas represálias, dos seus atos intimidadores e da sua conivência nos crimes dos seus instigadores e dos seus protegidos. São necessárias investigações sobre a sua vida passada, sobre os crimes que cometeu na Argentina (razão pela qual nunca regressou como “papa” ao seu país natal) e sobre os acontecimentos obscuros que alegam que Jorge Mario Bergoglio foi pessoalmente responsável pelo abuso sexual de jovens jesuítas quando era mestre de noviços na Argentina. É necessário esclarecer se Tomas Ricardo Arizaga (conhecido como Tomasito), falecido em 20 de julho de 2014, aos 11 anos, e que foi cremado e enterrado em 2019 no Cemitério Teutônico do Vaticano, após ter sido removido os dentes, é realmente filho de Bergoglio, como há muito se diz e como vários elementos nos levam a crer.

Uma aliança criminosa internacional uniu forças subversivas para eliminar Bento XVI, forçando-o a demitir-se e substituindo-o por um emissário do globalismo. O próprio Cardeal Godfried Danneels admitiu isso, referindo-se à Máfia de Saint Gallen; McCarrick reiterou isso ao falar na Universidade Villanova em 11 de outubro de 2013; o presidente e fundador do Voices of Progress – um grupo de pressão que lida com alterações climáticas, migração e outras questões despertas – planeou-o, discutindo-o com John Podesta (presidente da campanha de Hillary Clinton), em e-mails divulgados pelo Wikileaks (aqui).

A “Primavera Católica” valeu-se de Jorge Mario Bergoglio, um personagem corrupto e manobrável, imposto fraudulentamente à Igreja Católica como “papa”. Solicitamos às Autoridades dos Estados Unidos da América e da Argentina que forneçam documentos e provas destes factos. Isto provará que Jorge Mario Bergoglio nunca foi papa da Igreja Católica: todos os seus atos de governo e ensino são nulos e sem efeito, e todas as suas nomeações são nulas e sem efeito, incluindo as dos Cardeais que elegerão o seu sucessor.

Chegou a hora de enfrentar a verdade com coragem, para que a libertação da Igreja Católica dos subversivos que a ocuparam durante demasiado tempo para destruí-la seja uma libertação radical e autêntica, e para que os feitos dos fraudadores – que ainda estão no Vaticano e sobreviverão a Bergoglio – possam ser descobertos e levados a julgamento, antes que a sua acção criminosa destrua as provas dos crimes que cometeram.


+ Carlo Maria Viganò, Arcebispo"



domingo, 23 de fevereiro de 2025

FARTO DE ESTAR FARTO -


Não sou bipolar, mas minhas tentativas desesperadas de escapar da angústia assim me fazem parecer.

Tive um fim de semana onde, por causas outras, mergulhei em um abismo de melancolia. No dia de hoje, domingo, tentei me alegrar e parecer recuperado diante da descoberta de algumas histórias antigas de família, mas ao me dar conta que amanhã é segunda-feira – que sempre traz consigo a lembrança de meu atoleiro profissional – novamente me deprimo.

Segunda-feira, em meu caso presente, não é só um dia. É um monstro quieto, um bicho que se esconde no canto da mente e espera a hora de morder. Ela traz o trabalho infrutífero, o atoleiro que me estanca, sempre, no mesmo lugar; aquele lamaçal profissional carregado de ódios e invejas alheias que eu não sei mais se é castigo ou consequência.

Ando farto de estar nas mãos dos outros, farto de esperar, farto de sentir o tic-tac do relógio como machadadas em minhas porcas esperanças. Farto de crer, sempre crer, obrigado a crer e me alimentar disso.

É o preço que pago – caro – por ser quem fui, no passado.

Apenas não sei se terei fundos, amanhã.


“Os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. 

Eles tinham pensado, com suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança”.



Walter Biancardine


LAÇOS DE FAMÍLIA: CONDESSA DE BARRAL X VISCONDE DE SÃO SEBASTIÃO DO ALTO -


Acabei de descobrir: o título de Visconde de São Sebastião do Alto foi concedido a Manuel Ribeiro da Mota. Nascido em 1814 em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Manuel era fazendeiro e coronel da Guarda Nacional. Em 1881, recebeu o título de Barão de São Vicente e, posteriormente, em 14 de abril de 1883, foi agraciado com o título de Visconde de São Sebastião.

