Elevamos alguém ao pedestal. O chamamos de herói.
Nele depositamos todas as nossas fraquezas.
Mas enxergamos falhas. Erros.
E já não nos serve. Execra-se.
Amamos o que supomos alma gêmea.
Torna-se cofre que guarda nossos segredos.
Nossas falhas. O que fizemos. Ou não fizemos.
Mas essa alma é humana - demasiadamente humana.
E já não nos serve. Se vai.
Reclamamos de idealistas. Fanáticos. Quase máquinas.
Apontamos sua falta de humanidade. Frieza.
Mas progredimos na carreira. Pouco importam colegas.
Amizades e trabalho não combinam.
E as pessoas já não nos servem. Esquece-se.
Nós, entretanto, somos humanos. Sentimos, sofremos, amamos.
E buscamos o ChatGPT para traçar poesias. Escrever contos.
Pintamos no Sora. Imagens lindas e tocantes.
Tal Inteligência já não é Artificial - é humana.
Nós é que não somos mais humanos.
E tudo se vai.
Como lágrimas na chuva.
Hora de morrer.
(Este é um pequeno acréscimo que talvez ajude a entender as várias interpretações possíveis em recente artigo que escrevi.)
Walter Biancardine
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