sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

HORA DE PARTIR -

 


É hora de partir.
Não com trombetas,
mas com o barulho seco de uma porta que se fecha
e não pede desculpas.

Fui trazido até aqui por uma mentira.
Ela me vestiu de ilusão,
me chamou de nova chance,
e me reduziu a pó, no próprio chão.
Pior: distribuiu encargos como quem espalha cartas marcadas,
e inocentes pagaram a conta de um jogo que não queriam jogar.

Agora não.
Agora eu desfaço o nó com as próprias mãos.
Levo uma muda de roupa
e o que restou da minha espinha.

Volto para onde não deveria ter saído.
Sem medalhas, sem herança,
sem aplausos na estação.
Sem nada.

Mas com algo que dinheiro nenhum compra:
o alívio de deixar o mal para trás,
como quem larga um cadáver que nunca foi seu.


Walter Biancardine



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