É hora de partir.
Não com trombetas,
mas com o barulho seco de uma porta que se fecha
e não pede desculpas.
Fui trazido até aqui por uma mentira.
Ela me vestiu de ilusão,
me chamou de nova chance,
e me reduziu a pó, no próprio chão.
Pior: distribuiu encargos como quem espalha cartas marcadas,
e inocentes pagaram a conta de um jogo que não queriam jogar.
Agora não.
Agora eu desfaço o nó com as próprias mãos.
Levo uma muda de roupa
e o que restou da minha espinha.
Volto para onde não deveria ter saído.
Sem medalhas, sem herança,
sem aplausos na estação.
Sem nada.
Mas com algo que dinheiro nenhum compra:
o alívio de deixar o mal para trás,
como quem larga um cadáver que nunca foi seu.
Walter Biancardine

Nenhum comentário:
Postar um comentário