Essa honraria foi concedida pelo Imperador Dom Pedro II em reconhecimento ao seu empenho financeiro na reconstrução da matriz de São Sebastião, na freguesia onde nasceu. Além disso, em 1885, Manuel presidiu o Banco de Campos. Faleceu em 8 de outubro de 1890, deixando uma considerável fortuna para seus herdeiros.

Infelizmente, não há registros fotográficos ou retratos conhecidos de Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião. No entanto, existem itens históricos associados a ele que foram preservados. Por exemplo, um "pot de crème" em porcelana da manufatura Julien Fils Aîné, decorado com detalhes em ouro e ostentando a inscrição "Barão de S. Sebastião" sob uma coroa de barão, pertenceu ao serviço de mesa do Visconde.

Este item está reproduzido na página 328 do livro "Louça da Aristocracia no Brasil", de Jenny Dreyfus.

Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião, não se casou oficialmente, mas teve filhos com Maria Madalena Nascimento e Inácia Ferreira do Rosário.

Um de seus netos notáveis foi Max de Vasconcelos, poeta e jornalista, filho de Ernestina Ribeiro de Azevedo e antepassado que explica minha maldição com as letras.

Já quanto à Condessa de Barral, creio não ser necessário nenhum comentário.

Finalmente, o mistério que me perseguiu durante anos está (aparentemente) resolvido, e se algum familiar tiver algo a acrescentar ou corrigir, sinta-se à vontade!


Walter Biancardine



QUANDO MENOS SE ESPERA, AÍ É QUE NADA ACONTECE - ANALISANDO SCHOPENHAUER

 


Conheço meus ciclos e tenho andado bastante cabisbaixo, nos últimos dias. Não vem ao caso as razões, ou mesmo se tenho justificativas para tal, mas creio ser o momento oportuno para fazer uma rápida e previamente prometida análise do pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860). Um pessimista consola-se com outro, e isto talvez explique meu relacionamento de longa data com este senhor, sempre a socorrer-me nos vales da vida, apontando: “existe coisa pior”.

Tal empreitada veio-me à cabeça após ler uma aceitável e breve resenha de um senhor que não conheço, chamado Ednilson José dos Santos, que encontrei nas páginas do Facebook e expõe o pensamento do meu amigo alemão, companheiro de tantos abismos, a qual reproduzo abaixo. A minha análise virá logo depois.


O pensamento de Arthur Schopenhauer sobre a relação entre inteligência e sofrimento está profundamente enraizado em sua filosofia pessimista, que ele desenvolveu em obras como "O Mundo como Vontade e Representação" (1818). Ele acreditava que a vida é dominada por uma força cega e irracional, a "vontade", que impulsiona todos os seres vivos a desejarem incessantemente, resultando em frustração e sofrimento.

No contexto da frase mencionada — "quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem" — Schopenhauer sugere que a consciência e a inteligência são uma espécie de maldição. Quanto mais uma pessoa entende a realidade, mais ela percebe as tragédias e absurdos da existência humana.

A visão de Schopenhauer sobre sofrimento e consciência -

Ignorância como bênção: Pessoas com menos inteligência tendem a viver focadas em necessidades imediatas e prazeres simples, sem refletir profundamente sobre o sentido da vida ou sua falta. Para Schopenhauer, essa ignorância os protege de sofrer tanto quanto aqueles que analisam o mundo em profundidade.

O gênio como solitário: O "gênio", ou a pessoa extremamente inteligente, sofre mais porque vê além das ilusões que sustentam a maior parte da humanidade. Ele percebe a transitoriedade da felicidade, a inevitabilidade da morte e a luta constante pela sobrevivência. Esse entendimento pode levá-lo a um estado de alienação ou melancolia.

A busca pela superação: Schopenhauer acreditava que o sofrimento do ser humano pode ser minimizado, mas não eliminado. Ele via a arte, especialmente a música, como um meio de transcender temporariamente a "vontade" e alcançar um estado de contemplação pura, onde o sofrimento é momentaneamente suspenso.

