Posso falar de solidão. Posso falar de solitude. Posso falar do vazio imposto ou do escolhido. Reclamei de um, me arrependi de outro. Mas o efeito é o mesmo, à longo prazo ou em horas difíceis.
Gosto de estar sozinho. Mesmo amando, existe o momento de estar só. É uma escolha cômoda, se a mulher compreende. Entretanto, na hora do aperto, a vergonha de pedir colo é grande - e a solitude vira solidão num passe de mágica.
É a hora do arrependimento.
Já fiquei sozinho. Isolado do mundo. Estou em vias de voltar a estar assim e não tenho medo. Conheço o terreno, sei andar na escuridão.
Mas tem horas em que quero companhia da mulher amada - e ela não está. Tem horas em que gostaria de beber com algum amigo, e ele está longe. Com sorte, a solidão vira reflexão. Com mais sorte ainda, transcendência. E, se as musas ajudarem, escrevo um livro, um ensaio ou mesmo um artigo.
Bom ter esse terapeuta.
Jamais deixou que eu me vendesse.
Mesmo em dias melhores, tive meu escritório. Meu canto. Meu momento à sós comigo mesmo. Se a vida me sorrir novamente um dia, manterei isso. Porque preciso da solidão, ela é genética. Cresci assim, vivi assim e aprendi que é uma boa companhia.
Que eu tenha juízo de, seguindo a vida, saber equilibrar a atenção solitária com a dedicação à mulher amada - sem a primeira, serei um pateta, fútil e raso. Minha cota de decepções está cheia, mulheres não merecem isso.
Por outro lado, sem a segunda, a solitude será sempre solidão.
Essa velha conhecida.
Nunca escondi o que sou. Nunca me vendi para me ajustar às regras dos outros.
Nunca mudei. Décadas de vida.
Seja escolha ou loucura, me orgulho disso.
Quantos podem dizer o mesmo?
Walter Biancardine

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