segunda-feira, 23 de setembro de 2024

ODE À ALEGRIA, NÃO À ESCRAVIDÃO – Ode An Die Freude




O Freunde, nicht diese Töne!

Sondern lasst uns angenehmere anstimmen

und freudenvollere!


Freude, schöner Götterfunken

Tochter aus Elysium

Wir betreten feuertrunken

Himmlische, dein Heiligtum!


Deine Zauber binden wieder

Was die Mode streng geteilt

Alle Menschen werden Brüder

Wo dein sanfter Flügel weilt…


Tradução:


Oh amigos, mudemos de tom!

Entoemos algo mais agradável

E cheio de alegria!


Alegria, mais belo fulgor divino

Filha dos Elíseos

Ébrios de fogo entramos

Em teu santuário celeste!


Tua magia volta a unir

O que o costume rigorosamente dividiu

Todos os homens se irmanam

Onde pairar teu voo suave...



Esta é a letra de uma das peças mais transcendentais da música clássica, da 9ª Sinfonia do genial Ludwig Van Beethoven, “Ode An Die Freude” – “Ode à Alegria”, algo próximo ao Divino e que aconselho ouvir, enquanto estiver lendo estas mal-traçadas linhas.

Confesso uma submissão quase infantil à tal melodia, que por um lado enche-me de felicidade inexplicável, por vezes injustificável mas sempre incontida e, por outro, sacode-me pelos ombros em um gesto de irmão que diz: “Anda! Esqueça a dor e levanta! O melhor ainda está por vir!”

E talvez seja o único momento em que ouso permitir que lágrimas cheguem-me aos olhos por pura e simples alegria, felicidade e pela triunfante sensação de respirar por sobre a terra. Sim, também sou humano; sim, também atrevo-me a chorar – sozinho – de felicidade. Pelo quê? Não o sei.

Menos ainda saberá o bom e velho Ludwig – aquele, o Beethoven – ao sofrer que sua obra prima, de inspiração quase deífica, seja aviltada em um gesto supremo de deboche cínico ao ser escolhida, como hino oficial, para uma das mais teratológicas excrescências da perversidade criativa humana: a União Europeia.

Não existe outra dupla de adjetivos – “deboche cínico” – que melhor nos faça compreender o requinte de sádica crueldade ao empregar tal peça, tendo em seu corpo versos como “Tua magia volta a unir/ O que o costume rigorosamente dividiu”, para dar corpo à tal alma penada escorada na união de povos para melhor escravizá-los, contrariando a máxima francesa “Diviser pour régner”.

A letra da mesma é um poema, escrito por Friedrich Schiller em 1785 e tocado no quarto movimento da 9.ª sinfonia de Ludwig van Beethoven. Nestes versos, Schiller expressava uma visão idealista da raça humana como irmandade, opinião que tanto este como Beethoven partilhavam mas que – certamente – jamais os incluiriam na monstruosidade globalista dos nossos tristes dias.

E a série de analogias não para por aí: logo de início aconselham Schiller e Ludwig que “mudemos de tom”, que falemos sobre algo mais agradável – e neste ponto o pérfido Antônio Gramsci veio, séculos depois, a calhar. Sim, haveremos de nos distrair e alegrar! Você não terá nada e será feliz! O mundo será vazio, despovoado, limpo e arejado de toda esta corja que se costuma chamar “humanidade”, graças às vacinas salvadoras – e nenhuma fábrica ou instalações custosas serão destruídas, bem como seu precioso lar, o que seria natural após catastrófica e despovoadora guerra!

Não haverão mais fronteiras, as ruas serão vazias nas “cidades de 15 minutos” e seu vizinho sequer falará sua língua, mas você terá seu celular, computador e games – todos eles do governo, alugados para você e devidamente “calibrados” para acessarem apenas conteúdos “sadios”. Seu trabalho será “home office”, suas noites de folga serão em casa, regadas a comidas e bebidas “delivery” e você jamais precisará andar novamente – mas o mundo não terá fronteiras, e os sábios sempre estarão zelando para que as justas leis globais sejam cumpridas em todo o planeta, ainda que não mais você deseje percorrê-lo.

Sim, cheios do “mais belo fulgor divino/ Filho dos Elíseos/ Ébrios de fogo entramos/ Em teu santuário celeste!” e, bêbados de consumo e futilidades, atenderemos apenas aos deuses globais e seus arcanjos midiáticos e corporativos!

E não haveremos de ligar para as antiquadas queixas de Beethoven e Schiller, que se remexem em seus túmulos, protestando contra a heresia cometida.

Alegria! An Die Freude! 2030 está próximo!






