Não existe nada mais melancólico que uma garrafa vazia
Feito a mulher bela que ficou feia
Ou o bom amigo que virou militante
Para uns, é como um pai velho, senil
A garrafa vazia é a festa que acabou
Só um traste, inútil, a ocupar lugar
Tal como os sorrisos e gentilezas
Nessa mesma festa
Garrafas vazias são defuntos
Baixas da guerra contra a dor
É pau, é pedra, é o fim da alegria
E o início da ressaca
É o fim da farsa
E a porta da realidade
É o fim do dinheiro
Os boletos vencem
Garrafas vazias podem ser destino
Walter Biancardine

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