A lua estava cheia e minha vida, vazia.
A lua era nova e meus dias, velhos.
A lua era crescente e minhas esperanças minguavam.
A lua era minguante, e eu...
Sob a lua cheia, os telhados da cidadezinha eram como cobertores que agasalhavam seu sono.
Na cidade grande, a mesma lua vê os prédios e arranha-céus como um imenso porco-espinho, sempre eriçando farpas ao alto, a se defender de si mesmo.
Por isso não dormem.
Walter Biancardine
A burrice é o mais democrático dos defeitos, atingindo a todos independentemente de raça, credo, nacionalidade ou escolha sexual.
Veja por exemplo o povo dos EUA, que construiu a maior potência que este planeta já viu: suas mulheres urbanas, na faixa dos 20/30 anos e com boas colocações no mercado de trabalho corporativo - portanto o discernimento deveria ser item obrigatório - elegeram para a cidade de Nova Yorque um prefeito muçulmano.
Estas mulheres lutam contra o patriarcado, mas o Islã é patriarcal até a raiz dos cabelos - e das barbas.
Estas mulheres eram recém nascidas ou crianças quando muçulmanos lançaram aviões contra as Torres Gêmeas e mataram mais de 4000 habitantes da mesma cidade que elas moram - e nada viram de errado em colocar outro muçulmano após um deles matar 4000 vizinhos seus.
E tudo isso acontece na maior potência do planeta.
Quem sou eu para condenar o anencéfalo que segue a cartilha esquerdista?
Quem sou eu para criticar o gado de corte que segue cegamente os milhares de flautistas de Hamelin da direita, que encantam seus seguidores repetindo as opiniões de seus próprios inscritos ou vendendo cursinhos, livrinhos chupados de outros ou outras enganações?
Quem sou eu para apontar o dedo para os infames "coachs", que nos ensinam tudo - desde andar de cabeça erguida e sermos quem nunca quisemos ser, até coisas básicas como o sentido correto do papel higiênico ao limpar a bunda? E pagamos por isso!
Quem sou eu para condenar quem não tem vida própria e corre atrás das opiniões alheias para formar a sua?
Não sou ninguém e nem tenho nenhuma moral para isso, pois quem não tem onde cair morto é por sua idêntica burrice em jamais ter conseguido prover a si próprio.
Apenas dou graças a Deus de estar já no fim desta terrível viagem.
Walter Biancardine
O sujeito faz uma página nas redes sociais dizendo que está fornecendo informação confiável; que naquele site somente a verdade tem lugar e que os valores que você busca estão todos ali, à sua disposição. Leia, leia e leia!
Ótimo, o cidadão faz sucesso e seu perfil lotou.
Qual é a providência seguinte? Fazer um Clube de Assinantes, um Sócio Premium ou qualquer outra palhaçada que pareça importante e faça de você uma pessoa exclusiva, que terá informações exclusivas, comentários exclusivos e bastidores exclusivos. É só pagar.
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O mais refinado conto do vigário, onde idiotas pagam por algo que não custou um centavo ao pilantra que o oferece.
Pense bem antes de assinar qualquer coisa.
Walter Biancardine
Escrevi recentemente que "não tenho estofo d'alma para preencher os requisitos morais do conservadorismo do Instagram" e, muito menos, dos fariseus do templo das redes sociais.
Eles são perfeitos, santos, imaculados, felizes - e se não estão próximos do céu por sua piedade, certamente estarão pela idade, eis que a direita é a ala geriátrica dos militantes políticos.
Mas os conservadores do Instagram e os Fariseus do Facebook só falam para a bolha - tal qual acusam a esquerda - pregam para doutrinados e mantém cativo um público de anciãos, incapazes que são em cativar audiências jovens.
Eu, ao contrário deles, sou apenas um cara que escreve para manter a sanidade mental. Matei o personagem "jornalista", que tantas desgraças me causou e roubava minha liberdade de ser o que sou; mudei meu perfil e voltei a ser o velho Walter de sempre: absolutamente livre - sim, LIVRE, ouviram? - dependente químico de alguns momentos de solidão e incapaz de me decepcionar com ninguém, já que nada espero do ser humano em geral - esta maravilha capaz de ser divino e mesquinho em um só dia.
Fiz questão de frisar a palavra "livre" pelo fato de ser um atributo que pouquíssimas pessoas alcançam. Não sou prisioneiro de um circunspecto personagem, construído para angariar seguidores e me tornar um "influencer". Não sou prisioneiro de ideologias ou pensamentos políticos - já que um conservador de Instagram jamais declararia, de maneira tão descarada, seu amor por uma mulher: ele seria casto, comedido e puro - e, sequer, aprisionei-me em minha fé católica, pois os pensamentos e desejos impuros que povoam minha mente não são espantados: pelo contrário, eu os busco ao lembrar de quem amo. Para piorar, sou um apreciador explícito do bom whisky Jack Daniel's e considero uma eventual bebedeira como a janela que permite a passagem do sol, nunca da hipocrisia.
Sou um escritor. Tenho seis surtos (livros) publicados mas vendas porcas, pois me recuso a fazer propaganda, uma questão de vergonha. Tenho ensaios filosóficos escritos e publicados, um histórico como aluno de Olavo de Carvalho (que inclusive compartilhou coisas minhas), escrevo para três revistas (uma delas, européia), antecedentes em rádios, jornais e TV's e uma cultura que já desmontou e humilhou teses de mestrado e relatórios de doutorado, mas percebi que tudo isso era mesquinharia e pura vaidade; não passa de torpe sentença, prisão e morte de minha alma. E da alma de qualquer um que ceda à vaidade, o pecado predileto do demônio.
