quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O AMANHÃ NUNCA CHEGOU -

 

Tantas vezes prometi a mim mesmo que amanhã seria outro dia,
um novo ar, sangue a pulsar, decidido a ganhar.
Mas só vontade não basta, os ares não sustentam, o sangue a pingar.

Deixava minha cama sem saber o que fazer, olhar no espelho e chorar,
depois rir a lembrar que ontem era igual, mas o amanhã acabou.
Veio o novo dia, permanece a agonia e não sei onde vou.

Prometi ao amor que seria diferente, nunca mais insistente,
e tudo isso no amanhã, o melhor dia dessa vida poente.
Mas nem na vida ou no amor, o amanhã nunca chegou.

Eu iria melhorar, voce iria se alegrar,
Mas o amanhã nunca chegou.

Sento, espero, sonho e tolero o que sou,
Melhor mentir, acreditar no amanhã,
Mas o amanhã nunca chegou.

Já fui jovem, hoje sou velho,
e o amanhã nunca chegou.


Walter Biancardine 



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

MÃOS


Onde ponho minhas mãos
Que não se queimem de medo,
Que não deixe os anéis 
Para salvar os dedos?

Onde ponho minhas mãos 
Que não sangrem o que toquei,
Não esmaguem o que agarrei?

Onde ponho minhas mãos 
Que não pareça sem ter onde usá-las,
Que não seja para dá-las

Em adeus a quem se foi?


Walter Biancardine



A ESTUPIDEZ HUMANA -



A burrice é o mais democrático dos defeitos, atingindo a todos independentemente de raça, credo, nacionalidade ou escolha sexual.

Veja por exemplo o povo dos EUA, que construiu a maior potência que este planeta já viu: suas mulheres urbanas, na faixa dos 20/30 anos e com boas colocações no mercado de trabalho corporativo - portanto o discernimento deveria ser item obrigatório - elegeram para a cidade de Nova Yorque um prefeito muçulmano.

Estas mulheres lutam contra o patriarcado, mas o Islã é patriarcal até a raiz dos cabelos - e das barbas.

Estas mulheres eram recém nascidas ou crianças quando muçulmanos lançaram aviões contra as Torres Gêmeas e mataram mais de 4000 habitantes da mesma cidade que elas moram - e nada viram de errado em colocar outro muçulmano após um deles matar 4000 vizinhos seus.

E tudo isso acontece na maior potência do planeta.

Quem sou eu para condenar o anencéfalo que segue a cartilha esquerdista?

Quem sou eu para criticar o gado de corte que segue cegamente os milhares de flautistas de Hamelin da direita, que encantam seus seguidores repetindo as opiniões de seus próprios inscritos ou vendendo cursinhos, livrinhos chupados de outros ou outras enganações?

Quem sou eu para apontar o dedo para os infames "coachs", que nos ensinam tudo - desde andar de cabeça erguida e sermos quem nunca quisemos ser, até coisas básicas como o sentido correto do papel higiênico ao limpar a bunda? E pagamos por isso!

Quem sou eu para condenar quem não tem vida própria e corre atrás das opiniões alheias para formar a sua?

Não sou ninguém e nem tenho nenhuma moral para isso, pois quem não tem onde cair morto é por sua idêntica burrice em jamais ter conseguido prover a si próprio.

Apenas dou graças a Deus de estar já no fim desta terrível viagem.


Walter Biancardine



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O QUE SE QUER É DINHEIRO -


O sujeito faz uma página nas redes sociais dizendo que está fornecendo informação confiável; que naquele site somente a verdade tem lugar e que os valores que você busca estão todos ali, à sua disposição. Leia, leia e leia!

Ótimo, o cidadão faz sucesso e seu perfil lotou.

Qual é a providência seguinte? Fazer um Clube de Assinantes, um Sócio Premium ou qualquer outra palhaçada que pareça importante e faça de você uma pessoa exclusiva, que terá informações exclusivas, comentários exclusivos e bastidores exclusivos. É só pagar.

Mas...e o resto dos mortais, que não querem ou podem pagar?

Estes ficam com as sobras, com as migalhas que caíram da mesa...que, se você pensar bem, certamente eram as mesmas migalhas que ele oferecia antes de seu clube VIP, e que serão iguais às que ele cobra aos trouxas - pagam para ter o mesmo, apenas com palavras diferentes e gestos teatrais.

Assinatura? Clube de Assinantes? Área VIP?

O mais refinado conto do vigário, onde idiotas pagam por algo que não custou um centavo ao pilantra que o oferece.

Pense bem antes de assinar qualquer coisa.


Walter Biancardine



A MAIS FÁCIL DAS MULHERES -


A todos aceita,
A todos se impõe;
Não faz distinções 
Se homem bonito
Ou mulher de ladrões;

Ela deseja, ela quer
E sempre vem buscar,
Pobres, ricos, bons 
Ou maus;

Santos e pecadores,
Milionários ou perdedores,
Pretos ou brancos,
Agiotas e devedores;

Ela não falha, sempre vem,
Insaciável, aparece quando convém;
Cedo ou tarde, mal ou bem;

Dela ninguém foge;
A mais democrática, 
A puta inevitável, 
Sem azar ou sorte;

Ela atende
Pelo nome de Morte.


Walter Biancardine




CORRA -


Você pode correr o quanto quiser,
Deus pode até perdoar
Mas a vida não vai.

