O tempo se esgota. É minha última semana aqui.
Depois é o limbo. Nada me espera.
Mudo de cidade, o Rio foi um engano.
E me tomou o pouco resto que eu tinha.
Alguns dirão que a cobra precisa trocar de pele.
Pouco me importa - jamais importou. Nunca elogiaram.
E saio sem nada.
Agora é mato.
Sem água, sem luz, sem internet.
Mas é um teto. Um generoso teto.
São meus últimos dias na rede. Depois, só Deus sabe.
Será um longo silêncio.
Voltarei a escrever com papel e caneta.
Voltarei ao que já vivi um dia.
Sim, já vivi isso.
Conheço essa vida.
Sei o que me espera.
E sei que não cabe na cabeça de ninguém.
É hora de ir.
Walter Biancardine
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