Walter Biancardine





quinta-feira, 19 de setembro de 2024

TECNOLOGIA (FINALMENTE) A SERVIÇO DO BEM -



O sonho de todo terrorista do Hamas é amarrar um cinturão de bombas ao corpo e explodir algum lugar bastante “ocidental e podre”, tal como fizeram com as Torres Gêmeas em Nova York, ou o massacre de jovens que comemoravam o Yom Kippur recentemente e até na infindável série de matanças de judeus, pouco ou nada noticiados por uma grande mídia – no mínimo – conivente. Deste modo, poderão chegar aos céus e desposar as infindáveis virgens, que estarão à sua espera para recompensar os esforços de tão devotado fiel.

Pois esqueçam: simples e obsoletos “pagers”, utilizados por grupos como o Hezbollah e Hamas e normalmente portados nos bolsos dianteiros das calças, estão explodindo como mágica e espalhando nuvens de genitálias voadoras ao redor de seus corpos. Ainda que cheguem aos céus, tais terroristas pouco ou nada terão a fazer com as incontáveis – e decepcionadas – virgens, à sua espera.

Para piorar, sequer o choque inicial foi absorvido e já rádios (walk-talkies) e mesmo celulares começaram hoje a, igualmente, explodir junto com seus portadores.

É a tecnologia a serviço do bem: enquanto a mídia mainstream norte americana, associada ao seu cinema, teatro e música, dedicaram-se durante quase um século a apenas destruir, difamar e envergonhar o cidadão pelo país que construiu e viveu; enquanto o próprio e demagogo governo valeu-se de tal onda cultural para emagrecer os dinheiros de seus exércitos, agências de inteligência (devidamente infiltrados, todos, de espiões internacionais) e órgãos como o FBI e a NASA, o Exército de Israel (IDF) e seu serviço de inteligência – Mossad – trabalharam com afinco para se atualizarem e desenvolverem métodos inusitados de prevenção, ataque, contra-ataque e defesa contra o inimigo (por enquanto) palestino.

A verdade é que, aparentemente, não existem nenhuns dispositivos pré-instalados em tais artefatos. A tecnologia israelense – auxiliada por alguns hackers, por suposto – encontrou meios de provocar tamanho superaquecimento nas baterias destes “gadgets” que, inevitavelmente, os levaria à explosão – e é somente isso que se sabe, ou se supõe, até o momento.

Para piorar a situação palestina, tal ataque provoca uma infinidade de camadas interpretativas, eis que o embaixador iraniano no Líbano, Mojtaba Amani, também ficou ferido em uma das explosões. Do mesmo modo, o ataque atingiu um “amigo” do repórter europeu, igualmente no Líbano, Elija J. Magnier. Este jornalista postou nas redes sociais suas lamentações pela “violência” praticada contra o amigo...terrorista.

O que um embaixador faz com contatos de terroristas? Seria ele avisado sobre cada ataque, para que se escondesse embaixo da mesa? E um repórter europeu? Estaria bebendo (perdão) diretamente na fonte? Mais que uma massiva ofensiva, que atingiu, matou e imobilizou milhares de terroristas, a ação do Mossad expôs o baile de máscaras hipócrita, dançado por agentes de governos e grande mídia, contra o Estado de Israel, o mundo e suas liberdades.

Poderá o leitor ponderar: “mas e os inocentes que eventualmente tenham sido atingidos pelas explosões?”

Respondo que, em primeiro lugar, as detonações não foram tão fortes a ponto de afetar nada que não fosse o próprio corpo do terrorista. Além do mais, onde estaria a humanidade de tal questionador, que não lembrou dos milhares de inocentes – crianças inclusive – mortos sem nenhum remorso por tais bestas-feras, em seus ataques assassinos? Eles podem matar, Israel não?

Insistente, tal questionador revidará: “Mas isso é sionismo!” E respondo: muito feio é confundir a legítima defesa de um povo, condenado à extinção pelo ódio anti-semita alheio, com um sionismo o qual ainda cabem discussões. O que não cabe discutir é a proteção e segurança dadas pelas IDF (Israel Defense Forces) e o Mossad ao povo judeu, que deseja apenas recuperar sua paz e a plena liberdade de existir.

E por falar na liberdade do ser humano, continuemos com a tecnologia a seu serviço: a censura determinada pela ditadura do Brasil à rede social X (antigo Twitter) de Elon Musk, que poderia gerar mais de 18 bilhões em prejuízos para os utilizadores da mesma, aparentemente foi contornada após a decisão de seu proprietário em utilizar os serviços da mundialmente conhecida Cloudfare, que atua como um “escudo” para proteger os servidores da rede social. 

Ao distribuir o tráfego do X por novas rotas, esses serviços criam obstáculos para o bloqueio do acesso à rede social, mesmo com a ordem judicial. O X passou então a empregar um novo software que não mais utiliza os IPs da rede social, mas sim os da Cloudflare, dificultando o bloqueio determinado pelo déspota Alexandre de Moraes, Ministro da Suprema Corte brasileira.