Você pode correr,
Pode mentir, pode beber;

Siga dançando, bata palmas;
Aumente o volume,
Não escute sua alma;

Você pode correr o quanto quiser,
Deus pode até perdoar
Mas a vida não vai.


Walter Biancardine


NOVO ANO, NOVO EU - OU É O VERDADEIRO?


Escrevi recentemente que "não tenho estofo d'alma para preencher os requisitos morais do conservadorismo do Instagram" e, muito menos, dos fariseus do templo das redes sociais.

Eles são perfeitos, santos, imaculados, felizes - e se não estão próximos do céu por sua piedade, certamente estarão pela idade, eis que a direita é a ala geriátrica dos militantes políticos.

Mas os conservadores do Instagram e os Fariseus do Facebook só falam para a bolha - tal qual acusam a esquerda - pregam para doutrinados e mantém cativo um público de anciãos, incapazes que são em cativar audiências jovens.

Eu, ao contrário deles, sou apenas um cara que escreve para manter a sanidade mental. Matei o personagem "jornalista", que tantas desgraças me causou e roubava minha liberdade de ser o que sou; mudei meu perfil e voltei a ser o velho Walter de sempre: absolutamente livre - sim, LIVRE, ouviram? - dependente químico de alguns momentos de solidão e incapaz de me decepcionar com ninguém, já que nada espero do ser humano em geral - esta maravilha capaz de ser divino e mesquinho em um só dia.

Fiz questão de frisar a palavra "livre" pelo fato de ser um atributo que pouquíssimas pessoas alcançam. Não sou prisioneiro de um circunspecto personagem, construído para angariar seguidores e me tornar um "influencer". Não sou prisioneiro de ideologias ou pensamentos políticos - já que um conservador de Instagram jamais declararia, de maneira tão descarada, seu amor por uma mulher: ele seria casto, comedido e puro - e, sequer, aprisionei-me em minha fé católica, pois os pensamentos e desejos impuros que povoam minha mente não são espantados: pelo contrário, eu os busco ao lembrar de quem amo. Para piorar, sou um apreciador explícito do bom whisky Jack Daniel's e considero uma eventual bebedeira como a janela que permite a passagem do sol, nunca da hipocrisia.

Sou um escritor. Tenho seis surtos (livros) publicados mas vendas porcas, pois me recuso a fazer propaganda, uma questão de vergonha. Tenho ensaios filosóficos escritos e publicados, um histórico como aluno de Olavo de Carvalho (que inclusive compartilhou coisas minhas), escrevo para três revistas (uma delas, européia), antecedentes em rádios, jornais e TV's e uma cultura que já desmontou e humilhou teses de mestrado e relatórios de doutorado, mas percebi que tudo isso era mesquinharia e pura vaidade; não passa de torpe sentença, prisão e morte de minha alma. E da alma de qualquer um que ceda à vaidade, o pecado predileto do demônio.

Assim, tudo varri para baixo do tapete, me sobrando apenas o ato de escrever livros - doravante apenas romances - e minha liberdade plena e absoluta de viver sendo quem sou, pouco me lixar para o que pensam de mim e de amar a mulher mais maravilhosa que existe - sim, minha onça do Pantanal, e tamanha é a liberdade com que a amo que o faço sem esperar que me ame de volta. Alguém pode apontar um sentimento mais sincero e descaradamente transcendente?

Não tenho onde cair morto, portanto ninguém teria qualquer despeito material sobre mim. Mas a vida me ensinou que existe a "inveja da alma", que é quando uma pessoa se adesiva a você e se torna um organismo em eterno processo de osmose de sua personalidade, gostos, tiques, prazeres, qualidades e até defeitos - tal pessoa está em um processo auto inflingido de despersonalização e em busca de um personagem melhor, pois percebeu que o anterior já não faz mais tanto sucesso.

E o que penso de tais pessoas? Pouco se me dá. A verdade é que jamais as dei a mesma importância que aparentam dar a mim e, por isso, nenhum espaço ocupam em meus pensamentos. Se neste momento os cito, bem como as demais vicissitudes expostas acima, isso se deve a uma satisfação de final de ano, devida aos amigos que me seguem nesta rede e que certamente sentiram as modificações que fiz em meu perfil.

Sim, tudo mudou, mas não se trata de uma nova pessoa: apenas o verdadeiro homem - poço de defeitos e poça de qualidades - está de volta, para o melhor ou pior.

Como disse meu parceiro e alma gêmea Charles Bukowski, "prefiro que me odeiem pelo que sou a me amarem pelo que finjo ser".

Prazer, amigos! Meu nome é Walter e desejo um Feliz 2026 para vocês!


Walter Biancardine



REINICIANDO AO REVEILLON -


Não será um novo dia,
De um novo tempo
Que começou. 

É só uma noite,
Renovando o contrato
Entre você e as esperanças. 

Todos fingem, comemoram,
E tudo passa, tudo muda?
Não, não é assim.

Nada há que seja novo
Sob o sol que nos queima;
É um miserável reboot.

Um restart do cérebro, 
Reiniciando sua fé 
E toda a sanidade possível. 

É mais uma vida,
Nova chance que você ganhou,
No X-Box da existência. 

Mas um dia será game over
E verá que nada mudou;
Traga meu Jack sem gelo, por favor.


Walter Biancardine