Assim, tudo varri para baixo do tapete, me sobrando apenas o ato de escrever livros - doravante apenas romances - e minha liberdade plena e absoluta de viver sendo quem sou, pouco me lixar para o que pensam de mim e de amar a mulher mais maravilhosa que existe - sim, minha onça do Pantanal, e tamanha é a liberdade com que a amo que o faço sem esperar que me ame de volta. Alguém pode apontar um sentimento mais sincero e descaradamente transcendente?
Não tenho onde cair morto, portanto ninguém teria qualquer despeito material sobre mim. Mas a vida me ensinou que existe a "inveja da alma", que é quando uma pessoa se adesiva a você e se torna um organismo em eterno processo de osmose de sua personalidade, gostos, tiques, prazeres, qualidades e até defeitos - tal pessoa está em um processo auto inflingido de despersonalização e em busca de um personagem melhor, pois percebeu que o anterior já não faz mais tanto sucesso.
E o que penso de tais pessoas? Pouco se me dá. A verdade é que jamais as dei a mesma importância que aparentam dar a mim e, por isso, nenhum espaço ocupam em meus pensamentos. Se neste momento os cito, bem como as demais vicissitudes expostas acima, isso se deve a uma satisfação de final de ano, devida aos amigos que me seguem nesta rede e que certamente sentiram as modificações que fiz em meu perfil.
Sim, tudo mudou, mas não se trata de uma nova pessoa: apenas o verdadeiro homem - poço de defeitos e poça de qualidades - está de volta, para o melhor ou pior.
Como disse meu parceiro e alma gêmea Charles Bukowski, "prefiro que me odeiem pelo que sou a me amarem pelo que finjo ser".
Prazer, amigos! Meu nome é Walter e desejo um Feliz 2026 para vocês!
Walter Biancardine
Walter Biancardine
Suzana Souza (Su Su)
Pai do céu,
Pai Noel,
Protege em seus braços
Quem tanta dor já sofreu;
Livrai do mal que viveu,
Soltai esses laços,
Derramai o seu mel.
Traga um presente,
Nos dê sorridente,
Em seu amor que não cobra;
Acolhe no colo,
Raízes no solo,
E a vida desdobra
Nessa noite tão quente.
E se Noel não existe
O sonho insiste,
Pois o céu nos abriga;
Ressona em meu peito,
O mal é desfeito,
O amor já nos liga
E Deus nos assiste.
Walter Biancardine
Não deixe flores em minha tumba,
Não traga coral nem carpideira imunda,
Sem discurso de amigo ou mesmo oração,
Só me deixe na terra que me fez.
Não sou a soma de suas rezas,
Não sou nem o tipo que tu prezas,
Segui na estrada fechando a mão,
Sem perguntar ao fazer outra vez.
Não peça licença para me enterrar,
Não encomende minha alma de novo,
Fiz as pazes com a ferrugem e o pecado,
Sem roupas melhores para o homem que fui.
Sem verdades na lápide, nem última olhada,
Só deixe o silêncio me puxar,
Não deixei uma última edição,
Me enterre sem permissão.
A cova não pergunta quem trai,
Nem se importa com dívidas,
Sete palmos abaixo, nenhum favor me deve,
Ela só guarda o que o tempo vai apagar.
Me enterre sem permissão, sem padre ou contrição,
Me xingue de nomes ou cuspa o meu,
Mas não finja que começo de novo,
Sem mãos postas ou palavras bonitas.
Ganhei o direito ao bem e ao mal,
Não é nenhuma superstição,
Apenas me enterre
Sem esperar permissão.
Walter Biancardine
Me importava com o que diziam,
Escondi meus demônios, usei máscaras,
Interpretei um papel
Mas hoje mostro coração e trevas
Não quero aplausos ou paz,
Vim para quebrar, não para agradar,
O mundo não ama o que o sol mostra
Já não me importo mais
Já não me importo mais,
Largo o caminho, deixo bater,
Não peço, não imploro,
Só não desisto, só não minto
Que você peça, que você reze,
Nada adianta, não vou mudar,
Porque isso é quem sou
Já não me importo mais
Perdi tempo em tentar ser,
Perdi amores tentando,
Mas agora durmo à noite
Já não me importo mais
Já não me importo mais,
Deixo o passado queimar onde está,
Não planejo, não reescrevo,
Só a fumaça e um copo gelado
Diga do meu frio, me chame de cruel,
Não tenho professor ou provas,
Deixei de ser um garoto,
Já não me importo mais
Se a paz vier em correntes,
Que venha o peso, que venha o fogo
E a bola de ferro,
Já não me importo mais
Hoje sei quem sou,
Sem redenção ou carinhos,
Só a verdade na poeira da estrada,
A tempestade que arde
Você é calma e eu a fúria,
Você é doce, eu nunca nasci,
Mantenha suas regras, as suas vergonhas,
Já não me importo mais.
Walter Biancardine
NOTA: Apesar de quase autobiográfica, esta letra foi inspirada em uma canção Blues, postada no canal Titan Chord