sentado no banco de cimento
uma poça molhando as calças
bilhete na mão esperando o ônibus
direto pro esquecimento
vejo as placas dos outros
que ali encostam pros passageiros
já fui em todos porque quis e
alguns porque me mandaram
tinham destinos como o inferno
outros iam direto à merda
e conheci cada um deles
querendo ou não
uma boa estação rodoviária
vende conhaque
a estrada
é fria e longa e escura
um trago aquece
e dá coragem
tenho minha mochila e casaco
meu bilhete só de ida
ônibus dos desistentes
dos que cansaram
agradeço não ter vontade
de voltar
o dinheiro
só deu pra pagar a ida
às vezes a carteira
é destino
Walter Biancardine

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