Influências filosóficas e culturais -

Schopenhauer foi influenciado pelo budismo, hinduísmo e o pensamento kantiano. Ele reconhecia semelhanças entre sua visão pessimista e o conceito budista de "dukka" (sofrimento inerente à existência). Assim como o budismo prega o desapego para aliviar o sofrimento, Schopenhauer defendia que a negação da vontade de viver poderia libertar o indivíduo.

Impacto na cultura e na filosofia -

A filosofia de Schopenhauer influenciou muitos pensadores e artistas, como Nietzsche (que inicialmente o admirava), Freud (em sua teoria do inconsciente), Wagner (em sua música) e escritores como Dostoiévski, Proust e Thomas Mann. Sua visão pessimista encontrou eco em movimentos como o existencialismo e o niilismo, que também exploram o sofrimento humano e o sentido da vida.

Reflexão contemporânea -

Hoje, muitos veem a ideia de Schopenhauer como uma provocação para repensarmos nossa relação com o conhecimento. Embora o aumento da consciência possa trazer dor, ele também pode gerar empatia, criatividade e um desejo de transformar o mundo. Esse paradoxo é parte essencial da experiência humana.

Se quisermos sintetizar a essência dessa ideia, ela nos lembra que o sofrimento não é apenas um fardo, mas também um sinal de profundidade, sensibilidade e conexão com a complexidade do mundo.


Conforme prometido, segue nas próximas linhas a minha tentativa de reanimar o espírito – como de hábito – amparado nas muletas de Schopenhauer e fazendo o contraponto necessário, com a devida dose de realismo, a amenizar o pessimismo de ambos: meu e de Schopenhauer:


Uma análise da relação entre inteligência e sofrimento em Schopenhauer, sob uma ótica realista -

As relações entre a inteligência e o sofrimento, conforme delineada por Arthur Schopenhauer, é um tema que atravessa não só sua filosofia pessimista mas, também, diversas correntes do pensamento ocidental. Tentando emprestar uma visão não tão “apocalíptica” às ideias de Arthur, ouso supor que a questão pode se desdobrar em aspectos que vão além do pessimismo absoluto, sempre tentando compreender o verdadeiro papel do sofrimento e da inteligência na construção da ordem social e da (vá lá) grandeza humana.

A inteligência: condenação ou vocação?

Eu diria de pronto: condenação. Schopenhauer, fazendo coro, afirmava que "quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem". Essa ideia, embora eu compartilhe e seja coerente com sua visão de mundo, pode ser vista sob uma ótica mais realista e, até, conservadora. Uma profunda percepção da realidade sempre irá gerar desafios e, inevitavelmente, sofrimento, perplexidade, decepção e dor, mas também pode conferir ao indivíduo – se ele assim o desejar – a capacidade de influenciar e transformar sua própria vida e a conjuntura da sociedade – vide a fantástica obra de Olavo de Carvalho, o verdadeiro criador do que hoje chamamos “direita conservadora” no Brasil.

Edmund Burke, um dos principais teóricos do conservadorismo, defendia que a ordem e a tradição eram fundamentais para evitar o caos e a desorientação que o excesso de racionalismo poderia trazer. Nesse sentido, a inteligência não precisa necessariamente ser um peso, mas sim um instrumento para construção e manutenção de uma ordem social justa. O sofrimento inerente ao conhecimento não seria uma condenação, mas um caminho para a verdadeira compreensão da vida e do dever moral.

O papel da tradição e da religião, atenuando o sofrimento -

Posso reconhecer que o sofrimento é um fator da condição humana, mas – ainda que um tanto quanto relutante, dada minha pouca fé – difiro de Schopenhauer quando suponho que o mesmo pode ser atenuado não apenas pela arte ou pela negação da vontade, mas também pela religião, pela cultura e pela vida comunitária. O cristianismo, por exemplo, nos oferece uma perspectiva na qual o sofrimento é compreendido como um elemento de crescimento espiritual e redenção, diferindo da resignação pessimista schopenhaueriana.

