Poucas frases me tocam tão fundo quanto esta.
Um velho cascudo de mais de metro e oitenta se sente desmontar, com o cheiro reconfortante, quente como um abraço.
A boa conversa com um amigo velho, de pé ao balcão do botequim.
A segurança de uma mãe, feito sempre e pontualmente às 5 da tarde.
E as frases com variações sutis, mínimas, a traduzir um mundo, uma vida, uma história:
- É isso... vamos pra casa tomar um café, diz o pai ao final de um longo dia junto ao seu filho.
Sempre importante é o momento de por ordem nos pensamentos. Ao suspiro profundo, segue-se a sentença - vou tomar um café.
É o longo ponto e vírgula necessário aos que vivem da escrita. A pausa que arruma as ideias, sempre amparada por cigarros, café e a caminhada pela casa. E tudo se arruma como num passe de mágica, nos reabastecendo com disposição suficiente para varar a madrugada a catar milho nos teclados.
Mas o melhor de todos - aquele pelo qual temos a certeza de valer a pena estar vivo - é aquele comentário discreto em meio a uma conversa com a amada, algo quase casual mas positivamente convidativo:
- Fiz um café fresquinho...
É a deixa. A frase incompleta. O chamado. O coração de portas abertas.
Feliz do homem que ouve isso de sua eleita.
Que ele tenha juízo.
E dê o devido valor.
Walter Biancardine

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