segunda-feira, 21 de setembro de 2026

BILHETE SÓ DE IDA


sentado no banco de cimento
uma poça molhando as calças
bilhete na mão esperando o ônibus
direto pro esquecimento

vejo as placas dos outros
que ali encostam pros passageiros
já fui em todos porque quis e
alguns porque me mandaram

tinham destinos como o inferno
outros iam direto à merda
e conheci cada um deles
querendo ou não

uma boa estação rodoviária
vende conhaque 
a estrada
é fria e longa e escura
um trago aquece 
e dá coragem

tenho minha mochila e casaco
meu bilhete só de ida
ônibus dos desistentes
dos que cansaram

agradeço não ter vontade
de voltar 
o dinheiro
só deu pra pagar a ida

às vezes a carteira
é destino 




Walter Biancardine



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