Russell Kirk, outro expoente do pensamento conservador, fazia coro à Burke ao enfatizar que a civilização se sustenta em valores perenes que oferecem sentido à vida, reduzindo o desespero existencial que a hiperracionalização pode gerar. Dessa forma, a inteligência, quando orientada por princípios morais e religiosos, pode ser uma bênção e não uma maldição.

A solidão do gênio e a responsabilidade da elite intelectual -

Schopenhauer sugere que o gênio, por enxergar a transitoriedade da felicidade e a luta incessante da vida, é condenado à solidão e à melancolia – e apresso-me a esclarecer que este não é meu caso: não sou gênio, apenas atravesso vales e escalo picos, embora a melancolia e a solidão sejam idênticas.

Embora essa visão tenha, a meu ver, total fundamento, alguém mais otimista poderá dizer que há, nela, um excesso causador do imobilismo. Devemos reconhecer que as elites intelectuais têm uma responsabilidade na orientação moral e cultural da sociedade, e o sofrimento decorrente do conhecimento profundo da realidade não deve levar à alienação, mas à ação.

Aqui é o momento de citar Alexis de Tocqueville, que via na aristocracia intelectual e moral um elemento essencial para a preservação da liberdade e da ordem. Para ele, a inteligência não era uma prisão, mas um chamado ao dever. Assim, ao invés de se resignar ao sofrimento, o gênio pode e deve influenciar positivamente sua sociedade, respeitando as tradições e contribuindo para a manutenção dos valores que sustentam a civilização – e este é o momento em que saio de cena, deixando tal trabalho para outros, bem mais qualificados que eu.

A realidade do sofrimento: aceitação, não vitimismo -

Qualquer pensamento realista pode reconhecer que o sofrimento é inerente à vida, mas não o absolutiza como faz Schopenhauer. O homem não é apenas uma vítima da "vontade cega"; ele tem livre-arbítrio e capacidade de agir. Roger Scruton, um dos maiores intelectuais conservadores contemporâneos e que será objeto de maiores estudos em meu próximo livro, sobre a beleza, argumentava que a verdadeira grandeza do homem está em sua capacidade de encontrar algum significado maior em tudo, mesmo diante do sofrimento.

Por outro lado, o pensamento estóico – filosofia que muito me apraz mas, ao que parece, transformou-se atualmente em “auto-ajuda” – representado por Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio, defende que o sofrimento é uma oportunidade para o aperfeiçoamento moral. Para os estóicos, não é o sofrimento em si que importa, mas a maneira como o indivíduo responde a ele. A dor e as adversidades devem ser enfrentadas com serenidade e autodisciplina, pois fazem parte da ordem natural do mundo e do desenvolvimento da virtude. Enquanto Schopenhauer enfatiza a resignação, os estóicos ensinam a cultivar a resiliência e a dignidade diante das dificuldades.

Portanto, uma visão verdadeiramente realista rejeita tanto o otimismo ingênuo quanto o pessimismo paralisante. A inteligência traz desafios, sim, mas também a possibilidade de construir, preservar e transmitir um legado que dê sentido à existência humana.

Conclusão do acima exposto - 

A visão de Schopenhauer sobre a relação entre inteligência e sofrimento, embora brilhante em sua análise da condição humana, pode ser considerada excessivamente pessimista. Sob uma ótica mais sã que a minha neste momento, compreenderemos que o sofrimento existe, mas ele pode ser ordenado e atenuado pela maneira como reagimos ao mesmo e, também, pela tradição, religião, pelo compromisso moral e responsabilidade das elites intelectuais.

Ao fim e ao cabo, a inteligência está longe de ser uma maldição, antes é uma vocação que, quando bem orientada, permite que a humanidade não apenas suporte a dor da existência, mas também a transcenda, edificando uma civilização digna e ordenada.

Mas confesso descrer de todo o exposto acima quando estou na fila do caixa eletrônico e vejo, sem nenhuma esperança, como coça a cabeça aquele senhor pagando suas contas, bem à minha frente.

Tento me reanimar pensando que em algum momento, ainda naquele dia, ele terminará.

Cumprida a promessa que fiz, a análise está feita. Espero que gostem.



Walter Biancardine