sábado, 4 de abril de 2026

A VAIDADE NOSSA DE CADA DIA -



Me escondi no mato, sabia o que me esperava
Não tenho internet, mas posso escrever
Notebook funciona, mais barato que psicólogos 

Escrever é minha terapia 
E nessa terapia descobri outro problema 
Reparei que escrever me alivia
Mas não de todo - sobrou uma agonia
Vergonha, vergonha, vergonha 

A agonia é não publicar
Que seja dez por cento de aflição 
Mas ainda é um problema 
Além de chamar meus demônios pro pau
Ainda quero mostrá-los?
Vaidade, vaidade, vaidade

Sempre disse que nunca fiz questão de ser lido
Mentira pura, hipocrisia refinada
Se não quisesse, não escreveria 

Sou como um exibicionista
O prazer é chocar - tarado das letras

Existem coisas sobre mim que jamais quis saber 
Essa é uma delas, preferia a ignorância
 
O que será maior?
Meu amor próprio?
Minha vaidade?

A vaidade venceu
Ou não teria escrito isso

É hora de um trago


Walter Biancardine 


quarta-feira, 1 de abril de 2026

UM CASO DE AMOR MAL RESOLVIDO -

 


Mesmo a fama - última e máxima puta - não conviveu bem comigo.
Relação rápida, tempestuosa, 
longe do amor e ódio dos romances 
então, só havia ódio 

Nossa vida juntos foi curta
poucos anos, e sempre ela fazia
com que lembrassem de mim
era sua missão 

"Aquele nazistinha, reacionário, fascista"
soprava em cada orelha
adjetivos burros, paridos por um cérebro burro
nunca me entendeu nem soube quem sou

Toda puta é amarga
a fama, a vida, a juventude 
e se você, jovem, nunca se sentiu seu freguês 
então já nasceu velho

A fama é vingativa e me deixou
mandou o ostracismo cuidar de mim
bem disse eu que ela não me conhece
eu e o "ostra" somos, hoje, grandes amigos 

A fama é uma puta
e burra.


Walter Biancardine