Segundo matéria de Rafael Fonseca no site brasileiro Carta de Notícias, especialistas na área de informática explicam que o uso de um proxy reverso, como o oferecido pela Cloudflare, permite mascarar o IP real do servidor, mostrando apenas o IP do proxy. Isso funciona como uma “barreira invisível” que protege a infraestrutura sem impactar a experiência dos usuários.

Ainda segundo a matéria, as provedoras de internet estão em contato com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para entender como fazer o bloqueio da rede, já que o IP registrado passou a ser o da Cloudflare. Porém isso tornou este novo capítulo, da saga entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, um verdadeiro quebra-cabeças para o STF e para a Anatel solucionarem. O STF insiste em determinar o bloqueio do Cloudflare no Brasil, mas teme que uma enorme parte do conteúdo da internet brasileira – e de quase a totalidade dos serviços governamentais e de segurança – simplesmente se tornem indisponíveis.

Para completar o deboche, Elon – o Musk – postou ontem, no X, um claro trocadilho de deboche com a confusão provocada na cabeça dos déspotas brasileiros: “Any sufficiently advanced magic is indistinguishable from technology”. E eu acrescento: “Cloudflare is the name”.

A realidade que experimentamos até o momento é que as forças da ditadura brasileira, ao que parece, conseguiram um acordo com a Cloudflare, que “isolará” a rede X (Twitter) para que ela, e tão somente ela, seja bloqueada no Brasil conforme os desejos de Sua Majestade Alexandre, a Glande. Até o momento a situação é bastante confusa e, para muitos usuários a rede está inacessível enquanto, para outros, perfeitamente livres.

Mais que nunca, entretanto, devemos tomar consciência que a tecnologia, quando a serviço do bem, pode nos levar à vitória – tanto explodindo terroristas quanto expondo ditadores megalômanos a vexames mundiais.

Shalom, Alexandre.


Walter Biancardine





domingo, 8 de setembro de 2024

NOVOS HORIZONTES -

 


Estranhará o leitor minha longa ausência destas páginas, mas não se trata de relaxamento ou descuido com a atenção que sempre me deram: como sabem, nos últimos tempos uma misericordiosa sucessão de bons acontecimentos fez com que tivesse eu de desviar todo meu tempo e atenções para assuntos que podem decidir e impor novos rumos em minha vida.

Neste mês de agosto último tive a grata satisfação de ser convidado para escrever na prestigiada revista do Vale do Aço mineiro, Carta de Notícias. É uma demanda forte, artigos diários inclusive aos domingos, mas não reclamo – esta é minha vocação. Igualmente, neste mesmo mês, a prestigiada publicação portuguesa ContraCultura – um site que reúne refinados pensadores europeus e brasileiros – igualmente convocou-me para a honra de publicar meus desatinos tupiniquins em seu renomado espaço. Reconheço que a periodicidade é menor, apenas terças, quintas e domingos, mas o nível é outro e muito mais acima do corriqueiro.

Cabe ao leitor imaginar a exaustão cerebral de quem escreve, diariamente, durante oito ou mais horas para tais renomadas publicações e ainda, por puro atrevimento e porque sempre termino o que ousei começar, mete-se a continuar seu épico e inglório labor de escrever três – sim, três! - livros ao mesmo tempo.

Certamente quem me acompanha nestas mal-traçadas saberá de meus rabiscos a respeito do “Livre Arbítrio e o Determinismo Behaviorista”, bem como a introspectiva “Solidão e Transcendência” e o rebelde “Estilo e Ideologia”, todos eles teses filosóficas em maior ou menor profundidade, e que serão livros que publicarei.

Igualmente saberá o leitor, se me acompanha, dos artigos que cedi à bela Miss Jay – senhorita que está às voltas com teses em seu pós-doutorado em Letras, focando na “Análise do Discurso” e que solicitou os mesmos como “case history” para os debates com seus colegas, também pós-doutores (coisa que, confesso, sequer sabia da existência de tal graduação), infelizmente a milhares de quilômetros de mim  e que a mesma permita-me tal ousadia.

Fácil será concluir as razões de meu desaparecimento destas fedorentas páginas, ainda mais considerando a possibilidade – ainda um pouco distante, reconheço – de que tamanha atividade acabe por me levar a uma mudança de endereço, mais precisamente a uma mudança de cidade e que, devo admitir, muito me alegra. O quarto de século que vivi em Cabo Frio muito me ensinou, tirando-me tudo e aprisionando-me numa gaiola dourada de sonhos que, ao fim e ao cabo, revelaram-se pesadelos. Mas, tal como recentemente escrevi em meu perfil no Facebook, “A dor irá embora assim que eu aprender”, e ela está de malas prontas.

Que o leitor perdoe minha ausência e compreenda que o máximo que poderei fazer será – ao menos pelo próximo ano – republicar, nestas páginas, seleções de artigos já penosamente escritos para as outras publicações que participo.

A vida segue e conto com a companhia de vocês.

A dor irá embora assim que eu aprender



Walter Biancardine